Ernani, ela viu pela primeira vez em uma parada de ônibus. Lugar bom pra se conhecer alguém. Carregava livros na mãos e tinha um ar de quem não sabe pra onde. Perguntou o nome dela e o destino. Como já era de se esperar, caso ele a conhecesse, disse que ia pra lua, que havia muitas crateras rosas por lá.
Ernani riu, como só os estudantes de cinema podem rir. Ela, um tanto quanto indiferente falou mal das imagens que colocam nas carteiras de cigarro. Ficaram amigos ali.
Era uma mulher de boca marcante, com jeito de menina que vai às compras. Olhava nos olhos, dentro deles, como procurando alguma coisa.
Quando perguntou sobre o coração foi logo dizendo de uma alcachofra que carrega no peito, a meses. Que era incapaz de se apaixonar. Era sim, uma péssima escolha pro mundo. Mas Ernani já estava enebriado com aquela boca, uma boca capaz de dizer tantas coisas tolas. Era uma boca por demais rosada, nem muito carnuda, nem muito pequena. Era uma boca pra ser beijada.
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