O pretencioso "projeto" de cordel abaixo nasceu em 1988, com o tÃtulo de O INFERNO DA CASA PRÓPRIA, motivado por um concurso promovido pela SECULT de Belém.
Na época minha famÃlia estava à s voltas com um problema de moradia no bairro Cidade Nova 4, em Ananindeua, municÃpio vizinho à capital do Pará. Resumindo, vivÃamos numa pequena casa (de 7 x 4 metros) apelidada de "unidade sanitária" pela estatal de habitação local -- penso que a denominação surgiu tendo por base os banheiros, vulgo sanitários -- cujo proprietário morava em outro Estado e a deixara para um amigo alugar e lhe reenviar o valor pago pelos moradores dela.
Isso até que um hipershopping comprou na área mais de 30 casas e demoliu quase todas, inclusive a que nós morávamos. Fomos parar numa garagem (sem banheiro, água ou chuveiro) e de lá acabamos numa "invasão", espécie de favela comum no Norte do paÃs.
Do "cordel" original com 25 ou 26 estrofes diversas (entre quadras, sextilhas, décimas) e muito "veneno" nos versos sobrou apenas as 2 colunas iniciais... num amargo dia de julho ou agosto de 2009 ateei fogo aos sonhos e esperanças e virou cinzas um arquivo de 8 ou 9 cadernos (entre muitas outras coisas como fitas cassette e de video, fotos, cartas, posters, etc) contendo mais de 600 poemas e músicas, inclusive o texto original desse indignado cordel, do qual recupero hoje um pequeno trecho e o complemento com duas novas estrofes, nascida "a fórceps" nos últimos dias.
CINCINATO PALMAS AZEVEDO
(Ananindeua, PARÃ)
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O INFERNO DA CASA (im)PRÓPRIA
A verdade é que o sonho brasileiro
é ter uma casinha prá morar,
prá depois já velhinho descansar
co'os netinhos ao lado, o dia inteiro.
Garantir prá famÃlia um terreiro
cheio de flores, num belo jardim,
com árvores e sombra, tudo, enfim
é sonho que anima as nossas vidas.
Não se dá a esperança por perdida,
desde quando se nasce, até o fim!
Entra ano, sai ano e não tem jeito...
vai o pobre sempre sendo iludido,
não adianta procurar Partido,
ir atrás de deputado ou prefeito.
Nessa briga não tem certo nem direito,
cada qual vai por si e sem ajuda...
a coisa é feia e é um "Deus nos acuda",
pois só rico é que sai na dianteira.
Contando até parece brincadeira...
no entanto é história cabeluda.
Faz o Governo imensa propaganda,
gasta a verba do povo e ilude a massa.
Podia dar a casa até de graça,
mas só vende bem caro e nada anda.
A esperança do pobre só desanda!
C'uma mão êle dá, co'a outra tira!
Se o Banco da Nação é só mentira,
já a danação do povo é verdadeira
e o sonho permanece a vida inteira,
de avô passa prá neto e os inspira.
O Banco incentiva a poupança,
sugando a economia da famÃlia.
Tempos depois leva toda mobÃlia
se na paga de um mês houver tardança.
Expusa a famÃlia, faz a mudança
e retoma outra vez a mesma casa.
O sonho de milhões o Banco arrasa!
Torra a verba em Leilões e ninguém sabe
prá que serve, no Brasil, a COHAB...
que faz mais propaganda do que casa!
"NATO" AZEVEDO
(Pará -- junho/julho 2010)
Em tempos de eleição retorna novamente aos palanques e discursos O SONHO DA CASA PRÓPRIA... a verdade é que o que Banxos oficiais gastam apenas EM PROPAGANDA daria para dar casa DE GRAÇA para a população do Brasil inteiro. Esse minicordel de 4 estrofes fala disso!
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