Negros na Copa, brancos na sala

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Franklin Carvalho · Salvador, BA
27/6/2010 · 1 · 0
 

Um avião de lixo



Aquelas centenas de copos plásticos e envelopes de sanduíche distribuídos em cada vôo da aviação nacional vão parar no mesmo saco de lixo, o que já nos permite deduzir o seu fim: são sumariamente descartados sem nenhuma preocupação ambiental. Mandei e-mails para a Gol e para a Tam e perguntei “Esta é uma empresa suja?”. O gerente de Comunicação Corporativa Online da Gol respondeu que a empresa aderiu a um protocolo internacional de emissão de gases, com vistas à diminuição do efeito estufa, e desenvolveu o Escritório de Projetos Sustentáveis, para reduzir os impactos no meio ambiente. Segundo o gerente, a Gol tem planos para reciclagem nos escritórios e aeronaves. Já a Tam não respondeu nada, embora perguntada seguidas vezes. A TAM, aliás, nunca responde. A começar pelo comissário de bordo a quem primeiro indaguei sobre o assunto. “É uma boa pergunta, vou checar e já volto”. Até quando esperar?





Que suco



Ainda falando de reciclagem, a Tang (não confundir com Tam) está com uma campanha na TV ensinando as crianças a coletarem embalagens do refresco e enviarem para reaproveitamento. O pai ou a mãe dos meninos deve entrar no site www.preparoubebeufaz.com.br e baixar etiquetas para postagem gratuita. O material é reutilizado pela Terracycle (www.terracycle.com.br), uma empresa fundada em 2001 nos EUA e que chegou ao Brasil em 2009. Os produtos - mochilas cadernos e outros itens - são vendidos em grandes redes varejistas e, para grandes quantidades de material recolhido, é feita uma doação a uma entidade escolhida pelo remetente. A Terracycle também recolhe no Brasil embalagens da Pepsico (Ruffles e Doritos).





Longe de casa



Estive em Porto Velho (RO), a trabalho, num congresso de comunicação em uma faculdade que funcionava dentro de um shopping. Lembrei de Goiânia, onde um shopping abriga a rodoviária e um colégio particular. Como Goiânia, as avenidas são largas e tudo é organizado. As ruas de Porto velho são limpas como nós, de Salvador, nunca vemos aqui. Por falar em Salvador, eles também têm micareta, com direito a trio elétrico de André Lélis. Atrás do trio, as nativas vão de abadá, chapéu de cowboy, calça jeans e bota country com salto agulha. Não, não encontrei Gulliver por lá.





Negros na Copa, brancos na sala



Depois que acabam as reportagens sobre os jogos na África do Sul, a televisão brasileira volta ao seu normal, e aí só são vistos brancos no vídeo. Os comentaristas esportivos são brancos, a publicidade de cerveja, bancos e automóveis só têm brancos e as chamadas para novelas e seriados só têm brancos. O Apartheid só acabou lá, no outro continente. As novelas parecem feitas na Dinamarca, e depois lavadas com sabão Omo. Fica até parecendo que os brancos temem a concorrência. A propósito, o antropólogo Kabengele Munanga, professor da USP, já havia dito: “Se você for para as grandes universidades americanas, Harvard, Princeton, Standford, você vai encontrar mais negros professores do que no Brasil. Lá eles são mais racistas, ou eram mais racistas, mas como explicar tudo isso?”


Esquadros



Não há movimento ambientalista sério em Salvador, nem políticos sérios, nem nós somos sérios, se não enfrentarmos a destruição que as imobiliárias operam diuturnamente na Avenida Paralela. No lugar que havia mata restaram os shoppings, e a feiúra que os shoppings produzem: comerciários famélicos nas filas de ônibus, trocando vale-transportes por coxinhas, e consumidores assustados e tristes após as compras. E a devastação dando lugar a prédios horrorosos, sem sombra nem verde, gaiolas que servem apenas à especulação imobiliária. Tudo traçado com rigor. A Paralela é um projeto de favela.





Dê a preferência



Viajo porque preciso, volto porque te amo, filme de Karim Aïnouz (Madame Satã, O Céu de Sueli) e Marcelo Gomes (Cinema, aspirinas e urubus), é a primeira obra a ter como tema a transposição do Rio São Francisco. E um bom documentário sobre tipos humanos e lugares do sertão que nem nós, os sertanejos, conhecemos, já que esse universo - o sertão - é mesmo grande, e cheio de veredas. Além disso tudo, o filme é um divertido romance com direito a dor de corno e música idem. Enfim, um trabalho rico, atual e poético sobre as estradas e suas prostitutas.





Pensamento do Dia



Deus ajuda seu Madruga


Franklin Carvalho, jornalista

frankroo@hotmail.com

Sobre a obra

Uma pequena discussão sobre aviação e reciclagem no Brasil. Também sobre o racismo na TV Brasileira, que precisa se reciclar. Outras questões atuais vistas por um baiano

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Franklin Carvalho
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