A Voz
Foi numa manhã de um sábado qualquer. Estava em minha casa quando ouvi alguém me chamar; “Marquinhos, sobe no campão aÃ!!!â€.
Como estava muito cansado demorei para interpretar a convocação...â€anda cara sobe aÃ!!!!†Insistentemente aquela voz não parava de me gritar; “colé irmão...tá demorando muito porra!†A essas alturas a voz já adentrava ao meu quarto, invadia a minha cabeça e incomodava a minha lerdeza. Levantei-me. Esfreguei meus olhos, passei as mãos em meus cabelos, e olhei as horas... â€puta merda 8 horas, mas que porra!!!!â€
O dia anterior não havia sido fácil, saà do trabalho às onze da noite tendo pegado as seis da matina, não almocei e também não deu tempo para jantar, estava realmente muito cansado e inabilitado para qualquer função que não fossem algumas horas de sono.
Já estava fechando novamente os olhos, quando mais uma vez a voz cumpriu seu papel; “aà tu só pode estar de sacanagem né cara? Marquinhos!!! porra muleque!!â€
Por mais que tentasse manter-me acordado, arregalando bastante meus olhos, dando pequenos tapas em meu rosto, o peso de uma semana exaustiva de trabalho forçava fisicamente meu corpo para uma única posição.
A voz já não me incomodava e vagarosamente se distanciava. As pronúncias dos chamados se tornavam cada vez mais lenta, o silêncio do momento transportava-me para um jardim vasto, repleto de plantas, árvores, cachoeiras e ao meu lado a secretária gostosa do serviço, tudo ao som do Zeca, deixa a vida me levar...
Cama quentinha, confortavelmente macia, exageradamente gostosa, deliciosamente espaçosa, sono,soono,soonho,soonnoo.... susto!
Pulei da cama, vesti uma bermuda e fui até porta, que já estava sendo quase derrubada. A voz em fim havia me alcançado; “porra viado ta morto? não ouviu eu te chamar não? aà vem comigo no campão to precisando de uma ajudinha sua!â€
Era do meu primo Lucinho a irritante voz. Meio que ainda dormindo e sonhando com aquele momento único, fui subindo o morro,embalado por aquela sensação, até a parte mais alta da colina, o campão.
Lucinho era o dono do morro, mas antes de ser o dono do morro era o meu primo, então sempre que precisava incomodar alguém, este pobre era eu. O campão estava em festa, à luz forte do sol quase não permitia que eu abrisse os olhos, as pessoas conversando pareciam que estavam berrando propositalmente para me incomodar.
Pais, mães, avós, avôs, crianças, estavam todos acompanhando a festa do campeonato de futebol.
Ainda meio que perdido naquele caldeirão de pessoas, meu primo me chamou; “colé primão, se liga só, arruma esse som aqui que não ta tocando porra nenhuma!â€
Como eu sabia lidar com parte elétrica não tive maiores problemas em botar o equipamento para falar. “Pronto Lucinho ta feito cara!â€
Quando estava descendo o morro para, então, voltar a sonhar com meu jardim cheio de flores, cachoeiras e com a gostosa da secretária do serviço, de novo ouvi uma voz a me chamar; “Marquinhos chega aà parcero!â€. Dessa vez era o Claudinho, meu amigo e vizinho de infância, gerente da maconha do morro. “Não pode ser, isto não pode está acontecendo†pensei alto. Mas como era o meu camarada senti-me no dever ir falar com ele.
Fui em sua direção, cansado, mas feliz da vida, imaginando que em alguns minutos estaria no meu jardim repleto de arvores,cachoeiras e com a gostosa da secretária.
“Aà maninho me faz um favorzão?†disse Claudinho.
Respondi “claro caraâ€, afinal não havia nem duas semanas que ele tinha comprado um remédio, sem eu pedir, para minha coroa que estava adoecida.
“Então, segura este bico pra eu poder entrar na casa de minha mãe e pegar uma camiseta.â€
Fiquei meio receoso.
Passaram-se uns quinze minutos e Claudinho voltou mastigando uma maçã e com a camiseta nos ombros. “Valeu
Sendo verdadeira tua his-estória, eu também passei por uma desta.
2 PMs nos acusaram, eu e meu irmão de 8 delitos cada um, ai a delegada ao invés de conferir, disse que espancador de mãe (um dos delitos) não tem direito a defesa. Foi um meio-dia e uma noite com uma colher de comida, e para sair, tinha que assinar atestado de culpa. Fomos a juizo, achando que o juiz ia botar no rabo dela, mas lêdo engano, só fez deixar em suspenso a sentença. qualquer vacilo meu-nosso, junta os 2 processos e cana!
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