TEXTOS PARA TEATRO " COMÉDIAS "
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ADIVINHE QUEM VEIO PARA JANTAR
PERSONAGENS:
PAI
JORGE FERNANDO
FILHOS:
DUDA ( Filho mais velho )
SERGINHO ( Do meio )
BERENICE ( mais nova )
Sala de estar. O telefone toca. Berenice entra em cena para atender. Ar displicente.
BERENICE
Alô. Quem? O Serginho?! Tá sim, quem quer falar com ele? (...) Como assim amiga? Tá certo que ser amiga dele não recomenda ninguém, mas pelo menos um nome você deve ter. Ainda que de guerra (...) Como não interessa? Isso aqui não é central de recados não minha filha. Se quiser que eu chame vá tratando de se identificar. Não precisa ficar com medo que o telefone não está grampeado pela polÃcia. (...) Sou a irmã dele, por quê? Algum problema? (...) Dizer que é namorada dele também não ajuda muito. Ele tem tantas. Aliás juntando não dá uma. Cada baranga, cada catraia, cada jaburu. (...) Ah ele só tem você?! Sei. Em coelho da páscoa e papai Noel você não acredita não , né amor? (...) Vem! Vem! Pra bater nessa cara tem que ser muito mulher! Você nem nome tem, vai ver é um travesti! Por isso não fala o nome! Deixa eu adivinhar: Rosicley? Ariovaldo? Indalecio? (...) Que-que-cê-falou? Que-que-cê-falou? (...) Volta pra tua esquina guria,senão perde o ponto! Muda de granja porque tão botando muito hormônio no teu milho! (...) Vai você!!
Bate o telefone. Serginho entra em cena.
SERGINHO
Com quem você tá falando?
BERENICE ( Se recompondo )
É...é uma amiga! A Aline! Ligou pra saber do trabalho de geografia.
SERGINHO
Eu estou esperando um telefonema importante, nem pense em ficar pendurada aÃ.
BERENICE
Telefone? Pode-se saber de quem?
SERGINHO
Da minha nova namorada. Um anjo. Tô paquerando ela a seis meses. Ela é de famÃlia religiosa, é muito reservada, não posso vacilar. A guria é um doce...
BERENICE
Aà que delÃcia...mousse de jiló!
SERGINHO
Que papo é esse, você nem conhece ela? Tá implicando por quê?
BERENICE
Brincadeirinha Serginho. Se ela ligar eu te chamo rapidinho. Ligeiro-ligeiro!
SERGINHO
Na dúvida vou ficar de vigÃlia. Só saio daqui depois que a Geisa ligar.
BERENICE ( Achando graça )
Geisa?! É esse o nome dela?
SERGINHO
É sim. Por quê? Tá rindo de quê?
BERENICE ( Para si mesma )
Vai ver que é por isso que a pobre não quis falar.
SERGINHO
Que-que-sê-disse?
BERENICE
Não ,nada. É que a julgar pelo nome do perfume, dá pra ter uma boa idéia da fragrância.
SERGINHO
Mas que papo é esse? Sê tá muito cheia de estória. Essa menina é muito especial pra mim, Berenice.
BERENICE
Que coisa. Não tem senso de humor?
SERGINHO
Pois vá parando desde já com suas brincadeiras. Ela tem outro tipo de criação , pra ela é difÃcil entender uma mulher falando palavrão e contando piada suja. Domingo vou trazê-la aqui. Quero que ela se sinta em casa.
BERENICE
Ah é? Então por que você não engravida ela, assim ela vem morar aqui?
SERGINHO ( Indo pra cima dela )
Vou te mostrar as coisas de um jeito que você entende!
DUDA ( Entrando em cena )
Que-que-é-isso? Tão se pegando por quê?
SERGINHO
É essa maluca a� Debochada!
BERENICE
Odeio homem que fica bobo por causa de mulher. Até essa hora e a menina nem lembrou de ligar. Com certeza esqueceu. Aposto que nem vai ligar.
SERGINHO
Escuta aqui o Berenice...
DUDA ( Interrompendo )
Chega! Chega! Vamos parar com isso. O pai chegou?
