Tempestuosa Depressagem

divulgação
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Roberta Mattoso · Rio de Janeiro, RJ
19/3/2018 · 0 · 0
 

O Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro apresenta nos dias 6 e 7 de abril, às 19h30, a Tempestuosa Depressagem. A performance artística retrata as nuances e desdobramentos da síndrome do pânico e da depressão em mulheres negras com foco na dificuldade que elas têm de assumir e admitir as subjetividades da saúde mental.

A depressão, o mal do século XXI, atinge todas as faixas populacionais, porém por conta de um racismo histórico e estrutural, estas subjetividades humanas foram negadas à população negra. Na performance, para além das próprias experiências corporais e psicológicas de quando foi acometida pela síndrome do pânico, a curadora e idealizadora do projeto, Flavia Souza, trará através de uma dramaturgia verbal e corporal, relatos próprios e de outras mulheres negras com experiências semelhantes.

A proposta é a de trazer à tona essa discussão e, ao mesmo tempo, poder humanizar esses sofrimentos a fim de que a problemática seja percebida por todos e como um alerta para aqueles que sofrem nesse momento com a doença para que procurem ajuda.


"Tempestuosa Depressagem é uma performance que dialoga com as vivências subjetivas do ser humano. Estas sensações são de difícil compreensão para a maioria da população. E nós, da população negra, temos a dificuldade de assumir e admitir quando somos acometidos psicologicamente. Desde a época do navio negreiro, a população negra já sofria e se suicidava por depressão, na ocasião chamada de banzo, e tida como um mal que só acometia aos escravizados. E assim nada foi feito para combater a patologia da relação mente e alma. E os pretos foram como sempre deixados de lado, e sem o condicionamento para reconhecer o problema, eles tiveram potencializados seus distúrbios, pois o direito à humanidade foi negado.
No que diz respeito às mulheres negras, a sociedade brasileira se condicionou a uma cobrança excessiva pregando que esta é uma fortaleza ambulante e não sente nada conseguindo lidar bem com tudo. Segundo Djamila Ribeiro, por conta das violências pelas quais as mulheres negras passam, criou-se o mito da mulher negra forte, guerreira, que enfrenta tudo. Mulheres negras precisam ser fortes porque o Estado é omisso e desumano porque também não reconhece nelas suas fragilidades que são próprias da condição humana. Sabemos que esta é uma construção racista e que traz uma ideia de que somos mais objeto do que humanos. Percebi que ao lidar com a saúde mental o problema é invisibilizado e silenciado entre a população negra. O autocuidado é praticamente inexistente e isto é herança que o banzo nos deixou", relata a idealizadora do projeto, Flavia Souza.

onde fica
Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro (Teatro Angel Vianna)
por que ir
O evento é voltado a todas as idades e gratuito
quando ir
Dias 6 e 7 de abril, às 19h30
quem vai
Todas as idades
quanto custa
Grátis
website
https://www.facebook.com/events/2081872308502319/

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