A Caveira

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afonsojunior · São Paulo, SP
25/3/2007 · 28 · 1
 

Era uma vez um menino negro, que morava em um bairro distante do centro da cidade. Havia ainda pelo lugar muitas matas, onde ele gostava de brincar. Um dia, viu um homem maltrapilho que levava um cachorro amarelo preso pelo pescoço com um arame. O pobre animal chorava, tinha os olhos cheios de sangue, estava manco de uma perna e, de tão magro, mostrava os ossos.  E gritava com ele:
 - Bicho dos infernos, tua dona vai te dar uma sova quando chegares, malevo fujão. 
O menino foi se escondendo atrás das árvores e ficou acompanhando o homem. Quando o viu parar na beira de um riacho, para beber água, deixando o cão amarrado em uma arvore, atirou umas pedras na direção oposta, e, vendo que o homem ia mais adiante ver o que era, foi pé por pé até o animal e, sorrateiramente, desamarrou-o, levando-o no colo. Escondeu-se novamente e observou o homem esbravejar, furioso, lamentando-se pelo seu destino.
Chegando a casa disse ao pobre animal:
-Pobrezinho, pele e osso. Quem será essa tua dona que tanto te maltrata.
-         E um ser diabólico, uma bruxa das Ãndias, disse o animal
O menino levou um susto e indagou:
-         Falas, amarelinho?
-         Sim, falo e ainda sei latim e matemática. Na verdade sou um sábio árabe que fui escravizado por essa mulher nefasta. Ela não e uma mulher como as outras, e apenas uma caveira que, de dia, por meio de encantamentos, veste a pele de uma bela senhorita de olhos azuis frios como o gelo e uma pela macia e marmórea. Os homens se apaixonam por ela e ela os prende nas galerias no subsolo de sua mansão, que e no meio do mato. Ela lhes deu uma poção que lhes da uma vida muito longa, mas apenas pelo prazer de vê-los passar fome e sede. Ela me espanca quase diariamente, mas o pior e o que faz aos seus empregados. Todo dia força- os a darem seu sangue, através de cortes nos braços, para que ela beba e fique mais viva. Dizem que era uma bela princesa indiana que, de tão bela, recusou todos os pretendentes, ate que um mago lançou-lhe uma maldição- nunca poderia ser enterrada como as outras caveiras e deveria buscar pretendentes ate encontrar um que lhe amasse no aspecto real, ou seja, como ossos. 
-         Que coisa horrível, e não há forma de combatê-la.
-         Sim, ha. À noite não ficam criados na casa, e quando bate meia noite, ela entra no subterrâneo e adormece sobre uma sepultura de mármore. É preciso ir à noite às galerias e soltar os homens que estão nas celas, mas o ultimo homem e preciso deixar preso. Trata-se de um espião e quem o soltar vai sofrer os reveses do destino. Alem disso e preciso roubar dela a pele mágica e enquanto ela dorme, atirar sobre ela uma tocha incendiada. Assim ela queimara e será libertada sua alma.
-         Eu irei, disse o menino, e o cão lhe fez prometer que não ajudaria o último homem. E também resolveu ir com ele e levar três artefatos, caso fosse necessário, uma faca, uma corda e um fósforo.
Assim fizeram e, pulando com cuidado o portão, esconderam-se no jardim em frente ao, onde o mato selvagem crescera, esperando uma oportunidade de entrar casarão.
Quando as luzes apagaram afinal, o menino acendeu uma vela, e entrou cuidadosamente.
Na sala tem um alçapão em baixo do tapete. Mas cuidado, não faça barulho, disse o cão.
Quando entrou no subterrâneo teve um estremecimento. Era gélido e escuro. Passou delicadamente pela figura que dormia sobre o mármore, avistou a pele sobre uma pedra.
-         Ali esta a escada que da para as galerias. A chave fica logo no ultimo degrau.
-         Assim op menino foi descendo e, com cuidado, foi abrir a primeira porta, de onde saiu um homem barbudo, escuro, com roupas rasgadas e cheiro insuportável que lhe mostrou um anel de ouro no dedo.
(cont. no arquivo)

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informações

Autoria
Afonso Junior Ferreira de Lima
Ficha técnica
História Infantil
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Roberta Tum
 

Horripilante para crianças, mas excelente para adultos...rs.
Gostei!
Bom trabalho!

Roberta Tum · Palmas, TO 26/3/2007 20:28
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