Evadiu-se da cama sem fôlego e enfiou a cabeça para dentro da pia. Vomitou sem parar. Lavou a cara. Enxugou o cabelo suado. Perguntou-se diante do espelho testemunha se ele realmente era feliz. Abriu um imenso sorriso e por um momento sentiu o prazer da intensa felicidade. Era um sujeito bem sucedido na vida, tinha uma ótima esposa infiel e nem por isso se sentia um pouco infeliz. Jogou água fria no corpo, em seguida tomou outro banho. De perfume. Queria cair nos braços de sua mulher. Saiu à s pressas do banheiro e caminhou até a cama. Ao acender a luz do abajur, deu de cara com um ambiente cubista, um quadro de deixar, até os mais fodões, completamente perturbados. Havia uma mulher retalhada e quase submersa por uma poça de sangue. Serviço digno de um puta açougueiro com Mal de Parkinson. O pensamento interrompido, um silêncio cinzento bem dentro da mente de um ingênuo marido, que estancou de medo da imagem bizarra que encontrou pela frente. O inquietante instante seguido levou um pouco mais que uma eternidade, afinal de contas, não entendia o que havia ocorrido ali. Uma jovem morta, pelada. E um quarto vermelho, do teto ao chão. A dúvida lhe tirou o sossego. Começou a lembra-se vagamente, e só alguns flashs foram o suficiente para convencê-lo do homicÃdio que acabara de cometer. Pegou o terçado cravado no peito do presunto e rompeu a sua jugular com apenas uma lapada. Caiu ao lado da cama. E sangrou até secar.
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