Zíngaro

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Joana Joana · Fortaleza, CE
26/3/2006 · 53 · 0
 

Quando o querer é uma estrada que se abre no pensamento dando a destinos tantos; quando se deixam os pés pra trás, e a cabeça embala sempre trens que riscam novas paisagens; Quando há canção breve e vinho breve e sorriso breve e novo desejo já na memória presente, isso é ser zíngaro.

São veredas arteriais as que levam a novas paragens, novas e salivares sempre vivas, ventre e caminhar. São estradas antigas de pedra as veias que jazem na memória. São olhar sobre paragens semi-virgens, irretocadamente selvagens. Quando se é isso, se é Zíngaro.

Cavalgar o pensamento por terras e areia e riachos; sorver sumo de estranhas frutas de novos desejos nascidas; morder na carne do tempo o desejo do desconhecido; borboleta viajando por novas paragens é o pensamento; impregnar os extremos do corpor de desejo de novos extremos; saudade e descobrimento feito mar bravio no de-dentro:


Isso é ser zíngaro.

Crina de vento embaça olho da noite na noite da partida: Zíngaro. Des-para o peito alívio e desejo vivo nos músculos vividos: Zíngaro. Corpor é novo sabido e incompreendido a cada porto visitado: Zíngaro, zíngaro, zíngaro é o querer cigano.

Vá. Corre pelo mundo das veredas e portas invisíveis.

Se me deixares um beijo no porto das palavras, te escrevo no livro dos tempos.

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Autoria
Joana Soares Nóbrega Brandão

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