Pátria Amada, Brasil! (do melhoral ao estomazil)

JBDrummond
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João Drummond · Sete Lagoas, MG
11/5/2013 · 0 · 0
 

Vivemos um tempo de poucas certezas, muitas dúvidas e milhares de polemicas. Já me vangloriei um dia de ter aquela velha opinião formada sobre tudo, mas me lembro também de ter dito em outra oportunidade, que preferia ser uma metamorfose ambulante.
Hoje não sei mais. Está tudo tão estranho, diferente. Antigamente, se você tinha uma dor de cabeça, nada que um melhoral não resolvesse. Hoje, antes de tomar um comprimido banal, é preciso saber primeiro se é gripe ou dengue. Os sintomas são muitas vezes parecidos, e as duas podem matar.
Antigamente, crianças de 15 ou 16 anos jogavam bola nas ruas, hoje assaltam, estupram e matam. Não que eu seja saudosista, mas aqueles tempos me parecem, visto sob a ótica atual, mais simples e fáceis de serem vividos.
O padre ou pastor celebravam missas, dirigiam cultos, hoje arrecadam dinheiro dos fieis para sustentar seus vícios e regalias, isto sem falar na pedofilia.
O policial protegia a sociedade, prendia bandidos, promovia a lei e a ordem, hoje compete em gênero, numero e grau com a bandidagem, e pior resguardado pela farda e financiado com as verbas do contribuinte.
Político que se prezasse estava acima de qualquer suspeita e palavras como honra e ética tinha um significado real e factível, hoje não passam de clichês de campanha.
Temos que nos apressar e tomar posição sobre algumas questões polemicas como: maioridade penal, aborto, união homo, pena de morte, eutanásia, internação compulsória, progressão de pena, divórcio, descriminalização das drogas, cota racial, homofobia, liberdade de expressão, lei seca, etc.
Tá difícil. Não dá para simplesmente dizer “pare o mundo que eu quero descer”. Os ladrões de antigamente só roubavam e iam embora, já os de hoje roubam, estupram, matam e vão embora, tudo sob os olhares banais das câmeras eletrônicas. Sabem eles que diante de falta de vagas em presídios e da morosidade da justiça logo estarão de novo na ativa, principalmente se forem menores. O ideal e serem menores de idade, maiorais no crime e gigantes em maldade.
Até mesmo os juízes da suprema corte podem ser questionados pelos bandidos, bandoleiros e mensaleiros que eles condenam.
Todas as certezas caíram por terra, já que, como Einstein apregoava, “tudo é relativo”.
Ninguém mais assume responsabilidades por seus atos, uma vez que frases vazias como: sou inocente, não sabia, ou eu não estava lá, ganharam força de lei.
Antes o crime era uma exceção. Hoje, para não fugir à regra geral até na Internet a bandidagem come solta. É vírus que não acaba mais para todos os gostos e desgostos. Alguns e-mails chegam a ser ridiculamente repetitivos. Todo santo dia eu ganho milhares, milhões de dólares de falsas loterias internacionais, dezenas de adivinhos ou médiuns tem todas as respostas sobre o meu futuro. Isto sem que eu pergunte nada.
E-mails misteriosos chegam me oferecendo remédios para ejaculação precoce, ou falta de ereção. Falsas mensagens de bancos avisam que tenho que atualizar o dispositivo, ainda que eu não tenha e nunca tenha tido conta no tal banco.
A justiça, em sua cautela máxima como operadora do direito, exerce diuturnamente as maiores injustiças, já que arremessa para futuro incerto e desconhecido o ultimo bater do martelo. (haja recursos).
Temos duvidas se vivemos num estado democrático de direito ou numa terra de ninguém, sem lei e sem ordem. (Ordem e Progresso é nosso lema). É de embrulhar o estomago.
Ao fim de um dia de trabalho árduo, de ter pagado todos nossos impostos e de ter assimilado todas as informações que nós cidadãos temos por direto e dever, haja estomazil para engolir e digerir o que um dia foi uma Pátria Amada, e hoje não passa de simplesmente um país chamado Brasil, a terra em que se plantando tudo dá, e onde o crime cresce e floresce como erva daninha.

Sobre a obra

E-mails misteriosos chegam me oferecendo remédios para ejaculação precoce, ou falta de ereção. Falsas mensagens de bancos avisam que tenho que atualizar o dispositivo, ainda que eu não tenha e nunca tenha tido conta no tal banco.
A justiça, em sua cautela máxima como operadora do direito, exerce diuturnamente as maiores injustiças, já que arremessa para futuro incerto e desconhecido o ultimo bater do martelo. (haja recursos).

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João Drummond
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