DRUGS HOLIDAYS

Luiz Antonio Cavalheiro
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Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ
23/12/2007 · 80 · 0
 


3... 2... 1. Adriano disse que definitivamente não abriria a porta. Não adiantava mesmo bater, socar, gritar Adriano, abre a porta! Adriano, abre a porta! E esmurrar e socar até doer os punhos. Ele não ia abrir. Estava decidido. Que todos fossem embora dali. Deixassem-no em paz. Paz. Disseram que iam chamar o corpo de bombeiros. O que vocês vão alegar, afinal? Ah... um homem de quarenta anos não quer abrir a porta de sua própria casa para a irmã e o cunhado!? Sei. Tentem essa justificativa. Talvez eles venham com as sirenes ligadas e tudo. Ora, vão embora daqui! Não vou abrir porta nenhuma. Nem agora e nem enquanto eu não acabar... Acabar o quê, Adriano? O que estou fazendo. É tudo. Estou fazendo algo e não vou abrir a porta. Enquanto tento convencê-los a irem embora daqui, atraso-me e perco minha criatividade. E tenho que construir. Armar. Juntar. Recortar. Colar. Tudo isso. Mas não quero ajuda e ninguém pode dar conta do que resolvi dar formas e fôlego. Formas e fôlego. Assim mesmo. Vou soprar-lhe nas enormes narinas depois que executar o meu trabalho e então a minha obra há de viver. Depois posso abrir a porta. Aí, vocês podem entrar já que querem tanto. Terão coragem? Só que hoje não! Vai demorar uns dias. Por isso vão embora daqui! Mas Adriano, você já está faltando serviço há três dias... está doente? Está doente? Não. Então por que falta? O seu chefe disse que... estou de férias. Férias? Férias. Drugs holidays. Diga isso a ele. Será que vocês entendem? Será que ele entende? O médico disse. Sabem o que é isso? Ora, pesquisem! Vocês não sabem nada de mim. Drugs holidays. Desde anteontem. Tenho o direito. E não abro a porta. E não atendo vocês. E não vou ao serviço. E não durmo. E não almoço e nem janto. Vou fazer só o que eu quiser. Na hora em que eu entender. Estou comunicando a vocês e a ele também. Sem celular. Sem internet. Sem telefone. E já aviso: Não estou louco. Processo qualquer um que venha tentar invadir a minha privacidade. Fico rico à custa de irmã, mãe, cunhado, amigo, chefe e mais o raio-que-os-parta! Ai... pela última vez, sumam daqui, por favor!

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