CORDEL E REPENTE

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"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA
10/6/2010 · 1 · 0
 

CORDEL E REPENTE - a Poesia viva


Os DESAFIOS abaixo foram publicados por mim em maio/2010 num blog chamado ARENA VIRTUAL, dentro do megasite FACEBOOK... sendo o espaço (destinado aos amantes da literatura de cordel e dos repentistas e cantadores) livre para quem queira "duelar"! Os desafiados foram os exímios repentistas Compadre RIBEIRO e o Compadre LEMOS, além do LIO VIOLA, do ARAÚJO (com 2 ou 3 cognomes) e de outros mais.


ENTRANDO NA PELEJA

Meus amigos, vou entrando
sem sequer pedir licença,
prá não causar desavença
aviso que estou chegando.
E vou logo declarando
para os que tiverem medo:
aqui é o NATOAZEVEDO...
se cuidem, que estou entrando!
*******************************

RÉPLICA AOS "LÍNGUA DE TRAPO"!

Oi, gente, modere a língua
que sou homem ocupado.
Não posso ficar sentado
até crescer uma íngua
e a casa ficar à míngua
graças ao computador.
Mas aviso ao doutor
meu caro Compadre Lemos:
nem bem ainda nos vemos
e já estranho o senhor!

O amigo só fala em pau...
eu, que de mato entendo,
juro que não compreendo
um cumprimento tão mau.
Chega prá lá, "varapau"...
eu, que "atravessei" Ribeiro,
chupei melado em vespeiro,
vou ter co'o compadre Lemos
e, com padre ou sem, nos vemos
num Cemitério maneiro.
"NATO" AZEVEDO
*******************************

ACOOOORDA, PATATIIIVA!

Hoje, poeta não pode
publicar um só versinho
que topa, pelo caminho,
com 2 asnos e 1 bode.
A gentalha se sacode,
pede socorro ao Ribeiro
que corre aos livros, primeiro,
querendo um "Salve, Rainha"
que o livre da sova em rinha,
lhe proteja o pêlo inteiro.

O Ribeiro era um colosso!
Cordelista renomado,
com fama por todo lado,
com todos falava grosso.
Hoje está no fim do poço...
vive de Maracujina,
perna bamba, voz bem fina.
Depois que o NATO AZEVEDO
pisou na Terra -- sem medo! --
Ribeiro só desafina.

Falando em Paz.. o rapaz
que nem largou a cartilha,
não aprendeu a Sextilha,
já se julga mui capaz
de dar lição em um ás.
Como quer fazer Martelo,
Quadra, Quadrão, um duelo,
quem não sabe declinar
nem sequer o verbo DAR
no torrão verde-amarelo?!

E lá vem o pobre Lemos
agarrado em duro pau...
se 'inda fosse um berimbau
até deixava por menos.
Se as mãos um dia nos demos,
hoje sou vero inimigo.
Para teu maior castigo
eu vou de maçaranduba,
angelim e cupiúba...
estou "por conta" contigo!
"NATO" AZEVEDO

E ISSO É SÓ O COMEÇO...
*************************

APERTANDO O LAÇO...

Lá se foi o Araújo...
queria ser tubarão
mas, ao primeiro rojão,
virou reles caramujo.
Se encolheu o dito-cujo
a quem chamam de ZENÓBIO.
Mais parecendo micróbio,
deixou a Mestra agastada
com sua fanfarronada.
Teve, de todos, o opróbio!

Consulta cacimba e bica
o repentista Ribeiro,
pois vai virar aguadeiro
ou caçar viúva rica.
E quando o sino repica
lá no templo frio e calmo,
êle abre o livro do salmo
diante do Santo Sacrário
e beija triste o rosário
de 2 terços, 7 palmos.

Anda de queixo caído
o RIBEIRO-bacharel.
Arqueado o espinhel
parece barco partido,
sem mastro, vela, roído.
Cabisbaixo hoje o vemos.
Aos coxixos com o Lemos,
o que antes era um colosso
nos lembra velho destroço...
em resumo, eis o que temos!

