A DESCOBERTA DO SANTO GRAAL DO FUTEBOL BRASILEIRO

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1909 - Friedenreich como centro-avante do Germânia, aos 15 anos
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Cesar Oliveira · Rio das Ostras, RJ
16/8/2011 · 0 · 2
 

Não se tinha notícia de que Arthur Friedenreich tivesse legado à posteridade registros de sua vida, cuja adolescência coincidiu com os primeiros anos da centenária existência do futebol brasileiro.

Pesquisadores e historiadores do futebol brasileiro, que se debruçam atrás de às vezes mal guardados registros, foram surpreendidos com a notícia da descoberta dos originais e de mais de uma centena de fotos que Friedenreich deixou, em ótimo estado, perfeitamente identificadas com letras bem talhadas, a lápis e a tinta nanquim.

No site www.livrosdefutebol.com, você vai conhecer detalhes da descoberta, como ela aconteceu, depoimentos de pessoas importantes nesse fato histórico e fundamental para conhecer a infância do nosso vitorioso futebol pentacampeão.

Na segunda metade dos anos 1980, trabalhei na agencia de propaganda do Carlos Pedrosa, genial redator, companheiro generoso, peladeiro e flamenguista.

Vida que segue, rumos diferentes; até que, há três anos, criei um site para venda de livros de futebol, projetando o lançamento de uma editora especializada no velho e violento esporte bretão.

Como é que ninguém pensou nisso antes?

Já tinha pensando, sim. No final dos anos 1960, o jornalista Milton Pedrosa fundou a Editora Gol para fugir da ditadura que o impedia de trabalhar. Virou editor de livros de futebol. Produziu alguns que se tornaram cult. Poucos exemplares estão hoje à venda nos sebos virtuais, a preço de raridade.

Liguei pro Carlos e perguntei sobre os livros do pai. Quero fazer uma edição fac-similar do que ele editou, principalmente o Gol de Letra – propus.

– Está tudo com a minha irmã, Vânia. Liga pra ela.

Liguei e ela se surpreendeu que alguém quisesse saber dos livros do velho, guardados em caixas e sacolas desde a morte dele, em 1996.

– Vou ver aqui e mando pra você.

Pra minha grande fortuna, Vânia e Carlos decidiram que eu reunia condições de reeditar as obras do pioneiro.

E me mandaram livros, documentos, cartas, provas de capas e livros lançados e não-lançados, recortes de jornais, muitas anotações, caricaturas... Caramba!, eu havia herdado a biblioteca do grande Milton Pedrosa. Uma responsabilidade e tanto!

No começo do mês de julho passado, me acomodei no sofá do escritório depois do jantar para analisar os novos pacotes e sacolas que a Vânia me mandara, com uma advertência até ingênua:

– Tem um papel do Friedenreich aí... vê o que é...

Mexe daqui, mexe dali... surge um documento assinado por Dª. Joana Friedenreich; um contrato de edição, autorizando Milton a publicar “a obra autobiográfica de Arthur Friedenreich, El Tigre, a única existente, composta de depoimentos e cartasâ€.

Não era do conhecimento de ninguém que Friedenreich – o primeiro monstro sagrado do futebol brasileiro – houvesse deixado uma biografia. Como também não se sabia que Milton Pedrosa tivesse sido autorizado a editar um livro de Friedenreich.

Continuei a remexer os papéis, devagar e com cuidado. A poeira dos anos, a rinite alérgica, a importância dos documentos. Nós, apaixonados por futebol, guardamos papéis, jornais, recortes, revistas... nossas mulheres reclamam, quem paga o pato é o pesquisador.

Mexe que mexe, em meio aquilo tudo, um objeto duro; um quadrinho, uma fotografia emoldurada, 18x24cm: Friedenreich marcando um gol pelo São Paulo contra o Corinthians, 1932, Parque São Jorge lotado.

– Se tem uma foto e uma autorização, será que a biografia existe?! Será que está aqui?!

Já eram duas da manhã, e eu estava prestes a descobrir o que o jornalista André Fontenele, do Sportv, denominou o Santo Graal do futebol brasileiro.

Em um envelope grande, de papel Kraft grosseiro, fotos. Muitas fotos, mais de cem – avaliei de relance. Lindas, intactas, absolutamente preservadas, apesar do tempo. Legendas a lápis, caneta e, eventualmente, datilografadas; coisa de jornalista das antigas.

Um misto de surpresa, alegria e curiosidade me prendeu por mais 90 minutos, o tempo de uma partida. Uma a uma, as fotos foram olhadas com admiração e incredulidade.

Ali, na minha frente, na madrugada fria de julho de 2011, no bairro carioca onde imperou o poeta Noël Rosa, voltava à vida o mais importante registro dos primeiros anos do futebol brasileiro, esquecido desde a década de 1970.

E eu não podia ligar pra nenhum amigo que goste de futebol como eu? Todos dormindo. Não podia ligar pro Péris, pro Ivan, pro Asbeg, pro Juca, pro André, para os meus amigos do MemoFut em São Paulo.

Sabia que eles iriam vibrar, como eu. Emocionado, continuei a busca. Uma pasta rosa, bordas amarfanhadas pelo uso.

Abri e li, estupefato.

Friedenreich – el Tigre
com caligrafia caprichosa. E o registro: de 1 a 135.

Virei a primeira página.

APAREÇO EU

Nasci na cidade de São Paulo a 18 de julho de 1892 na Luz, a rua Triunfo 8, numa casa pequena, rés do chão, porta e três janelas, lampeão de gás à frente, ao qual trepei muitas vezes, em traquinadas precoces.


Folheei sem saber o que dizer ou pensar. Cento e trinta e cinco folhas, datilografas e numeradas, formato carta, em papel fino – como se usava antigamente para cópias, provavelmente carbono de um original que ainda não está completo e que as novas caixas e pastas de documentos devem revelar em breve.

As informações que surgem do acervo da Editora Gol, completas ou não, levantam informações históricas importantíssimas, fundamentais, dos primeiríssimos tempos do futebol brasileiro.

O texto narra com riqueza de detalhes, por exemplo, o primeiro contato de Friedenreich com uma bola de futebol oficial. Um texto sensacional.

Mas você vai ter que esperar o dia 18 de julho de 2012. Nessa data, comemoraremos os 120 de nascimento de Arthur Friedenreich, El Tigre, o primeiro grande craque e grande artilheiro da história do futebol brasileiro.

Nessa data, pretendo lançar um livro à altura do gênio. Com muitas fotos tratadas com técnicas modernas para que a gente não perca um detalhe sequer. Com o texto organizado e explicado pelos estudiosos do futebol brasileiro. Pretendo fazer uma exposição de fotos e documentos, para que todos possam ver como ele cultivava com cuidado a sua imagem de atleta vitorioso.

Até lá!

Cesar Oliveira
Editor

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janainaxD · Brasília de Minas, MG 2/10/2012 20:07
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Cesar Oliveira
 

Vc deveria ter vergonha de ficar enchendo o saco com essas porcarias num postagem séria.

Cesar Oliveira · Rio das Ostras, RJ 2/10/2012 21:03
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