BERENICE
Ainda não.
DUDA
Ele ligou pra mim no trabalho. Coisa esquisita, disse que precisava ter uma conversa séria com a gente.
SERGINHO
Conversa séria? No mÃnimo essa daà aprontou das suas.
BERENICE
‘Essa daÃ’ uma conversa, seu baba ovo da Geisa! Vê se pode? Ela tem nome de limonada.
SERGINHO
É Gine animal!
BERENICE
Pois que seja! É mais bonito que Geisa. Soda Limonada Geisa. Ninguém ia querer beber. Só você. Bocó.
SERGINHO
O Duda vê se dá um jeito nessa daÃ, antes que eu perca a cabeça!
DUDA
Silêncio vocês dois. To ouvindo barulho do carro, pai deve estar chegando.
BERENICE ( Com a mão em concha no ouvido )
É ele mesmo. O que será que ele quer conversar com a gente?
DUDA
Vocês aprontaram alguma grave?
BERENICE
Claro que não Duda. Tá pensando que tem alguma criança aqui?
PAI ( Entrando )
Oi filhos. Que bom que estão os três reunidos. ( Beija Berenice na testa, depois Serginho) O Duda já conversou com vocês?
BERENICE / SERGINHO
Já.
SERGINNHO
Qual assunto?
PAI
Bom... ( Confere as horas ) Eu convidei uma pessoa para jantar conosco hoje.
BERENICE
Aà meu Deus! Não tem nada pronto!
PAI
Não tem problema, a gente liga pra algum restaurante e pede alguma coisa. O objetivo é que essa pessoa conheça vocês. É bom que não seja nada formal. Olhe filhos...desde que a mãe de vocês morreu ,as coisas tem sido muito difÃceis pra mim. Tá certo que agora já estão crescidos e conseguem se virar sozinhos, mas ainda assim falta alguém ao meu lado pra dividir as coisas da casa. Uma companhia, enfim...é dificil falar sobre isso. Não que eu tenha deixado de amar a mãe de vocês, de forma alguma! Ela nunca vai perder o lugar que sempre ocupou no meu coração . De qualquer forma...eu acho que chegou a hora de recomeçar novamente. Mesmo porque não demora vocês três acabam casando e eu vou ficar sozinho nessa casa. Enfim...resolvi tornar explicita essa minha relação, legitimá-la deixando-os a par de tudo. Venho adiando a meses com a desculpa de escolher o melhor momento e o melhor momento acabou sendo o improviso. Não fazem nem três horas que decidi que tinha que ser hoje.
BERENICE
Nossa...O senhor vai arranjar uma namorada ou começar uma guerra?
SERGINHO
Cala a boca, animal!
Berenice lhe mostra a lÃngua.
DUDA
Olha pai eu sinceramente não sei se essa foi a melhor maneira. A gente foi pego de surpresa. Eu nem sei o que pensar.
SERGINHO
Nem eu! Podia ter avisado antes.
PAI
Mas não avisei! Eu fui levado pela ansiedade. Vai ser hoje e pronto. Só em ter falado com vocês já me sinto melhor. ( Confere as horas ) Pensem em alguma coisa pra comer.
BERENICE
Eu vou querer camarão!
SERGINHO
Aproveitadora! Camarão o quê? Camarão no quê? Camarão com quê?
BERENICE
Qualquer coisa , desde que tenha camarão!
SERGINHO
Já vem tirar vantagem da situação!
BERENICE
A ocasião é solene meu querido. Pede uma sopinha de legumes pra você. Faz bem...tem fibra.
PAI
Não comecem vocês dois.
O telefone toca, Serginho atende.
DUDA
Nossa como o senhor está pálido. Também não é coisa do outro mundo.
BERENICE
A menos que ela seja menor de idade...e grávida... ( Duda olha feio pra ela)
SERGINHO ( Ao telefone )
Porque sê tá chorando...
PAI
Parece simples mas não é Duda. É complicado, tudo que altera a rotina familiar gera atrito. E não há nada no mundo que eu preze mais que o amor de vocês e paz dentro da famÃlia.
SERGINHO
O que foi Geisa...
