Mercado do Sexo no Rio - Uma noite em Copacabana

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Fabiana Campos · Rio de Janeiro, RJ
4/5/2014 · 1 · 0
 

Perambulo pelas ruas de Copacabana, bairro internacionalmente famoso do Rio de Janeiro, princesinha do mar,
eternizada por diversas canções e poemas, Copacabana durante o dia tem uma face, onde podemos constatar uma
das maiores densidades demográficas do mundo e a maior concentração de população idosa do brasil, mais é à noite
que Copacabana se transforma da princesinha do mar para a loiraça Exocet da música de Fausto Fawcett, não à toa
morador do bairro e onde reconhecidamente se inspirou em diversas letras.

Sob o cheiro de maresia vago pelo bairro para fazer uma reportagem para um site, sobre o sexo pago no Rio de Janeiro, não poderia
estar em lugar mais apropriado, visto que desde a minha adolescência aqui no Rio, sei que ali é o point das garotas
de programa do Rio, passo de carro pela avenida Atlântica e o relógio marca 00:00 hora, já vejo as "meninas" vestidas
à caráter atrás de seus clientes, passando devagar elas já te olham em grupos de 3-4 garotas, parando o carro logo
uma delas se encosta e faz a clássica pergunta - Quer uma companhia para hoje a noite ? eu pergunto o preço, ela
responde 300,00 reais 1 hora, 500,00 - 2 horas. A profusão de garotas de programa ao longo da orla é enorme, paro
em um famoso bar local, de frente para a praia, reconhecidamente um ponto de encontro das Acompanhantes no Rio de Janeiro,
à proporção de Acompanhantes femininas e homens é de 4 para 1, à clientela é variada, do Turista estrangeiro ao próprio
carioca da zona sul, acompanhando de uma assistente do sexo feminino disfarçada com uma indefectível peruca (para não ser reconhecida "naquele local"),
abordamos as Acompanhantes para a nossa reportagem, uma delas nos fala, "Não tenho tempo, tenho que arranjar o meu primeiro cliente".

O nível sócio-cultural das Acompanhantes vária muito, desde mulheres universitárias fluentes em 2-3 idiomas até mulheres que
mal falam corretamente o português, desde meninas de 18-20-22 anos até as que estão a anos na profissão com 40-45 anos, converso
com uma, o nome dela é CHINTIA, com certeza não é o nome verdadeiro e sim o nome de guerra, ela tem 31 anos, loira e com uma
forma fisica exuberante, ela me fala que mora na baixada fluminense e vai toda noite para naquele local, já morou em 3 países
Europeus, pergunto quais, ela reponde: Espanha, Itália e Suiça, e fala que é fluente em Espanhol, Italiano e Francês, ela
cobra entre 300,00 e 600,oo reais à hora dependendo do cliente... se for gringo cobro mais, diz ela. Pergunto qual o seu rendimento
mensal: - Faturo entre 6 e 10 mil por mês. E ela complementa, em um emprego dito "Formal" eu não ganharia nem 1 terço disso, pois
só fiz o segundo-grau, tenho filho e família para sustentar...

São 2 horas e eu e minha assistente partimos para as casas do ramo, os conhecidos "inferninhos", boates onde acontecem os encontros,
as garotas entram de graça até certa hora, e sempre que saem acompanhadas são obrigadas a deixar uma quantia para a casa, no meu tempo
de rapaz, não era assim, somente os homens pagavam para entrar, entrando vejo a boate meio vazia, é quinta-feira, um dia que deveria
estar cheio, indago ao velho garçom que esta lá desde os meus tempos de rapaz, eu o reconheci, ele não. - Por que esta meio vazio ?,
na minha época isso aqui pipocava na quinta, ele me responde que é a concorrência dos sites. Isso aliás eu não tinha parado para
pensar, hoje em dia com a internet, (no meu tempo não havia, ou tava bem no começo da internet) o cliente dessas garotas não se
dá mais ao trabalho de sair de casa em busca de sua presas "Acompanhantes, Garotas de programa, GPs" como são conhecidas, hoje
a maior parte das Acompanhantes e Acompanhantes de luxo do Rio que outrora frequentavam essas casas, migraram para os sites de Classificados de
Acompanhantes onde expões suas fotos, seus vídeos e seus dotes, sem se exporem na rua, a mesma coisa acontece com seus clientes
onde basta ligar para ter as suas garotas, não precisando pagar para entrar em Boates.

Bom, já são 5 da manhã já coletei os meus dados para a minha reportagem, resolvo dar uma passada na frente do primeiro bar,
de longe vejo o borburinho, ali, ninguém paga nada, só paga o que consumir, tá lotado e o agito ali deve ir até depois do amanhecer,
vejo a primeira garota que estava com pressa atrás do seu primeiro cliente, vejo-a entrando em um Táxi com um homem alto e loiro com
cara de estrangeiro, e imagino, deve ser o terceiro ou o quarto cliente daquela garota naquela noite de Copa...

Sobre a obra

Um texto-reportagem sobre um dos lados da vida noturna de Copacabana, famoso bairro do Rio de Janeiro.

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Fabiana Campos
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