ERA UMA VEZ O ANO DE 1991 PARTE II

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odracir sotnas · Vitória da Conquista, BA
19/3/2007 · 22 · 0
 

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Ela usava um short jeans bem curto e uma blusa branca com alcinhas. E que coxas. Que cabelo. Que peitos. Que cintura. Que boca. Que buchechas. Que sobrancelhas. E à medida que ela se aproximava, seus olhos verdes brilhavam cada vez mais. Ele estava indo para o banheiro quando ela surgiu da cozinha e o encontrou no corredor. Em seguida, ela entrou no quarto dela e fechou a porta. De onde tinha saído aquela beldade?, ele quis saber. Quantos anos ela tinha, 15, 16? (15, ele soube depois). No momento, tudo para ele se deu em câmera lenta. Inclusive, seu raciocínio. Ele nunca teve dúvidas que se comportou como um idiota. E ainda naquela noite, já em casa, ele percebeu que a coisa foi menos mágica do que supunha. Quando surgiu da cozinha, ela carregava um prato com pedaços de bolo. Ela estava séria. Mesmo assim, disse “boa noiteâ€. Em resposta, ele apenas balançou levemente a cabeça. Tudo foi muito rápido, na verdade. Ela estava meio que correndo. E, de costas, fechou a porta do quarto.

O banho frio fez bem a Ulisses. Baixou sua temperatura. Quando voltou para o quarto, Alex reclamou da demora. “Tava batendo uma punhetinha?†Ulisses mostrou o dedo pra ele. Os dois aceitaram os biscoitos recheados e o suco oferecidos por dona Ana. Depois Ulisses ligou para o pai ir buscá-lo, como combinado. Alex iria pegar a carona.

Bruno contaria a Ulisses, quando eles já tinham dezesseis anos e deram uma fugidinha de uma festa para fumar um baseado, que “foi no primeiro dia que você apareceu lá em casa, culpa do Alex, que eu soube o motivo de seu apelido ser Jimmyâ€. Alex revelou que, na 5a série, numa peça do colégio sobre a vida de Cristo, na época de Natal, Ulisses tinha feito o papel de um dos reis magos. “Ele parecia mais o Jimmy Cliff. Preto, com aquela roupa toda verde e o chapeuzinho de pele de onça. Foi hilário!†Restou a Ulisses dizer que ficou com uma raiva desgraçada da professora de Religião, que o convenceu a participar daquela merda, de tia Zezé, irmã de sua mãe, que fez a roupa, e dele mesmo, que foi covarde o bastante para não cair fora da armadilha.


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Ricardo Santos é soteropolitano, estuda jornalismo e atualmente mora em Vitória da Conquista (BA)
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