Se um dia eu for me matar irei procurar um jeito prático e menos doloroso. Mas como? Quem sabe uma overdose de Faustão-Silvio Santos-Luciano Huck-Lenine e Gilberto Gil. E o que mais? Os vendedores da TV Polishop ou os anúncios das Casas Bahia. O cinema-romance do espertalhão Marçal Aquino.
Overdoses de Lenine e Otto, umas crônicas da Fernanda Takay pra fechar a conta. Argh...
Pensando bem, acho melhor comer soda cáustica mastigando lentamente os pedacinhos como tira-gosto, acompanhados de algum uisquinho vagabundo.
Só mesmo um Piazzolla pra me tirar dessa lama.
Eu aos nove anos dançando com Lucy, pedindo pra namorar e por isso provando o veneno dos meus “melhores amigosâ€. Uma fimose cicatrizada.
As paixões mal encarnadas, suicidadas na alma.
Até hoje choro ouvindo essas baladas dos meus nove anos, rostos colados e a penumbra de um quartinho distante. E o resto de uma esperança que seria finalmente sepultada aos meus dezesseis anos. Outra cirurgia no pau, pra ser mais preciso, nos escrotos. Assim, cortei o mal pela raiz do saco.
Minha cafonice incurável e recorrente.
Minhas paixões pelas balconistas de padarias. As taras incorrigÃveis nas ruas e dentro dos ônibus. Uma cena do filme A Dama do Lotação. Perdi a conta das punhetas pra Sônia Braaaaaaaaaga...
Às vezes sonho que estou tocando um bandoneón à Piazzolla, ou melhor, sonho que sou o próprio compositor argentino em carne, osso e milonga. Adiós Nonino.
Eu continuo sendo aquele menino aborrecido que pediu Lucy pra namorar em um quartinho escuro, o mesmo que até hoje me assombra, ao som de Making Love out of nothing at all. E cada dia mais aborrecido, achando tudo abominável, o Jornal Nacional, as canções do Lenine ou as cafajestagens do Fernando Meireles. Sempre irritado com os malditos vendedores da TV Polishop. Ou os palpites do Gil-Caetano-Buarque-Galvão-Lula e o escambau. Só mesmo o Carlos Careqa pra me tirar dessa lama. Não de pipoca aos turistas.
Eu continuo sendo aquele menino aborrecido que pediu Lucy pra namorar em um quartinho escuro, o mesmo que até hoje me assombra, ao som de Making Love out of nothing at all. E cada dia mais aborrecido, achando tudo abominável, o Jornal Nacional, as canções do Lenine ou as cafajestagens do Fernando Meireles. Sempre irritado com os malditos vendedores da TV Polishop. Ou os palpites do Gil-Caetano-Buarque-Galvão-Lula e o escambau.
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