Fevereiro. Debaixo do sol, nas ruas de Ipanema, na esquina da igreja de nossa senhora da paz, passava a banda de Ipanema, milhares de pessoas cantavam. A cena era emocionante. “Meu coração não sei porquê, bate feliz quando te vêâ€. “Bum, bum†soava os surdos. Próximo a mim, noto um casal jovem, lá pelos vinte e poucos, quase trinta, bem arrumados, ela vestia um vestido tipo chita, e ele bermuda, camiseta e tênis. Me pareciam gente simples, ali, felizes, aproveitando, cantando e dançando o carnaval de Ipanema. “E os meus olhos ficam sorrindo e pelas ruas vou te seguindoâ€. Milhares de pessoas passavam, todos delirantes, ébrios pela atmosfera de carnaval, álcool, canabinol e certamente outras substâncias. “Ah se tu soubesses como sou tão carinhoso e o tanto tanto que te queroâ€. Passam enfermeiras, travestis, padres, drag queens de carnaval e do ano todo, gente com muita roupa, gente com quase nenhuma roupa, negros, brancos, Ãndios, mulatos, cafusos, sararas, pardos, judeus, árabes, ruivos, loiros, todos juntos, felizes, cantando Pixinguinha. “Como é sicero o meu amor, e muito e muito que te quero†Ela está empolgadÃssima, ele também. De repente, ela sobe na grade da igreja, e começa a cantar alto, com o braço livre levantado para os céus. “E como é sincero meu amor, Eu sei que tu não fugirias mais de mim†Ao levantar os braços, seu vestido curto vai junto e vê-se sua calcinha branca de algodão. Mas ninguém está aÃ, é carnaval, e é carnaval no Rio de Janeiro. Da multidão, cantante, dançante, passante, surge um homem vestido de mulher, alto, “- Vem aqui gostosa!†se aproxima da jovem, vestida de chita, agitando seus braços para o alto, mostrando sua calcinha branca. Ela o recebe com simpatia, abraça-o também, pendurada na grade da igreja. â€Vem, vem, vem, veeeeeem, vem sentir o calor, dos lábios meus à procura dos teusâ€. Mas e o namorado? Ele observa a cena, um homem travestido de mulher, no meio do carnaval de Ipanema, começa a sarrar sua namorada, todos enlouquecidos pelo carnaval, pela alegria, pela festa, pelo tesão, que está quase palpável, suspenso no ar, entrando pelas narinas, roçando na pele, eriçando pêlos, endurecendo paus e grelos. “Vem me matar essa paixão que me devora o coraçãoâ€. O namorado vira-se em direção de sua namorada e seu amante travesti, e diz: “Gostosa é você, vem aquiâ€, e começa a passar a mão na bunda do cara, e este o recebe e ficam os três, ali, na maior sacanagem, junto à Igreja, no carnaval de Ipanema. “E só assim então, serei feliz, bem felizâ€
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