BAILARINA
Cessou o vento.
Todas as árvores
Ficaram imóveis na espera
Do número espetacular.
Quedaram-se, só o silêncio
Se ouvia.
O tempo ornamentado
Num paramento de estrelas e lua,
Brilhos dos olhos das cores
Que se moviam lépidas e leves.
Foi um silêncio macio, plumoso
Que começara por entremear seus pés e braços.
Uma folha sai. Viva e nova, de uma moita
E alça vôo sem um alarde
E cai sobre a grama tapetada.
É uma esperança viva e verde
Que se lançou do alto da lona
Com uma aparência de palhaço mudo
E assim foi tudo
Tudo o que se aguardava ver
Uma esperança, alí,
Dançando como bailarina
E que num salto empina,
Com suas asas, pelo ar.
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