Os habitantes de Vinulosh, antigo reino oriental pré cimeriano, foram os primeiros a temer isso.
No tempo em que enormes montanhas de cristal melindravam o olhar de seus orgulhosos moradores, Juliaz Vinishd, famoso oráculo teve uma visão, após o contato com a planta sagrada, Binihuloghat.
“Eu vi povo de Vinulosh, o dia em que não haverá mais espaço para o agricultor plantar. Não haverá campos a serem arados. Todos os rios estarão cheios de banhistas. E nossa Pólis, não será mais composta por espaçadas torres, e sim por pequenos cúbiculos hiper lotados. Onde hoje vivem cem, amanhã terão de residir mil. Urge que sejão tomadas providências.”
Acontece que Juliaz Vinishd, tinha grande influência sobre o imperador rei daquela terra. Muito impressionado, o magnânimo Terezio Plumfadolic, soberano de toda a terra limítrofe ao Shangri-la, decidiu por bem convocar seu conselho de especialistas. “O que faremos quando não restar mais espaço em nossa terra?” Especialistas em vida, astros e minérios pensavam sem fim numa solução, porém resposta alguma cativava o caprichoso monarca.
Foi Sunesca, preferida entre as 700 ninfas esposas de Terezio, quem teve a idéia que ao imperador pareceu mais engenhosa:
“Amado sol de minha vida, se a razão de sua consternação é o desmedido aumento exponencial de nossa população, devemos restringir de alguma maneira essa crescente. Façamos assim: que seja proibida a a reprodução. Viverão os que já estão vivos, e que nosso reino não seja maculado pelo balbuciar da voz dos infantes. Ao invés de gastar tempo com cuidados aos nenéns, cuidemos de nossa diversão.”
Foi então realizado um grande holocausto, um tremendo morticínio de todas as crianças. Os velhos se sentiam vingados, pois pela primeira vez na história não seriam substituidos pelos mais jovens, e sabiam que teriam a primazia da vida.
Muito alegre todo o povo de Vinulosh ficou por vários centenários, por mais que pequenos fantasmas insistissem em incomodar as noites de esbórnia daquele povo. Mas no fim da vida de Juliaz Vinishd, o prófeta ébrio teve um profundo e sem fim suspirar. Durante mais de sete semanas, seu suspiro espalhava-se pela terra. Em sua cama, várias concumbinas e escravos, choravam pelo grande sábio. O próprio imperador Terezio foi até o ponto de seu martírio, e perguntou:
“Ó Juliaz, porque tanto suspira em seu momento de partida? Os fantasmas infantilizados e cabeçudos de nossas crianças esperam para levar-te. Então, por que retarda seu momento com esse profundo gemido?”
Respondeu Juliaz, não sem antes dar um grosso mugido.
“O querido amo, se soubesse mais cedo, o que concluí só nesse meu momento de partida, poderia ter feito minha parte. A morte de todas as crianças foi insuficiente. Ainda somos muitos. Todo o esforço do Estado deve ser dirigido a exterminação do homem. Enquanto formos mais que zero, seremos uma infinidade. Crie enquanto é tempo, o ministério da erradicação humana”.
E com esse conselho, esvaiu-se em vida Juliaz, o maior entre todos os grandes oráculos de Vinulosh. Suas unhas arranhavam o mármore de sua casa, enquanto ele era arrastado por diminutos diabretes. Seus incontáveis amantes pranteavam grande quantidade de água, que formavam pequenas ondas, jogando contra a parede seus precisoso móveis e objetos.
O imperador, que nunca foi um homem de grandes ponderações, acatou o úiltimo conselho de seu profeta. “Pois bem, que façamos a luta de homem contra o homem. E que nenhum apreciador da beleza, descanse enquanto houver um igual a lhe turvar a vista.”
E foi assim que Terezio Plumfadolic, primeiro imperador sol de Vinulosh, criou a guerra, com o intuito de reduzir a população humana de seu reino.
(continua)
A Nova Transa do Cafa Sorridente de hoje inicía a série de publicações de originais do Cafa Sorridente com:
Uma pequena parábola (Parte 1.)
relato oriental sobre a criação da humanidade.
Veja em:
http://cafasorridente.wordpress.com/2008/11/06/uma-pequena-parabola-parte-1/
Veja mais em: (com imagens e hiper links)
A NOVA TRANSA DO CAFA SORRIDENTE
CULTURA
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