É dia de festa na pororoca

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Vladimir Cunha · Belém, PA
8/3/2006 · 133 · 1
 

É fim de semana e um grupo de peixinhos entediados procura o que fazer. A saída? Produzir uma festa de aparelhagem e assim dar início ? Pororoca, o encontro das águas que anualmente varre as margens do rios da Amazônica. Pelo menos na visão do diretor Cássio Tavernard, responsável pelo curta de animação Festa na Pororoca, uma das mais gratas surpresas do cinema paraense em 2005.

Segundo Cássio a idéia surgiu de um encontro com o ator Adriano Barroso. Ilustrador profissional, o diretor procurava textos relativos à cultura amazônica para, a partir deles, produzir um livro infantil. Por sugestão de Adriano, ele leu o texto da peça infantil A Festa na Pororoca, sobre o tal grupo de peixinhos entediados e que havia sido encenada em Belém por um grupo de teatro local. Enquanto trabalhava na adaptação do roteiro, Cássio decidiu transformá-lo em um curta de animação, idéia que se tornou possível de ser realizada após o diretor ser contemplado com uma bolsa do Instituto de Artes do Pará.

A partir daí foram quase dois anos de trabalho incessante, com Cássio e uma equipe de animadores trabalhando até 12 horas por dia em um estúdio improvisado no apartamento do diretor. Terminado a parte da animação, foi a vez dos atores Adriano Barroso e Aílson Braga, do grupo de teatro Gruta, entrarem em estúdio para fazer as vozes dos personagens do filme.

Adriano define a experiência como um processo bastante peculiar. De acordo com ele, além dos personagens terem sido criados a partir das características físicas e vocais dos atores o roteiro foi feito a partir de ensaios na casa do diretor, onde cada dublador dava a sua contribuição improvisando em cima das linhas gerais do argumento original. "Costumo dizer que, na verdade, foram os desenhos quem nos dublaram, pois eles foram criados a partir das nossas características. Além disso, a gravação toda foi bem divertida, uma festa mesmo. Éramos crianças brincando de gravar nossas vozes. Como o clima era bom e todos estavam soltos, aproveitamos alguns minutos de liberdade total dentro do estúdio e nos danamos a falar e falar besteira. Foi essa liberdade de improvisar que resultou em coisas como o Rap da Tia Filica e no Rap do Baiacu, que acabaram incluídos no filme", conta Adriano.

Aproveitando a deixa, Cássio explica como surgiu a idéia de associar a pororoca às festas de aparelhagem de Belém do Pará. No filme, ela seria decorrente do volume exagerado dos "treme-terras" que sacodem o fundo do mar e provocam a fúria das águas que varrem o litoral paraense. Segundo Cássio, essa associação surgiu após uma viagem a São Domingos do Capim, onde anualmente acontece um campeonato de surf na pororoca."Precisava ver a pororoca e São Domingos do Capim é local mais próximo de Belém onde ela acontece. Chegando lá vimos um cenário parecido com a idéia inicial do filme, com pessoas na beira do rio, bebendo, se divertindo e ouvindo o som altíssimo que saia de uma aparelhagem. Foi quando resolvi associar a pororoca às festas dos "treme-terras". No final das contas o resultado ficou bem engraçado", diz ele.

Foi uma estréia bem-sucedida em mostras locais, no festival Anima Mundi e no Ano do Brasil na França, que culminou em um DVD lançado no segundo semestre de 2005. Agora, Cássio sonha em dar continuidade ao projeto e fazer uma segunda parte contando as novas aventuras da turma da festa na pororoca. "Já estamos com um projeto de captação de recursos em andamento. E enquanto não começamos a produzir um segundo curta continuamos a divulgar o DVD, que conta com os dois clips do Rap da Tia Filica e o Rap do Baiacu, além de 20 minutos de extras e legendas para deficientes auditivos. Mas o que eu quero mesmo é dar continuidade ao filme e transformar a Festa na Pororoca em uma série de animação", afirma Cássio.

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Edney Martins
 

Cassio,

Adorei saber do curta e já quero saber como consigo vê-lo pelas bandas aqui de Sampa ou de quaisquer outras paragens. Me lembrou de uma história que deu origem a um livro sobre a pororoca, em que ela seria fruto da brincadeira de crianças encantadas no fundo do rio. Pelo jeito, depois do teu curta, são encantadas e dançantes, meu mano!

Abraço,

Edney

Edney Martins · São Paulo, SP 13/3/2006 23:33
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