“Das lembranças â€
Após passar a barreira dos quarenta anos, um fenômeno, diria nostálgico, começou a ocorrer comigo.
A lembrança da minha primeira professora, que era mãe da segunda professora, que morrera cedo, vÃtima de câncer.
Naquela época o câncer matava muito, não era combatido como hoje é, com quimioterapia e o mais importante: com prevenção. Ele derrubava mesmo o camarada. Era comum ouvirmos a expressão “Fulano está desenganado !!!!â€.
A morte levara minhas mestras. As criaturas que foram responsáveis pela minha educação e transição pessoal da total ignorância ao limitado conhecimento que hoje possuo. Foram minhas primeiras amigas fora de casa cujo desaparecimento comoveu-me muito. Foi um dos meus primeiros contatos com as perdas de entes queridos...
Hoje, com a evolução da Medicina, dificilmente alguém morre de câncer.
Essa nostalgia seletiva que permite uma riqueza de detalhes nas nossas lembranças, fez-me voltar à mente o perÃodo em que vivÃamos em Santos, vizinhos do Pelé, que naquela época era um mero jogador do Santos.
O futebol de então, não possuÃa essa caracterÃstica que tem hoje, onde os jogadores são derrubados ou mesmo se jogam para cavar um pênalti e fazer um gol. Gol que não fazem dado à quantidade de pênaltis mal cobrados .
O Pelé não era desses. Quando ele pegava na bola, vindo lá do meio do campo, era como se fosse um soldado eliminando seus inimigos. Todo gol que ele fazia, eram frutos de maravilhosas jogadas que lhe renderam o tÃtulo de Rei do futebol, conquistados depois de lances que tornaram-se inesquecÃveis.
E não como hoje, quando os jogadores ficam aguardando na grande área, para receberem a bola, marcando tentos covardes, correndo ainda o risco de impedimento...
Lembrei-me do Pelé. E as lembranças continuam a ocorrer. Cada vez mais detalhadas e precisas. A tia que adorávamos, os primos perversos e a docilidade de nossos avós.
Com a minha mãe foram as dos muitos filmes que fomos assistir num centro muito diferente do que é hoje: basicamente um ninho de marginais e prostitutas!
Naquele tempo havia uma confeitaria e doceira chamada “A Vienense†e eu jamais esquecerei do doce sabor de suas guloseimas e do acesso por elevador nos quais tÃnhamos de entregar-nos a um ascensorista, aquele papudo miserável !
Onde estarão os vendedores de biscoito de polvilho e biju na praia. Estarão junto dos amoladores de facas com aquelas suas irritantes gaitas ?
Todos estão juntos e povoam os meus sonhos, enriquecem meu sono, me convencendo que a vida vale a pena ser bem vivida !
© by alcanu
Todos estão juntos e povoam os meus sonhos, enriquecem meu sono, me convencendo que a vida vale a pena ser bem vivida !.
Que belo texto, Alcanu! Depois dos 40 a nostalgia aparece mesmo... E é difÃcicl lidar com ela. Mas aprendemos.
Abrçs.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!