Ao ouvir esse nome , Berenice dá um passo para perto do pai com medo de Serginho.
DUDA
Eu acho que o senhor está fazendo uma tempestade num copo d’água.
PAI
Não filho, eu sei que não.
DUDA
Aqui não tem mais criança não , pai. E digo mais: o senhor demorou pra arranjar alguém.
SERGINHO
Mas eu só tenho você...eu só tenho você...quem foi que disse...Jaburu?! ( Olha feio para Berenice que se esconde atrás do pai ) Catraia...Baranga...
PAI
Você é um menino de ouro Duda. Está sempre disposto a entender os outros. Nisso você lembra muito sua mãe.
SERGINHO
Perguntou se você tinha nome de guerra...Não...não chora amor...não chora...
DUDA
É claro que as coisas vão precisar de um tempo para se acomodar.
PAI
Quem mais me preocupa é Berenice. ( Ela está atrás dele de modo que tem de girar para encará-la, enquanto ela gira também pra manter-se escondida) . Mas o que foi filha?
SERGINHO
Mandou você voltar pra granja... Sei... ( Ele apóia o telefone no ombro e vai tirando o cinto da calça ) Que mais que ela falou?
BERENICE ( Olhando assustada para Serginho )
Se-se o senhor for sair eu vou junto!
PAI
Que isso? Já está tendo crise de ciúme? Em menos de meia hora eu estou de volta.
SERGINHO
Esquina...hormônio no milho... (Com o cinto em punho ) Não, eu não vou brigar com ela...pode acreditar, vou só falar te juro... ( Brande o cinto ) vai ser no diálogo....( Brande o cinto ) eu juro amor...não vou por a mão nela...vou sô conversar...( Brande o cinto ) No diálogo! ( Brande o cinto ) No diálogo!
Desliga o telefone e parte pra cima de Berenice.
SERGINHO
Vem cá!
Berenice ( saindo correndo para fora de cena )
Paiêêê!!
Os dois , Berenice e Serginho saem de cena. Ouve-se o som de uma cintada e o grito de
Berenice.
PAI
Duda vai atrás desses dois. Parecem cão e gato! E você ainda diz que não tem criança aqui?
Mais uma cintada e mais um grito.
DUDA ( saindo de cena )
Serginho!
PAI
Assim vou acabar tendo um enfarte.
Berenice entra correndo e o agarra, seguida por Serginho com a cinta em punho.
DUDA ( Surgindo em seguida )
Parô! Parô!
PAI
Assim não é possÃvel! E logo hoje vocês vão armar esse picadeiro?
BERENICE
É esse jumento aÃ!
SERGINHO
É essa cobra aÃ!
PAI
Duda, toma conta dos animais da casa até eu voltar.
DUDA
Tá certo pai. Pode deixar. ( Toma o cinto de Serginho )
O pai sai .
DUDA
Que coisa, vocês dois! Parô! Parô! Daqui a pouco a mulher vai estar aqui. Berenice ponha freio na lÃngua. Olha o palavrão.
BERENICE
E desde quando eu falo palavrão?
SERGINHO
Bom, depois de aprender a falar ‘mamãe’, você aprendeu a falar ‘cocô’.
Ela ameaça reagir,Duda a impede.
DUDA
Chega! Amanhã vocês se matam! Hoje não.... A mulher tá chegando! O que ela vai pensar da gente?
SERGINHO
Tá , tá bom...
BERENICE
E depois... quem será essa mulher? O pai falou falou e omitiu o principal.
DUDA
E vocês deram chance?
SERGINHO
Teve toda chance do mundo. Ele não quis falar, eu percebi. Por isso ficou todo cheio de estória. É bom a gente já ir se preparando pra ter uma surpresa desagradável.
DUDA
Ora...não diga bobagens. Ele não falou porque não falou e pronto.
BERENICE
Sem querer concordar com o lado podre da famÃlia, mas eu tive a mesma impressão. Meses e meses ensaiando só para apresentar a namorada?
SERGINHO
Ele está preparando o terreno porque sabe que nós não vamos gostar da novidade.
