Balaço Geral

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Esso A. · Natal, RN
29/3/2014 · 0 · 0
 


Rapazes (& moças), o bicho pegou!
Os rapazes em destaque por uma presunção minha de que o público masculino seja preponderante em número em relação ao universo feminino de audiência para este tipo de comunicação: a do Balaço Geral. É do balacobaco!

Apresentadores, de norte a sul do país tem invadido a tela das tevês abertas para espetacularizar a violência de um país em ebulição. Com a massa ligada em níveis assustadores, estes programas estão afogando o brasileiro em bala, tiroteio e facada, assaltos, desastres, só ruínas e destruição, ...

ou, acaso, o que há de graça nisso?

Essa questão me faz lembrar o Sérgio Bianch e o seu célebre ‘Quanto Vale ou é Por Quilo?’. É essencial que se diga que o mesmo não foi co-produzido pela Globo Filmes. Por tanto, é de se imaginar que no seio da elite brasileira, em seus apês com vista oceânica, seus aparelhos de tela plana e líquida estejam sintonizados em canais por assinatura que sorteia passagens para ‘Maiame’ e filmes de ficção ou documentários rodados sem intervalos, ininterruptamente.

Para o brasileiro médio, o barato (li-te-ral-mente) é a sobra do almoço ensopada com sangue, paulada, cadeias públicas apipadas, assassinatos e esquartejamentos, roubos e, cada vez mais, o punimento público de uma sociedade convulsionada, à beira de um ataque de nervos.

Pro jantar, o prato principal.
Retransmitidas ou em versões acastanhadas de seus pupilos Datena e M. Rezende, uma miríade de ventríloquos a reproduzirem esse discurso bestial de violência oferendada sem cerimônia, digo mais ‘sem nenhuma cerimônia’, em doses fartas jogadas empilhadas umas sobre as outras na mesa do jantar. O fedum impregna o telespectador e muitas vezes indiretamente suas crianças, e sem dúvidas os adolescentes, que se fartam absortos com o banquete sangrento. Gente, é muito triste isso! Triste mesmo.

Quase sempre com conteúdos sanguinolentos e sempre violentos, estes ‘jornalistas’ tripudiam da dor alheia para manchar de vermelho vivo os quadros mais horripilantes (quanto mais melhor!) de suas atrações mais bizarras. Jogo do terror.

O pior, em tudo, é a força que essa mensagem brutal provoca nesse espectador confuso, pouco formado, que desorientado se enviela por caminhos temerosos, seja dentro de uma igreja, seja no trauma psicológico, ou em uma aventura real e chocante, vitimizado por uma mídia irresponsável, popularista (ou populista, sei lá), descomprometida com o significado do seu papel.

A sociedade e os governos precisam estar atentas ao conteúdo do que vem sendo veiculado pelas televisões com concessões federais, sob pena de incorrerem junto a elas nessa educação descuidada que os nossos comunicadores estão fazendo dentro dos lares. Um esfaqueamento mostrado à exaustão às cinco da tarde, na hora do cafezinho, me parece um pouco demais.

Mais juízo, menos homofobia, menos charlatanismo, menos deboche, mais responsabilidade.
Esse texto é um alerta às autoridades e a sociedade geral para ficar de olho mais aberto em relação a esta situação.

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