Quando o querer é uma estrada que se abre no pensamento dando a destinos tantos; quando se deixam os pés pra trás, e a cabeça embala sempre trens que riscam novas paisagens; Quando há canção breve e vinho breve e sorriso breve e novo desejo já na memória presente, isso é ser zÃngaro.
São veredas arteriais as que levam a novas paragens, novas e salivares sempre vivas, ventre e caminhar. São estradas antigas de pedra as veias que jazem na memória. São olhar sobre paragens semi-virgens, irretocadamente selvagens. Quando se é isso, se é ZÃngaro.
Cavalgar o pensamento por terras e areia e riachos; sorver sumo de estranhas frutas de novos desejos nascidas; morder na carne do tempo o desejo do desconhecido; borboleta viajando por novas paragens é o pensamento; impregnar os extremos do corpor de desejo de novos extremos; saudade e descobrimento feito mar bravio no de-dentro:
Isso é ser zÃngaro.
Crina de vento embaça olho da noite na noite da partida: ZÃngaro. Des-para o peito alÃvio e desejo vivo nos músculos vividos: ZÃngaro. Corpor é novo sabido e incompreendido a cada porto visitado: ZÃngaro, zÃngaro, zÃngaro é o querer cigano.
Vá. Corre pelo mundo das veredas e portas invisÃveis.
Se me deixares um beijo no porto das palavras, te escrevo no livro dos tempos.
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