Seis microcontos urbanos contemporâneos, 13 páginas-inéditas, com abordagem psicológica-esquizóide em torno do tema "Personificação da Morte", com nuances subliminares de escatologia javista e teologia bÃblica inspirada no primeiro livro do Pentateuco.
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Leia alguns trechos:
[Conto1 - Criação e Queda]
"A cada meia hora, o sol se fortalece... E o corpo, em sua nudez vazia sobre o chão desmerecido pelos anos, morre, cada vez mais profundamente...
Um assassinato sem arma. Um cadáver sem alma. O relógio de pulso que haveria ali... Ambos parados há muito tempo: relógio e pulso...".
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[Conto 2 - O Dilúvio]
"A dança dos limpadores de pára-brisa... No rádio do carro, feliz ou infeliz coincidência, “Love Walked In†de Gershwin. O melhor a fazer agora é cerrar os olhos e saborear o momento...
(...)- Ele dormiu na direção. Eles trabalham mais de 12 horas seguidas. É o que dá! Sem marcas de derrapagem, apenas desviou e foi parar lá embaixo! A sorte é que estava sozinho!".
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[Conto 3 - Anúncio da Morte dos Primogênitos]
"Malditos cães que latem sem nos ver! Os galos anunciam o dia, antes mesmo de saber a luz. Chegará um dia em que os galos não cantarão e o silêncio anunciará o fim do amanhecer. Profecias que jogam os leigos ao chão em pânico e desespero e que enchem o coração de nós, Operários da Fortuna, de nostalgia e esperança.".
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[Conto 4 - Violação de Uma Virgem]
"Sempre, após a missa diária, o padre prolonga suas orações com o grupo de jovens noviças. Persistência e sacrifÃcio na adoração do Sagrado... Mentira! O padre quer as noviças; as noviças querem Jesus. Mas a culpa, a Santa Culpa, os resguarda sob a abóbada da moralidade e do temor de Deus. Seus desejos são fracos, quão forte é a carne. A medida que arregalam um dos olhos para espiar a nudez casta pelo buraco da fechadura, fecham o outro olho como se implorassem o perdão divino pelo desejo incontrolável.".
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[Conto 5 - A Tenda]
"Nada vence a corrente das Corporações. Nada. Nem mesmo os dezenove anos de servidão competente, assÃdua, pontual e disciplinada de Alberi, o ex-gerente. (...)
A amargura da vida, em certas horas, torna-se intragável. Alberi caminha pelo centro da cidade. Olhos ao chão, tudo o que consegue ver são passos alheios, ao som de motores, buzinas e anúncios de comerciantes informais. Como um mantra, Alberi repete para si mesmo: eu sou um monte de esterco; nós somos esterco; o mundo é uma latrina...
E, cabisbaixo, na multidão movediça, Alberi afunda-se para sumir no esquecimento..."
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[Conto 6 - Os Estranhos]
"Na sala vizinha, um chorinho... O Palhaço Alegria percebe uma criança que teve seu nariz extirpado por conta de um tumor. Então Alegria tira seu nariz de buzina e coloca na criança. E sente: aquela criança também está curada. Segundo milagre! (...)
Alegria ofendeu-se pela piranha da Ana Laura ser tão dissimulada. Confundia a morte com prazer; e prazer com amor."
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“O que escrevi, escrevi!â€
(Jo 19:19-22).
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