A Música Sertaneja de MS • Rodrigo Teixeira

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Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS
5/1/2011 · 11 · 0
 

Amostra do texto

A história da música de Mato Grosso do Sul remete há décadas antes da divisão do Mato Grosso e da criação do Estado em 1977. A região já absorvia, desde o início do século XX, a cultura dos migrantes mineiros e paulistas, desbravadores que mantinham o costume da catira e do cururu. Com a instalação do rádio em todo o território nacional, os moradores das principais cidades do Sul de Mato Grosso também tiveram acesso aos artistas mais famosos do país nos anos 40 e 50.

Sucessos nacionais, como ‘Chalana’ (Mário Zan/Arlindo Pinto), ‘Tristeza do Jeca’ (Angelino de Oliveira) e ‘Beijinho Doce’ (Nhô Pai), além dos cantores mais conhecidos da rádio, como Francisco Alves, Orlando Silva, Ângela Maria, Caubi Peixoto e Nelson Gonçalves, estavam presentes na casa dos sul-mato-grossenses.

A influência dos ritmos musicais do Sul do país - como xote, milonga, vanerão, rancheira e a marcha -, acontece também desde final do século XIX, quando as primeiras levas de gaúchos começaram a chegar ao Sul do Estado em números mais expressivos, vindos do Rio Grande do Sul para fugir das lutas e batalhas que agitaram a região sulina por décadas.

Na verdade, depois da Guerra do Paraguai (1864/1870) é que as terras de Mato Grosso acabaram sendo realmente ‘descobertas’ pela população do país. Os soldados do exército brasileiro, constituído por homens de vários lugares, voltaram para suas respectivas cidades comentando sobre aquele pedaço de terra praticamente desabitado. Não demorou para migrantes – os fundadores de Campo Grande vieram de Minas Gerais -, de todas as partes do país se estabelecerem na região.

Outro item fundamental para compreender a música produzida em Mato Grosso do Sul é a presença dos ritmos fronteiriços, resultado natural da convivência da população do Estado com paraguaios, argentinos e bolivianos. Ponta Porã e Corumbá, por exemplo, são municípios em que não apenas a música, mas a própria identidade cultural é uma mistura dos costumes e tradições de vários países. Com isso, a polca paraguaia, o chamamé e a guarânia foram incorporados de forma definitiva na música sul-mato-grossense e são elementos que acabam a diferenciando do restante da música produzida no país até os dias atuais.

Sobre a obra

O jornalista Rodrigo Teixeira descreve a evolução da música sertaneja sul-mato-grossense desde os anos 50 até os dias atuais. Este texto marca o lançamento da Matula Editora.

O texto foi escrito originalmente para o projeto Do Caipira ao Digital

Rodrigo Teixeira é autor de ‘Os Pioneiros – A Origem da Música Sertaneja de Mato Grosso do Sul’, lançado em fevereiro de 2010. O livro pode ser baixado na íntegra no Overmundo.

O jornalista é músico e desenvolve o blog Matula Cultural e a Matula TV para divulgar a cultura sul-mato-grossense.

Boa leitura!

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informações

Autoria
Rodrigo Teixeira
Ficha técnica
Pesquisa, texto, revisão e formatação: Rodrigo Teixeira
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