DUDA
E por que haverÃamos de não gostar? Que pode ter essa mulher assim de tão ruim, de tão errado? Ainda que fosse a Dagmar...
Duda para a frase no meio. Os três se entreolham parecendo esclarecer o enigma.
DUDA,SERGINHO,BERENICE
A DAGMAR!!
BERENICE
Gente só pode ser isso! Só pode ser.
SERGINHO
Aà meu Deus. Já imaginaram ter aquilo por madrasta?
BERENICE
Mas uma mulher daquelas só serve pra madrasta! Não há macho, seja de qual for a espécie, que teria aquilo como amante!
DUDA
Calma gente. Não vamos pensar no pior.
SERGINHO
Tá na cara Duda. É ela! Claro. Por isso todo esse palavreado, essa enrolação toda. A Dagmar é quenem monstro de filme de terror, ele nunca aparece de cara. Tem sempre um suspense...
DUDA
Mas e se for? Nós vamos fazer o que?
BERENICE
Sabe , outro dia ...na aula de historia...
DUDA
Que tem?
BERENICE
A professora comentou com a gente que no tempo da escravidão, as negras que trabalhavam na cozinha tinham uma forma muito criativa de se vingar de seus senhores. Era o seguinte: toda vez que preparavam a comida, elas punham uma dose de veneno nela. Uma dose mÃnima, eles nem percebiam, mas que dia após dia sendo ingerida, fazia eles irem se envenenando aos poucos,bem lentamente. No final ficavam doentes e morriam sem que soubessem o por que. Por coincidência____ veja como são as coisas, as vezes o destino parece falar com a gente ____ por coincidência, nessa mesma semana eu fui na Aline e ela me falou que a casa estava empestiada de camundongo. Sabe o que eles fizeram? Compraram um veneno fortÃssimo, um azulzinho parecido com açúcar colorido. Não sobrou um, a Aline falou...
Berenice se cala ao perceber que os dois a olhavam perplexos.
BERENICE
Por que vocês estão me olhando desse jeito? Que-que foi? É só uma idéia ora essa!
DUDA
Não é bem esse tipo de idéia que nós estamos precisando, Berenice.
SERGINHO
Isso aqui não é uma famÃlia de Gangster minha filha. Pelo menos não ainda.
BERENICE
Vocês querem saber de uma coisa? Cansei dessa estória! ( Faz menção de sair )
DUDA
Onde você vai?
BERENICE
Na Aline. E vou rezar pra que seja mesmo a Dagmar. Não dou um mês e vocês vão estar me implorando pra saber o nome do veneno. Um mês! ( Já saindo ) E eu não digo!
Sai.
DUDA
Cinco minutos Berenice! Cinco minutos e quero você aqui! Será que essa doida tá falando serio?
SERGINHO
Sei lá. E o pior... o pior é que eu...( põe a mão nas costas ) ...eu...
DUDA
Eu o quê? Desembucha logo!
SERGINHO
Eu ando sentindo uma dorzinha aqui do lado. Um colega meu disse que é o rim. De uma hora pra outra....sem mais nem menos....Você acha que eu ando brigando muito com a Berenice?
DUDA ( Percebendo onde ele quer chegar )
Serginho cala a boca. Chega de asneira por hoje.
SERGINHO
Oh só! Oh só! Eu aperto aqui e dói. Você não leva a serio, né Duda? Mas começou a doer logo depois que eu perdi o celular da Berenice. Um dia depois. ( Vai saindo de cena)
DUDA
Onde sê vai?
SERGINHO
No banheiro. Vou conferir se a minha urina tá saindo amarela. Hoje de manhã eu mijei e ardeu. ( Sai )
Tempo.
DUDA
O pai tá chegando Serginho . Vem logo. Cadê a doida da Berenice? A Aline é aqui do lado. Serginhôôô!
SERGINHO ( Fora de cena )
Já vô! Tô no banheiro.
DUDA
De novo? Não faz nem vinte minutos que você foi.
SERGINHO
É que a urina tava amarela. Então eu tomei um litro de refrigerante pra ver se clareava.
