Há algum tempo atrás um outdoor do provedor Terra mostrava a figura de uma mulher com um notebook e de um ET com uma pilha de álbuns fotográficos. À primeira vista era possível enxergar um computador contra uma pilha de livros. à "segunda" vista, uma cara feliz (mulher) contra uma desnorteada (ET). E somente à "terceira" vista descobríamos, através da imagem escrita, que se tratava de álbuns e não da vitória do computador sobre o livro. Como estamos falando de outdoor, e da velocidade com que passamos por eles, muitos talvez não puderam chegar à "terceira" vista.
A velocidade está nas ruas, no cinema, online, nas conversas de bar, nos amores. Mas também estava nas grandes navegações portuguesas, no iluminismo europeu, na industrialização mundial e está na globalização. Onde hoje, talvez, o diferencial seja a comunicação em tempo real e a informação, incluindo seus excessos.
Como indivíduos, não é difícil extraírmos fragmentos de idéias, conceitos e colocações ou flashes que nos façam navegar pelo moderno. Trocamos e-mails, lemos o noticiário online, às vezes esperando que o resultado de um jogo saia antes de o juiz apitar o final da partida. E tudo isso fazemos com o pensamento voltado para o resto do mundo que nos cerca e que está em velocidade nem sempre constante.
Célia Aparecida Ferreira Tolentino, em Dilemas da Era Fáustica, faz um apanhado de concepções de pensadores da modernidade onde o seguinte trecho de uma análise sobre o filme "Até o fim do mundo", de Win Wenders, pode resumir um dos maiores dilemas modernos:
"O indivíduo da nova era: em crise de identidade e localização, saturado da informação, da imagem e do deslocamento veloz do tempo e do espaço na nova máquina da sociedade global do capitalismo radical."
Será esse o indivíduo pós-moderno que, vindo de uma modernidade que não concretizou seus princípios sociais de progresso técnico e científico, cedeu lugar ao banal e cotidiano, à comunicação frenética e ao tecnologismo desenfreado, à memória imediata e à fragmentação, aos bandos e às tribos, tudo voltado para o já, o agora, o presente?
Ou será o indivíduo utópico que, no decorrer dos tempos modernos, precisa distinguir informação de conhecimento, incitando a problemática do sujeito e seu lugar na história?
As apresentações de modernidade e pós-modernidade são polêmicas, mas não menos que as do indivíduo no mundo moderno. Como este ainda poderia ser repensado? Preocupado com as novas formas de sociabilidade na sociedade pós-moderna ou centrado na potencialidade política transformadora dos homens?
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!