Já é primavera.
Mas eu continuo a existir no silêncio.
Num exílio permanente, onde a fonte é o meu desejo.
Ardo a espera do adeus.
Onde devo existir?
Se a matéria se faz presente quando a toco.
Posso ser quando me adentra.
Em mais uma noite paulistana.
Floresço mesmo assim, na poeira.
Na morte de várias tardes de sol.
E paro como se nunca tivesse ouvido.
Tua alegria de um dia só.
Para a estréia de mais uma estação.
Escrevo-te o fim, sem saber o meio.
Na ânsia de mais.
Dou nada, certa de que isto é tudo.
O nada, ele é seguro.
Tão certo de não ser.
Eu existo?
Ele existe.
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