Não temo "pau" de ninguém...
quanto mais um cacetinho
que, diz alegre (!?) vizinho,
parece que o Lemos tem.
Seja vivo ou do Além
vai ser preciso uns 3 Lemos
armados de faca e remos
para que eu dê um tropeço.
Eu estou só no começo...
na sexta-feira nos vemos.

Surge rôto o pobre LIO...
de viola remendada,
de calça suja, rasgada,
chega tremendo de frio.
Com voz rouca, por um fio,
corre atrás de urubu
prá melhorar seu angu.
Vê "seu" Ribeiro chorando,
"seu" Lemos se lamentando...
volta logo ao Pajeú!
"NATO" AZEVEDO

AMANHÃ TEM MAIS...
vocês não perdem por esperar!
******************************

CAROS AMIGOS... com prosa ou verso, com estrofes boas ou ruins, o fato é que chegou a hora de partir, tomar outros caminhos. Foi um prazer DUELAR -- com a caneta, felizmente! -- com todos vocês e prometo acompanhar à distância os demais lances desse entrevero literário. Como diz antiga ciranda de um AUTO nordestino cujo autor desconheço...

Adeus, te digo afinal.
Adeus, te digo chorando.
ADEUS, te torno a dizer...
Adeus, não sei até quando!

Quem parte, gosto não tem.
Quem fica, como terá?
Quem parte, põe-se a chorar...
quem fica chora também!

Vou-me embora desta terra
que, aqui, não posso ficar.
Vou dar descanso ao meu nome...
vou dar sossego ao lugar!
*******************************

ADEUS, ADEUS...

Meu corpo está dolorido
de tanto bater na cara
-- com a mão, chicote e vara --
de repentista ofendido.
O trio, mesmo ferido,
não se cansa de apanhar.
Quando pensa em revidar,
o faz de forma tão frouxa
que eu digo: -- "Pegue essa trouxa,
vá cantar noutro lugar"!

Ribeiro quebrou a crista,
pensa em ir pro Pajeú!
Leve, então, tomate cru,
pepino... faça uma lista
e, sem dar muito na vista,
legumes do tipo nabo
pra noite ser de nababo,
imitando ator global
que acabou no hospital
c'uma cenoura no "rabo".

Mas, fique logo por lá!
Com cantador feito o LIO,
que não 'guenta desafio,
vais causar um bafafá.
-- "Mió pueta num há!",
clama o povo embevecido
e o Lemos, enfurecido,
faz as malas e "se manda".
O lugarejo desanda
com o trio convencido.

As moçoilas inocentes
lhes pedem sextilha ou trova
pondo os 3 brutos à prova,
que arranham cordas rangentes
das violas indigentes.
Explode a população
em ruidosa mangação
a insultar o RIBEIRO,
o Lio e o LEMOS primeiro...
que triste situação!

Vão de cidade em cidade
os 3 patetas da Rima,
enfrentando fome e clima...
quanta infelicidade!
Eu aconselho à "trindade":
-- "Não podem viver assim...
pr'aprender venham a mim"!
E os poetas, tão ralés,
caem chorando a meus pés.
(Tiver'os 3 triste fim!)
"NATO" AZEVEDO
*****************************

Aos AMIGOS da Arena Virtual:
como eu disse -- e ninguém prestou atenção -- sou apenas um leitor (ou ouvinte) assíduo de literatura de cordel e dos cantadores e repentistas. Esse meu arroubo "poético" exposto nessas páginas foi um raro momento a que me dei o prazer de versejar, duelando (ou quase isso!) com "feras" da poemática cabloca.
Quando a vontade voltar volto a visitá-los e. com meu canivete quebrado, a desafiar suas peixeiras reluzentes. Mas, continuarei "aqui da janela" a observá-los.


Sobre a obra

Cordel e Repente são duas vertentes da mesma fonte de Poesia viva, oa CANTADORES e os repentistas. Nesse presunçoso texto tento chegar próximo da magnífica obra dos genuínos autores desses estilos de poesia popular, expondo aqui um desafio do qual participei recentemente.

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"NATO" AZEVEDO
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