Crônicas de meio-dia ruim

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poetética patética · Cuiabá, MT
17/3/2006 · 55 · 1
 

Acordando atrasada, o que não era muito rotineiro, tropeçando nas roupas jogadas consigo pisar em cima do que me afligia aos berros. Meu celular!
Sem muito tempo para choramingar a perda fui logo parar embaixo da minha dose diária de compreensão. Ãgua fria, espuma, barulhinho de fonte, não era exatamente a cachoeira que aparecia quando fechava os olhos, no entanto a minha velha ducha fazia um bom serviço. Esse é um dos poucos momentos que fico só, embora more só estou sempre acompanhada de multidões que povoam meu pensamentos, acho que eles ou não gostam de acordar cedo ou não gostam de água fria.
Num surto narcisista passo tanto tempo envolta em mim que esqueço do horário avançado que havia sido esmagado no caminho. Mais uma correria. Calça branca ou preta? Preta. Blusa preta ou cinza? Preta. Blazer branco ou preto? Hummm.. vejamos...Preto. Ok, vou para mais um luto, olhei no espelho e vi que era a viúva menos casada que conhecia.
Cadê meu gato?
- Tobias!!!!
Aparece um pompom branco embaixo da cama. Desgraçado, quando eu mais preciso ele se esconde, passei parte da noite em claro por frio nos pés e nem havia me tocado que sentira falta do meu macho. Tobias.
Café, leite, pão com manteiga e cigarro. Os três primeiros ficavam na fantasia que passava enquanto tirava o carro, o cigarro restava, ele sempre restava.
As multidões começavam a surgir, minha mãe me ligara no meio da noite e eu não me lembro metade do assunto falado, o vizinho que reclamava o fato do meu macho ter pulado a cerca, ou melhor, o muro, e copulado com a sua princesinha que agora soltava gatinhos um atrás do outro sem parar, 8 no total, gata vadia, querendo divisão de bens e conta conjunta em ração. A pequinês humana já assola raças intermediárias da evolução. Eu lá tenho culpa se aquela gata queria dar! Soltava cheiros e mais cheiros em cima do meu muro, ficava ronronando sem parar, o Tobias não é castrado nem nada, pena não ter como dar aulas de educação sexual para essa espécie.
A multidão some, a porta se abre. O ar frio daquela sala ainda acaba comigo, minha mesa como sempre a mais desorganizada. Uso a mesma frase que usava com a minha mãe durante minha adolescência. Minhas ações devem seguir a ordem e tempo das minhas idéias. Muitas idéias, muitas ações, muita bagunça. Traço lógico e claro.
Começo de dia, 1 destruição, má alimentação e ações judiciais já recaiam sobre mim. O que mais me aguardava. Caramba! O que será que minha mãe me falou durante a madrugada?
Acho que prefiro saber amanhã, minha cota de ações adversas à tranqüilidade do meu dia já ultrapassava a marca pré-determinada pelo meu analista. Encerra-se assim o começo de mais uma rotina.

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informações

Autoria
Bárbara de Araujo Ferlin
Ficha técnica
pseudo-critica-analista em fase de construção

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marcio rufino
 

Maravilhosa crônica!!!

marcio rufino · Belford Roxo, RJ 20/8/2007 16:35
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