Resumo
Desde a década de 1970 está em marcha o processo de reestruturação da indústria fonográfica mundial que cambiou as formas de organizar as relações de produção, distribuição e consumo de música. O fenômeno da banalização técnica (SANTOS, 1994), induz a um maior número de atores sociais a utilizar formas de executar trabalhos, antes circunscritos a um punhado de empresas hegemônicas. O aumento de atividades relacionadas à música é um resultado desse fenômeno, como no caso dos estúdios de gravação e ensaio, pequenas e médias gravadoras, casas de espetáculo, bares com shows, escolas musicais e lojas de instrumentos que assinalam o aumento da espessura do circuito superior marginal da economia urbana. Buscar-se-á, de tal modo, explicar algumas situações geográficas a respeito da divisão territorial do trabalho ligada à música nas metrópoles brasileiras de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Goiânia (GO), Recife (PE) e Salvador (BA) a fim de explicar a relação com as especificidades do lugar e uma tendência a consolidação de gostos regionais brasileiros frente à globalização.
Palavras-chave: Cidades brasileiras, Circuitos da Economia Urbana, Técnica, Produção Musical.
Introdução
A pesquisa que temos desenvolvido busca mostrar de que forma atividades ligadas ao circuito espacial de produção musical tem parte na economia urbana nas cidades de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS) e Recife (PE).
Nosso intuito é analisar a participação de diferentes atores no processo de produção da música no território usado. Entendemos como território usado o conjunto de sistemas de objetos e de ações. “Propomos que o espaço seja definido como um conjunto indissociável de sistemas de objetos e de sistemas de ações” (Santos, 1996, p. 18).
Ao tratar do espaço de todos, o espaço banal sinônimo de meio geográfico (SANTOS, 1996), em que estão todos os agentes, independente de sua força e poder, a teoria dos circuitos da economia urbana é central ao dar conta de renovadas formas-conteúdo que compõe a economia das cidades.
Buscamos sob esta perspectiva considerar a multipolarização da economia e os novos mecanismos e instrumentos de produção de trabalho a gerar riquezas a partir de atores sociais com diferentes graus de tecnologia, capital e organização.
Os dois circuitos da economia, o circuito superior e o inferior, são resultado da diferenciação de renda e de sua respectiva distribuição às parcelas da população. São interdependentes e não podem existir isoladamente. “Os dois circuitos não são dois sistemas isolados e impermeáveis entre si, mas, ao contrário, estão em interação permanente. De um lado, a própria existência de uma classe média impede de se falar em circuitos fechados” (SANTOS, 1979 (2004), p. 261).
Ambos não existem de forma isolada e nem se explicam de tal modo: dependem um do outro, ainda que, como alerta M. Santos, haja uma subordinação do inferior com relação ao superior.
Desde a década de 1970 está em marcha o processo de reestruturação da indústria fonográfica mundial que cambiou as formas de organizar as relações de produção, distribuição e consumo de música. O fenômeno da banalização técnica (SANTOS, 1994), induz a um maior número de atores sociais a utilizar formas de executar trabalhos, antes circunscritos a um punhado de empresas hegemônicas. O aumento de atividades relacionadas à música é um resultado desse fenômeno, como no caso dos estúdios de gravação e ensaio, pequenas e médias gravadoras, casas de espetáculo, bares com shows, escolas musicais e lojas de instrumentos que assinalam o aumento da espessura do circuito superior marginal da economia urbana.
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