Cultura Punk

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Ro Dover · Ribeirão Preto, SP
26/11/2009 · 0 · 0
 

Marilia Saveri e Rosane Dover


Lutar por um mundo mais justo e igualitário. Quantos movimentos já não surgiram com esse ideal? Na música, nas artes, na política, na sociedade, a realidade é a mesma: a indignação com o mundo em que vivemos supera gerações e sempre reaparece, cada vez com mais criatividade e inovação.

O movimento punk no Brasil, que teve o fim dos anos 70 como palco para seu surgimento, ainda sobrevive até os dias de hoje, mas com desdobramentos diferentes. A cultura punk ainda continua, em grande parte, com as características básicas, como o princípio de autonomia do “faça você mesmo”, o cuidado com a aparência agressiva e o sarcasmo. Expressões lingüísticas, a moda, o estilo musical, o cinema, a poesia, são algumas ferramentas usadas pelos punks para destacar suas opiniões.

Entre as manifestações mais comuns está a subversão à cultura tradicional e aos costumes da sociedade. Tais posturas, algumas vezes, são responsáveis por constantes conflitos, como ações violentas e criação de gangues de rua. Em São Paulo, por exemplo, há, atualmente, dez facções. Por outro lado, as agitações também dão origem a novas alternativas culturais, festivais e criação de meios de comunicação como revistas e fóruns.

“Ser jovem sem um mínimo de estrutura leva a indignação, daí todo o sistema de reivindicação por uma sociedade igualitária, mesmos direitos e deveres para todos”, diz o pesquisador e professor Jefferson Barcellos.

O movimento surgiu no Brasil em meio à repressão causada pelo governo militar, primeiro em Brasília e depois em São Paulo, onde teve maior expressão. Na capital paulista, a cultura punk surgiu na Zona Oeste, com a turma roqueira da Vila Carolina, influenciados por bandas de protesto como MC5, The Stooges, depois Sex Pistols, The Clash, The Exploited, GBH. Inspirados no espírito inovador importado de outros países de que “qualquer um pode montar uma banda”, o pessoal da Vila Carolina deu origem à primeira banda punk do Brasil: Restos de Nada.

Os músicos da banda aderiram ao movimento e buscava, a exemplo de muitos países, transformar seus ideais em atitudes contra o status quo imposto pelo regime militar. Com um diferencial revolucionário nas composições e no som, a primeira banda punk brasileira deixou um grande legado as que surgiriam posteriormente. O grupo se dissolveu em 1980. Depois surgiram outros grupos de destaques como Cólera, Inocentes, Ratos de Porão, Lixomania, sendo que a maioria continua na ativa.

“O movimento e a música punk nasceram juntos. Uma coisa representa a outra. E grande parte dos movimentos que unem vestimenta e música teve, sobretudo no século 20, a juventude como catalisadora e principal divulgadora. Afinal é a fase em que se solidificam personalidades”, explica Barcellos.

O pesquisador salienta que, num primeiro momento, o movimento era puramente estético e sonoro. Com o começo da década de 80, passou por transformações políticas. E surgiu, então, um ideário político. “Hoje esse atrelamento é que faz com que o movimento sempre reapareça”, diz.



Estilo punk de ser

Depois da música, o visual é o fator mais evidente na cultura punk – eles não utilizam o termo moda, que está relacionado à aceitação social. Na maioria das vezes, usam corte de cabelo moicano, mensagens inscritas nas costas, jaquetas de couro, calças pretas justas, correntes, alfinetes.

“O visual tem a ver com a idéia de uma distopia, mostrar que a sociedade está doente e representá-la através desse visual. É usar o não usual como construção de uma identidade visual. Mas existe uma tendência forte em abandonar essa questão visual e centrar esforços na questão do discurso”, afirma Jefferson Barcellos.

O estilo, o gosto por algumas bandas, a aversão à política atual, são algumas das características que dão identidade ao movimento, e que ainda permanecem.

Quanto às outras ideologias, no início o movimento punk se caracterizava como apolítico, depois de aproximou do anarquismo, hoje se fala em anarcopunk – cada país com suas particularidades. Mas de forma geral, os punks ainda se opõem á mídia, ao Estado, às religiões e às corporações capitalistas.

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