minhas sandálias procuram novas sendas. passagens para fora. somente viagem, voragem. caminho rumo ao sul e a cidade comendo meus ossos deixa recados na medula. poros, peles, plantas. as sementes saciam a boca aberta do futuro. é quando o vento dorme sob a sombra de uma árvore e eu cochilo na calçada de tuas orelhas. chuva, neve, nuvens me protegem de deus. o menino sem nome avança sobre o carro e arranca meu cabelos. não tenho relógios pra riscar memórias. minhas nudez é lúcida e infantil. é dentro do verde que me escondo. procuro bicicletas brancas e as moedas da língua universal. o estrangeiro é meu espelho. paisagens pousam em mim. tenho a alma limpa e amanheço. a estrada me comove e me leva junto com os lírios.
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