DUDA
A mulher vai achar que o resto da famÃlia tá se escondendo, vou ficar com cara de tacho! É ele mesmo, já tá entrando. Pô Serginho vem logo!
SERGINHO
Duda! Duda!
DUDA
Que foi?
SERGINHO
Tá amarela ainda!
DUDA
Vá se Fo...
Ele para a frase no meio. Pai entra em cena.
PAI ( Para a pessoa fora de cena )
Vamos entrando. Finalmente chegou o grande dia.
Entra o personagem. Jorge Fernando, um homem de idade próxima ao pai, talvez um pouco mais moço.
PAI ( Constrangido )
Duda esse aqui é a pessoa que eu queria apresentar a vocês. Serginho e Berenice onde estão?
DUDA ( Não entendendo )
Pensei que fosse me apresentar a sua namorada, não um amigo.
JORGE FERNANDO ( Estendendo-lhe a mão )
Muito prazer, Jorge Fernando. Seu pai teve que omitir algumas coisas. Mas a primeira impressão que teve foi a correta.
DUDA
De jeito nenhum! Eu pensei que ia apresentar a namorada dele.
JORGE FERNANDO
Exatamente.
DUDA
Exatamente o que?
JORGE FERNANDO
A namorada de seu pai...sou eu.
DUDA ( Achando graça )
Você não pode ser a namorada do meu pai, porque você é homem.
JORGE FERNANDO
Ok...eu sou o namorado do seu pai.
DUDA ( IDEM )
Pra você ser o namorado do meu pai ele precisaria ser mulher. Aà ele seria minha mãe! Não estou entendendo...a menos...a menos...aà meu Deus...
PAI
Exatamente Duda.
DUDA
Serginhôôô!!! Corre aqui agora!!
SERGINHO ( Entrando em cena )
O que foi? Porque tá gritando?
Sem conseguir responder, Duda se limita a apontar Jorge Fernando.
PAI ( Se antecipando )
Serginho esse aqui é o Jorge Fernando. ( Apertam as mãos )
DUDA ( Apontando e dizendo por fim )
A namorada do pai...
SERGINHO
Onde?
DUDA ( Apontando )
AlÃ!
SERGINHO ( Olhando atrás de Jorge Fernando )
Não tem ninguém.
DUDA ( Quase tocando em Jorge Fernando )
É ele!
SERGINHO ( Rindo )
Tá doido? O cara é homem.
DUDA
Mas este é o problema! ( Senta-se com a cabeça entre as mãos )
AÃ meu Deus!
SERGINHO ( Se aproxima do pai )
O Duda bebeu pai?
PAI
Não filho, não bebeu. É a pura verdade.
SERGINHO
Que ele não bebeu?
PAI
Não. O que ele disse.
SERGINHO
Mas ele só pôs a mão na cabeça e disse : ‘Aà meu Deus!â€
PAI
Antes disso.
SERGINHO
Antes disso ele apontou para o seu amigo e disse que era a namorada do senhor.
PAI
Pois então.
SERGINHO
Pois então o que?
PAI
É isso!
SERGINHO
Isso o que?
PAI
O que ele disse.
SERGINHO
Sim! Mas porque ele disse isso? O Duda bebeu pai?
PAI
Já disse que não. É a pura verdade !
SERGINHO
Que ele não bebeu?
PAI
Não! O que ele disse!
SERGINHO
E eu lá sei o que ele quis dizer com essa maluquice? Só falta o senhor apontar pro seu amigo e dizer: esse aqui é a minha namorada.
PAI
É constrangedor dizer... mas é exatamente isso filho.
SERGINHO
Isso o que pai?
DUDA ( Levantando exasperado )
Pelo amor de Deus, vamos parar com essa conversa! Serginho, esse aqui é a namorada do pai!!! ( Aponta ostensivamente )
SERGINHO ( Assustado para o pai )
Tá vendo pai, ele falou de novo.
Duda vai até Serginho e sussurra em seu ouvido a real condição de seu pai.
DUDA
Entendeu agora?
SERGINHO ( Chocado )
Isso é impossÃvel! Isso não é verdade!
DUDA
Mas é!
SERGINHO
Não é!
