Silenciosos navios pairam em frente à praia. O cinza adormece no horizonte, tudo se prende ao nevoeiro azul, camas douradas, amadas, pentes e escorbuto. A onda, ainda instável refloresce a cada rocha, pétalas de espuma. Eis o mar, aquele que nunca dorme, aquele incriado, o deus branco, de sete mãos, de sete olhos, insensÃvel, anel dos tempos, sentido do mundo. Quantos anéis de ouro, quantos poemas odiosos, quantos sonhos de lua romântica e beijos submersos nos dias. O mar que assistiu nascer o céu, nascer o sul, nascer o tempo, o mar que permanecerá.
Lá chegaram os marinheiros. Doentes, frágeis, lutando contra as rochas, contra o cinza dos amores perdidos, contra a vida. Mor-rer: de viver no mar. Morrer é o mar. Quando tocam a terra, quando finalmente acordam, não há vida possÃvel.
Sonâmbulos de um sonho curto, mortos todos somos, já foi di-to.
Segue o palco frenético, da mesma matéria que os sonhos.
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