ALZIRA E O LOBISOMEM

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PENHA DE CASTRO · São Luís, MA
17/5/2012 · 5 · 1
 

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,A cidade estava em pavorosa, era só a lua cheia cair numa noite de seixa-feira que a fera atacava. As cabeças de gado nas fazendas eram devoradas ou simplesmente desapareciam. Poças de sangue se encontravam pelos caminhos. Os rumores cresciam avassaladoramente, haviam relatos impressionantes de que pessoas tinham sido atacadas e escapado milagrosamente da criatura.Ninguém sabia ao certo o nome das supostas vitimas, mas do agressor todos tinham certeza: era um lobisomem.
Os ataques foram se sucedendo de forma misteriosa. Suspeitava-se de todos que poderiam carregar consigo a sina do lobisomem: o sétimo filho de uma linhagem de sete irmãos, os forasteiros e os ciganos, gente muito peluda, de olhar aguçado ou com estranhas cicatrizes dais quais não sabia explicar direito a origem.
O delegado, inteiramente cético em matéria de lobisomem e outras assombrações, tinha suspeitas mais realistas: poderiam ser ladrões de gado, brincadeiras da juventude do lugar ou então, gente que se aproveitava da onda de superstição que tomou conta do lugar para dá fim aos desafetos.
Entre crença e descrença, os boatos se alastravam. Muitos já duvidavam de fato da existência do amaldiçoado, até a fatídica noite em que Alzira foi atacada.
Alzira, moça estudada e de muito recato, não era chegada a crendices e outras coisas que ela mesma denominava bobagens dessa gente. Tinha atitude e postura e, sua palavra inspirava credibilidade.
Entretanto,o maior de seus atributos era mesmo a sua infindável beleza e formosura. Dona de um corpo escultural, pernas torneadas, seios fartos e rígidos, de rosto simétrico, ornamentado por um fabuloso par de olhos castanhos e arredondados, e longos cachos negros que realçavam seus ombros alvejados.
A bela Alzira atraia para si todos os olhares, atiçava paixão e desejo em todos os homens da cidade, os solteiros e os impedidos. As mulheres também, umas com respeitável admiração, outras com pura inveja, e outras por razões que não sabiam explicar.
Com tantos olhares sobre si, Alzira não poderia passar despercebida ao excomungado, que em sua forma de gente passou a segui-la por todos os lugares. Encantado com a formosura da moça, o maldito teve fome de sua suculenta carne.
A malfada sexta-feira de lua cheia chegou, Alzira voltava sozinha da Igreja, posto que declinou a gentileza de um admirador que se dispôs a acompanhá-la até sua casa, trajava um vestido vermelho de laço, que deixava a amostra um belo par de panturrilhas.
Não sei se foi a vermelhidão do vestido ou se foi a pele branca a sobressair por baixo da bainha, ou se foi simplesmente Alzira, por ser Alzira que atraiu o monstro.
Primeiro se ouviu de longe um uivo aterrorizante, o sangue de Alzira gelou e ela se pôs aos berros a correr pelos caminhos, atravessou uma vereda perto a um enfarpado onde os arames lhe rasgaram e arrancaram o vestido, deixando-a inteiramente despida.
O lobisomem em seu rastro farejou o vestido e o cheiro de sangue, que vazou de seus muitos arranhões,e foi certeiro ao encontro de Alzira,que se escondia atrás de um cajueiro.
As narinas do monstro exalavam e seus olhos famintos fitaram a presa. Alzira acuada, em choro compulsivo, se prostou deitada ao chão e esperou o bote da criatura.
O lobisomem se aproximou e lambeu Alzira nas partes. A bela gemeu sem saber se de pavor ou de prazer, e olhou para o desalmado, dominada por uma ternura estranha que resultou em um beijo.
Não é que o bicho aos poucos foi tomando forma humana e em ato repentino possuiu carnalmente a moça que de fato era donzela, deixando no local mais uma poça de sangue.
Atraída pelos primeiros gritos de Alzira, os bravos do lugar vieram em seu socorro empunhando tochas, rifles, pistolas e facões. A Encontraram desfalecida, nua e ensangüentada, com visíveis sinais da agressão sofrida. Alguns ainda viram a vulto da criatura sumindo por entre a folhagem.
Quando lhe perguntaram quem teria feito aquilo, Alzira não pensou duas vezes: “Foi o lobisomem!â€
Depois do ocorrido, as moças do lugar temiam a desejada sorte de cruzar com o lobisomem...

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Penha de Castro
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alcanu
 

O ruim dos LObisomens é que eles geralmente não assumem o 'estrago' que fazem com criaturas virginais como essa Alzira aparenta ser ...
O cúmulo da coincidência resume-se no ataque ter sido consumado justamente depois que a sua companhia, acima de qualquer suspeita, é lógico, havia deixado a moça na mais pérfeita segurança !

Bom texto, prende a gente que até esperava que fosse ocorrer algo 'pior' !
Risos ! Lobisomem mais 'humano' esse !
Um beijo !

alcanu · São Paulo, SP 14/11/2012 10:35
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