AMNÉSIA
Eu tinha uma famÃlia sólida e feliz até que fiquei desempregado, estava muito triste quando cheguei em casa, dei a péssima notÃcia de ter fica desempregado apesar de ser um bom funcionário, mas os argumentos do patrão eram “contenções de custos†e para tal teria que fazer cortes no quadro funcional.
Comecei a colocar currÃculos em vários lugares, mas ninguém retornava aos meus pedidos, foi quando tive a idéia de abrir um comércio com as economias da rescisão.
Abri o negócio, mas fiquei sem nenhum capital para o sustento familiar, tudo que entrava era direcionado a nossa alimentação, estava trabalhando durante o dia e a noite, eram muitas horas ali atrás daquele balcão.
Chegava em casa, colocava o dinheiro na mão da minha mulher, informando-a quais contas deveriam ser pagas, tomava um banho, jantava e capotava na cama para acordar de madrugado no dia seguinte.
As dificuldades aumentavam a cada dia, pois não tinha conhecimento do negócio que abrira, o dinheiro entrava e saia com mais facilidade ainda, ninguém trabalhava em casa os filhos somente estudavam, minha mulher só cuidava da casa.
Cheguei muitas vezes a pensar, se um dia eu faltar, o que seria da minha famÃlia, ninguém trabalha, ninguém quer nada com o trabalho, só os meus esforços que sustentam essa casa.
Certo dia saindo de casa de madrugado ainda escuro, chovia muito, as ruas estavam alagadas, pesei em um fio de alta tensão, levando uma descarga elétrica que quase me matou, me conduziram a um hospital.
Quando minha famÃlia chegou para saber como estava o meu estado, não os conhecia, os médicos disseram que eu estava com amnésia parcial, não sabendo quando minha memória voltaria.
Minha famÃlia levou-me para casa e assumiram o comercio, enquanto estava debilitado e sem memória.
Fiquei com amnésia por certa de quatro meses, um dia estava em casa sozinho, recobrei a memória, olhei em volta tudo estava diferente de quando me acidentei, tudo era novo, geladeira, móveis, televisão, vÃdeo cassete, casa pintada recentemente.
Fiquei pensando será que alguém tinha ganhado na loteria ou coisa parecida? resolvi ir ao estabelecimento para saber se eles haviam fechado com falência ao chegar próximo o que vejo, onde existia uma lojinha agora era um grande supermercado, entrei para saber se ainda era o meu pequeno negocio que crescera ou se haviam vendido para outra pessoa, fingindo não ter recuperado a memória soube.
O que vejo minha mulher com um uniforme lindo na gerência, minha filha comandando as operadoras de caixa, meu filho dando ordens aos funcionários de reposição, quando sou visto por eles que correm em minha direção, o que faço? Finjo não saber quem eles eram e não saber onde estava.
Minha mulher leva-me para casa em um carro muito bonito, no caminho resolvo confessar que havia recobrado a memória e pergunto o que havia acontecido, ela então diz que com a minha doença, todos em casa resolveram ajudar no comércio, como ela era administradora formada resolveu ficar na gerência, nossa filha esta terminando o curso de contabilidade por isso ficou na parte financeira e nosso filho fez um curso de marketing e esta terminando a faculdade de direito ficou responsável pela parte de propaganda e do jurÃdico.
Como você nunca nos deixou ajudar achando que poderia fazer tudo sozinho, resolvemos nunca nos meter no seu comércio, com sua doença resolvemos unir nossos esforços e tocar o negócio, o que você achou?
Hã! Hã ! quem é você? Onde estou?
AMEM
MARCOS TOLEDO
Muita expressão no que escreve, querido Marcos. Amei a estória, cheia de atitudes e muito amor.
su angelote · Jaboatão dos Guararapes, PE 1/7/2008 11:15Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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