Mandavam as ordens que fosse rápido e inflexÃvel. Subia a carroça com solavancos, o monte escarpado, vendo as imensas nuvens negras que se aproximavam. “Um terrÃvel lugar para morrerâ€, pensou padre Stevan. As rochas faziam a carroça saltar, e ele fechava os olhos tentando distrair-se do imenso abismo. “Falta pouco!†Gritava o gordo padre que a sua frente, estupidamente, demonstrava um sereno sorriso, suando e fedendo como um porco. “Não quero ser enterrado com esse animalâ€, pensou. Um solavanco, a cabeça no teto, “merda!†Gritou o cocheiro. O gordo e o cocheiro foram estrada abaixo. Tomado de um sinistro pânico, com a respiração alterada, tentava não olhar para baixo, e acalmar-se. Maldição, a noite chegará antes deles, os lobos estão à solta. Deveria ter ido com eles. Encostou-se por fim ao lado de uma rocha pontuda, tentando encobrir com sua capa um vento inoportuno que fincava os ossos. A roupa apertada – tinham de usar calças para evitar assaltos -trazia-lhe uma sensação de sufocamento. Distraiu seu pensamento com os relatórios, as normas, as avaliações que deveria fazer. Devia ser detalhista; julgar sem piedade; era a Sagrada Mãe. Um ruÃdo lhe fez saltar, acordando. “Senhor!“ “Está perdido senhor!†gritava uma estranha figura, envolta em um capuz negro. Por alguns instantes estremeceu, parecendo ter visto um filho dos infernos, um monstro. Acalmou-se e tentou falar baixo, desculpe, qual seu nome amigo, falou entrecortado. Yuleyev, o anão sombrio, disse a estranha figura sorrindo alegremente e tirando o capuz. “Meu nome é...â€, ia dizer Padre Stevan, mas subitamente não, não fazia sentido algum ser ou não ser coisa alguma naquele deserto de almas. “Stevanâ€, disse, abaixando a cabeça. O Anão sorriu mais uma vez e respondeu: “O senhor não devia ficar aqui essa hora... o sol cai e os lobos atacam... Ah, uma roda quebrou... Seus amigos foram...†sem deixar que respondesse continuou “eles vão demorar, deve vir comigo a minha cabana, no fim da estrada, no alto dessa colinaâ€. Uma sensação de desespero tomou conta dele. Decidiu empreender a marcha, enquanto seu coração e seu eu pareciam entretidos cada qual com alguma mórbida idéia. “Sou um mago, o senhor sabeâ€, foi lhe dizendo o anão. Morro aqui há tanto tempo que nem mais me lembro como vim aqui parar e riu profundamente. Stevan ia ficando calado, quase nem conseguia mais pensar. Chegaram por fim a uma cabana no meio de densas árvores, cheias de um capim peludo e onde um forte aroma de jasmins deixava-o enauseado. Uma massa negra avançou como um raio. “Esse é Lork, meu sócioâ€, um enorme cão negro veio dar a pata, mas Stevan viu antes um urso e pensou em gritar. O fogo, serviu-lhe um chá verde. “Serei envenenado, pensouâ€. “O Senhor vem de longe, posso ver pelos seu sapatosâ€, disse o homenzinho. Partiu o pão, deu um pedaço ao faminto viajante. “Moro sozinho aqui... muita pouca gente veio aqui...†e apontou um imenso machado que ao longe, pela força do fogo, parecia feito de alguma substância desconhecida, negra, ou talvez fosse apenas muito velho. Por um momento Stevan serenou, pensando, será por fim apenas um caçador, mas sua mente começou a deslizar, e o fogo pareceu soltar lâminas de cor azul. “Estou sendo envenenadoâ€, essa sensação foi tão forte que quis levantar, mas seus joelhos não obedeceram... O anão falava continuamente e na sua mente ele ouvia estórias de ninfas cinzentas, bruxas e sereias que se apossavam dos corpos dos homens, homens marcados para morrer e mortos vivos, mas nada disso parecia possÃvel. “Vou lhe contar outra estóriaâ€, disse o anão. “É de um homem chamado Jesus. Ele tinha um amigo de nome Josué, e um dia lhe disse, você, quando eu morrer, dirá que não me conhece; Josué riu e Jesus acabou morrendo assaltado por bandidos na estrada. (cont. no ar
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