Depois de muito tempo de espera, finalmente o véu da obscuridade
caiu. Foram 10 longos anos tentando encontrar respostas, muito tempo
de um silêncio que me consumiu, fechou portas, derramou lágrimas,
sangrou uma dor que parecia interminável. O desamor não é o mais cruel. Cruel é o silêncio, é ir-se embora sem dizer adeus, sem uma
palavra, sem um gesto qualquer, sem nenhuma daquelas frases, facas afiadas, que partem nosso mundo, mas que nos dão a oportunidade de reconstruí-lo,
ainda que lenta e vagarosamente. "Eu Não Te Amo Mais",
"Eu Te Amo Mas, Não é o Bastante", "Siga Seu Caminho Que, Junto ao Meu,
é Descaminho". Nada. Nem um gesto de dignidade, nem um traço de hombridade, nem um leve adeus, apenas um silêncio que propiciou, ainda
que inconscientemente, uma longa espera. Depois de tanto tempo eu descobri. Descobri que aquela pessoa que parecia tão verdadeira, tão sincera, autêntica, era
uma doce mentira. Mentira, deslealdade, descuido, descaso, desamor. A esse desamor desmedido e cruel quero hoje dizer que meu nome é VITÓRIA. A despeito do estado de coma, profundo, mortificante,
eu SOBREVIVI. A despeito do prejuízo emocional, que naão me permitiu, por tanto tempo, trilhar outros caminhos, estou aqui, tenho vida, tenho força,
tenho fé e, agora, tenho também amor, amor-próprio, alegria de viver, vontade de recomeçar. Rasguei as fotos, as cartas, toda lembrança
impressa que, teimava em ficar alé, aguardando uma resposta. Queimei
com o fogo que liberta, exorcizei, enfim, o fogo queimou a ilusão, acabou.
Meu nome é VITÓRIA por que eu segui, ainda que parte de mim tenha ficado parada naquela velha e empoeirada estação, metade de mim seguiu em frente. Encerra-se um caso de amor-desamor. Começa agora outra hostória. Ninguém mais vai ter que pagar essa conta. Rasguei as notas promissórias, as promessas, a imagem de um amor "perfeito", ainda que maculado pelo "talvez", pelo tempo perdido, por tudo que eu gostaria que tivesse sido, por tudo que eu sonhava que poderia ter sido. Recolho agora as cinzas, deixo o vento soprar e permito se esvairem até que não as veja mais pairando no ar. Não há mais ameaças de fantasmas rondando minha alma, recupero meu coração calmamente. Ainda
existe vida, ainda existe amor, em mim, por mim, para mim.
Meu nome é VITÓRIA, acima dos desamores, além dos desamores, hoje, agora e, para sempre, VITÓRIA.
Depois de 10 anos de espera, silenciosa e cruel, descobri por que o grande amor da minha vida virou as costas e foi embora, sem dizer adeus, deixando-me com uma aliança no dedo, e uma abismo no coração.
Renata Tum · Palmas, TO 18/3/2007 19:22Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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