DUDA
É!
SERGINHO
Não é!
PAI ( Indo até Serginho e pondo a mão em seu ombro )
Somos!
SERGINHO
Não pode ser! ( Caà sentado no sofá com as mãos na cabeça )
PAI
Desde o inÃcio eu disse que iria ser difÃcil pra vocês entenderem.
DUDA
DifÃcil?! Pra mim é completamente impossÃvel!
JORGE FERNANDO ( Para o Pai )
Eles vão precisar de um tempo para se acostumar.
DUDA
Ah é? Então por que o senhor não volta daqui a dez anos? Quem sabe logo na entrada a gente te chame de mamãe.
BERENICE ( Entrando em cena )
Voltei! ( Da uma olhada para Jorge Fernando ) E então? A mulher já chegou?
DUDA
Já! Aliás falávamos disso nesse instante.
SERGINHO ( Para Berenice )
Você não vai acreditar...
PAI
Berenice eu queria te apresentar o Jorge Fernando.
BERENICE ( Apertando-lhe a mão )
Prazer. Pelo visto já enveredaram a mulher pelos caminhos que conduzem a cozinha. Que vergonha meu Deus. ( Vai para a cozinha )
PAI
A Berenice é um pouco geniosa. Não sei como vai reagir.
SERGINHO
Se estiver num dia normal vai cortar os pulsos. Se estiver naqueles dias, além do dela vai cortar o pulso de mais alguém.
DUDA
Ela eu não sei. Mas a vizinhança vai adorar. A nossa famÃlia vai passar a ser uma diversão garantida.
JORGE FERNANDO
Vocês não estariam sendo preconceituosos demais?
PAI
Na teoria são a favor de tudo. Só que na prática...
DUDA
Certas práticas não encontram teorias que as defendam!
SERGINHO
Somos a favor de tudo sim! Tudo que acontece da porta pra fora. Aqui dentro não!
BERENICE ( Voltando a cena. Cara assustada )
Gente, vocês não vão acreditar...Vocês não imaginam o que aconteceu...
PAI ( Temeroso )
O que foi filha?
BERENICE
A mulher sumiu! Procurei na casa inteira e não encontrei. Ela se invocou com alguma coisa e foi embora! E não venham por a culpa em mim. Eu nem vi a cara dela! Que coisa doida...
SERGINHO ( CÃnico )
Acho que você não procurou direito. Dá uma tentada aqui na sala.
PAI
Serginho por favor. Berenice...esse aqui é o Jorge Fernando.
BERENICE
Eu sei pai, o senhor já apresentou. ( Cumprimenta-o novamente ) Tudo bom?
JORGE FERNANDO
Tudo.
PAI
O Jorge Fernando filha é uma pessoa de minha estima, fiz questão de trazê-lo aqui hoje para apresentá-lo a vocês. Ele tem sido um amigo, um companheiro fiel ao longo desses anos, alguém que sempre esteve ao meu lado nos momentos mais difÃceis.
BERENICE ( Impaciente )
Tá bom, tá bom! Mas o senhor vai ou não vai?
PAI
Aonde filha?
BERENICE
Atrás da mulher, meu Deus! A essa altura ela deve estar a quilômetros daqui.
SERGINHO
As mulheres estão em baixa nessa casa Berenice. Ao invés de ir atrás delas, há quem tome o caminho oposto.
CONTINUA... Texto na Ãntegra no meu BLOG: http://altamirando1.blogspot.com/
Comédia. Estória se passa num jantar improvisado. O nome e a idéia vêm de um filme antigo "Adivinhe Quem Veio Para Jantar", filme com Sidney Poitier. Ação acontece toda em poucas horas, numa noite. Na sala da casa. Casa de famÃlia. Pai viúvo e três filhos. Filhos: dois homens e uma mulher, a filha é a mais jovem, adolescente em época de vestibular. Os outros dois na casa dos vinte anos. FamÃlia comum, classe média. FamÃlia 'funcional' sem nenhum grande drama interno, até esse jantar. Pai vai apresentar o que eles pensavam ser uma "namorada", quando na verdade é um "namoradoâ€.
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