Desejo e transformação

1
Vinícius Barros · Ribeirão Preto, SP
24/6/2013 · 0 · 0
 

Uma guinada parece ter ocorrido desde que se iniciaram as manifestações públicas formadas por multidões no Brasil. O que começou com uma reivindicação clara e objetiva (contra o aumento da passagem), se tornou num grito popular amplo e diversificado em todos os sentidos. Muitas pessoas foram às ruas desde então, mas não necessariamente com o mesmo posicionamento político (e não necessariamente com um posicionamento político claro).

Diante dos fatos atuais, muitos movimentos, partidos e tendências políticas se posicionam para disputar o imaginário das multidões. O medo de que o outro consiga absorver o máximo de "almas" à sua causa tem radicalizado algumas posições. Isto é, o medo de que a agitação represente o triunfo do outro, que viria impor sobre mim o seu ideal de sociedade.

Convenhamos, ninguém quer viver sob a ditadura, mas também ninguém quer manter esse mundo tal como está (ou seja, numa falsa democracia). É consenso que uma profunda transformação deve ocorrer. Mas nesse contexto, onde todos querem e desejam verdadeiramente uma mudança, o que devemos temer?

Não devemos temer agora se não aquilo que já devíamos temer antes: a incapacidade de reflexão política autônoma dos sujeitos, que, dessa forma, podem vir a aceitar (e festejar) a sua própria exploração e manipulação.

O momento é de construção de pessoas mais politizadas, que leiam mais sobre política e estudem mais para participar melhor da vida pública. Está claro um desejo real de participação. Mais do que antes queremos decidir nossas políticas, mas não apenas nas eleições. Eleger partidos e governantes não é suficiente.

Aqui está a grande oportunidade: no desejo! Porém, isso não basta, é necessário também muita vontade para que a energia seja canalizada para ações concretas. "O que eu pretendo mudar na minha vida para que o meu mundo mude?" É a pergunta que devemos fazer a nós mesmos.

É preciso construir uma nova cultura política, onde o engajamento (em qualquer tipo de causa) seja normal. Onde alguém te pergunte com naturalidade: "você atua por que causa?", sabendo que a resposta não será "nenhuma". Seja ela a causa animal, ambiental, social, étnica ou cultural, precisamos de gente que faça valer seus sonhos e indignações.

Aqui está o ganho efetivo das atuais manifestações no Brasil, não o mero orgulho de ser brasileiro, mas um ganho efetivo na participação política. Essa atuação deve ser construída a partir de estudo, debates abertos e muita ação. Dessa forma, seremos mais participativos e caminharemos para uma democracia melhor, jamais como multidões doutrinadas por uma ou outra tendência, mas como sujeitos de nossos próprios desejos.

compartilhe

comentários feed

+ comentar

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados