Deve ter quase uma semana que eu terminei de ler esse livro, mas como andei conversando sobre ele com algumas pessoas dos grupos de leitura, resolvi escrever aqui [e pq não?] o que eu achei do livro...
Lolita, de Vladimir Nabokov
Foi uma tremenda luta terminar de ler esse livro... Lá pelos capítulos finais eu dei uma empacada... Não por culpa da leitura, que em muitos momentos pode ser cansativa, mas por preguiça mesmo... Coisa feia, tcs, tcs, tcs...
No começo da leitura, lembro-me de ter comentado com algumas pessoas que estava achando o livro “sujo, imundo” mas ao mesmo tempo fascinante.
É o tipo de leitura que você devora pela ansiedade, por querer saber o que vai acontecer, o que o personagem vai fazer...
E a narrativa do livro é muito rica em detalhes, descrições, cenários... [além de sarcástica, livre de pudores e suja] Faz o leitor visualizar exatamente o que o autor pretende passar.
Tantos detalhes, talvez tenham me cansado um pouco, mas isso porque eu sou meio afoita pelo próximo passo, próximo acontecimento... Muitas vezes tive que parar, refletir e ler novamente, quer fossem alguns parágrafos enoooooormes, ou alguma frase em francês difícil de interpretar pra quem não sabe francês... O legal é que com livros assim, a gente sempre aprende palavras novas, desconhecidas [e dá-lhe Aurélio ao lado]
Esse livro retrata uma mente perturbada, de um homem de meia idade, apaixonado por uma menina com idade para ser sua filha. Vergonhosamente, o leitor acaba torcendo por ele em alguns momentos, por notar a tortura interna e a eterna luta da mente de um homem totalmente obsessivo com o comportamente e com as artimanhas e atitudes de uma "ninfeta" nem um pouco ingênua.
Humbert Humbert é um homem culto, respeitado, mas que tem uma grande perversidade e obsessão por jovens, que um dia conhece a menina que mudaria radicalmente sua monótona vida e então se apaixona perdidamente por Lolita, uma menina de 12 anos.
O livro retrata um amor sem pré-conceitos de idade mas pisoteia qualquer regra de ética e bom senso e cospe na cara da sociedade por burlar essas regras de maneira tão sórdida.
Trata-se de um romance condenável e apaixonante. As atitudes do protagonista são muito pouco louváveis, até o ponto em que sufocam Lolita de ciúmes, exigências e superproteção.
O que obviamente só poderia acabar em tragédia!
Vemos claramente o personagem perder o juízo, a lógica, a razão...
Não busquei nenhum dado específico para falar desse livro a vocês, mesmo porque, não procurei saber nem mesmo para mim =D
Mas sei que foi um escândalo na época em que foi lançado, teve problemas com censura e coisas do gênero. O que é perfeitamente compreensível e aceitável, pelo teor do conteúdo [hohoho]
Finalizando, é um livro intrigante, envolvente e inteligente.
Eu até colocaria aqui alguns trechos, frases de efeito, partes que eu considerei brilhantes e outras desconcertantes, mas para não tirar a sedução natural da leitura e para despertar o interesse de vocês, deixo apenas esse relato superficial...
E espero que seja o suficiente para despertar vocês para esse romance de Vladimir Nabokov!
A edição brasileira do Lolita (ao menos as duas que eu tenho) tem uma entrevista fabulosa com o Nabokov no fim. Vale uma lida.
Também vale assistir, sobretudo depois de ler, o filme clássico do Kubrick, e, quem sabe para fins comparativos, a versão mais recente - que não é tão boa.
Eu, no meu site, tenho um trabalhinho que fiz nos primeiros anos da graduação analisando o Lolita segundo O Mal-Estar na Civilização freudiano.
Fiquei curioso com a sua menção ao "clube de leituras". Tenho uma vontade enorme de participar de um, embora não saiba se teria tempo. Como é que vocês se reúnem? :) (Ó eu, me convidando...)
Por fim, só um adendozinho. Acho que a imagem ficou bacana, mas você precisa citar o crédito do autor e ter autorização para postá-la. Você pode encontrar umas imagens legais e passíveis de publicação sob uma licença autoral Creative Commons - como a do Overmundo - aqui no Flickr. Vale uma olhada. Vale também burilar um pouco mais o texto para tirar esse ar de internetês ou dar um gancho de atualidade bacana, mas aí é uma questão mais subjetiva...
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