Saiba mais sobre o roller derby, um esporte para
garotas corajosas - mas só para garotas.
Minissaia, meia calça, patins, cotoveleiras, joelheiras, munhequeira, capacete, protetor
bucal, hematomas. Esse é o uniforme de uma jogadora de roller derby, esporte que vem
crescendo no Brasil – e no mundo – nos últimos anos. Hoje já são mais de 20 ligas brasileiras, a maioria no Sudeste, mas há representantes do esporte do Rio Grande do Sul até o Amazonas.
O roller derby é uma mistura de esporte de contato com corrida, praticado sobre
patins e as ligas são compostas só por garotas – mas passa longe de ser coisa de menininha.
O esporte é antigo: surgiu na década de 30 e, inicialmente, era uma corrida de resistência, praticada tanto por mulheres quanto por homens. Logo perceberem que o público se empolgava muito mais quando os atletas se chocavam ou caÃam – e as regras começaram a mudar. Houve uma fase bem violenta no esporte, mas agora agressões diretas são proibidas. O roller derby foi passando a ser mais feminimo e criando também um certo glamour punk, que veio com os derby names, os uniformes curtos e a atitude rebelde.
As quedas e colisões são tão constantes que cada time tem seu próprio Wall of pain. Todo hematoma e toda fratura é registrado e exibido como motivo de orgulho, seja em álbum do Facebook ou em galeria do site oficial. Uma liga de roller derby só é “de verdade†depois dos seus primeiros acidentes.
“Você irá cair†e “você irá se machucar†são dois entre os “Dez Mandamentos do Roller Derbyâ€, segundo o livro Down and Derby, das rollergirls Jennifer “Kasey Bomber†Barbee e Alex “Axles of Evil†Cohen, traduzidos para o português pelas rollergirls da Grey City
Rebels (http://graycityrebels.com/), uma das ligas de São Paulo. “Calcanhares quebrados, tendões rompidos e ombros deslocados são algumas das fraturas mais comuns no Roller Derby. Você aprenderá como cair com segurança para evitar fraturas graves, no entanto, você deve ficar ciente de que quando estamos na pista, há riscos de fratura. Por esse motivo, ter um plano de saúde é sempre bomâ€, advertem. Mas que ninguém pense que o esporte prega a violência: as regras impedem agressões e quem desrespeita sofre punição. Todos os machucados são apenas acidentes de track, mas não podem ser evitados.
É por isso que há também uma lista de motivos pelos quais você não deve fazer roller derby (os oito foram listados pela americana Em Dash, da Gotham Girls Roller Derby, liga de Nova York, no site http://www.derbylife.com/), também traduzidos pelas Grey City Rebels. O oitavo e último deles explica: se você não pode se dar ao luxo de se machucar, não pratique o esporte. “Se você tem um trabalho fÃsico (construtora, babá, massagista), uma contusão pode tornar impossÃvel trabalhar por alguns dias, ou semanas, ou até mesmo alguns meses. E mesmo que você tenha um bom seguro saúde, muita coisa não é coberta.â€
Mas nem só de restrições vive o roller derby. É da própria dinâmica do esporte aceitar qualquer tipo fÃsico: magrinhas, baixinhas são jammers perfeitas e garotas maiores e mais robustas são blockers impossÃveis de ultrapassar. O esporte é para todo tipo de garota – mas tem que ter coragem e saber cair.
É o que diz Juliana Leibão, bióloga de 28 anos, que treinou por alguns meses com a Sugar Loathe Derby Girls (http://sldg.com.br/), a equipe carioca, e teve que sair por falta de tempo para os treinos puxados que o esporte demanda. “Achei interessante a ideia de ser um esporte em que o intuito não é só correrâ€, ela diz. “Eu fui porque queria saber se era durona a tal ponto. E descobri que até sou. Já tive tantos hematomas vindos do roller derby e nunca fiquei com medo dissoâ€, ri.
Ela, como muitas garotas, conheceu o esporte por causa do filme Whip It (em português Garota Fantástica, de 2009), estréia de Drew Barrymore (de Para sempre Cinderela e As Panteras) na direção, protagonizado por Ellen Page (de Juno). Baseado no livro Derby Girl, de Shauna Cross (publicado no Brasil pela Editora Record), o longa conta a história da entediada e deslocada Bliss Cavender, que encontra seu lugar no mundo – e sua segunda famÃlia – ao descobrir o esporte com a equipe Hurl Scouts.
“Eu vi o filme, daà me interesseiâ€, conta Juliana. “Procurei no orkut, que na época ainda
era usado (risos). Descobri que tinha uma comunidade da galera querendo se reunir no Rio
e que já tinha um time em São Paulo.†O grupo se reuniu e fundou a primeira liga carioca.
Conseguiram arrumar aulas de patinação em um clube esportivo, até finalmente começarem
com os treinos próprios. Atualmente, as Sugar Loathers tem treinos para iniciantes, intermediárias e avançadas, nas segundas quartas e sábados. Os treinos acontecem no Clube Monte Sinai, na Tijuca, durante a semana e no Clube Boqueirão do Passeio, na Glória, aos sábados.
No dia 14 de outubro aconteceu o 1º Brasileirão de Roller Derby. A liga carioca foi a anfitriã do evento, que aconteceu em Jacarepaguá. Ficou curioso? O evento foi registrado pelo I Hate Flash e você pode conferir as fotos aqui: http://ihateflash.net/set/1o-brasileirao-de-roller-derby.
As Regras do Jogo:
Cada equipe tem 5 jogadoras: 1 jammer, 1 pivot e 3 blockers. A jammer é identificada por usar uma estrela no capacete, e a pivot por usar uma listra. Blockers e pivots, que formam o pack, começam a patinar pela pista oval no 1° apito; a função da pivot é determinar a velocidade do pack. No 2° apito, as jammers começam a correr: o objetivo delas é ultrapassar as jogadoras do time adversário. Na primeira volta, a jammer que
passar pelo pack sem cometer nenhuma falta vai ser a lead jammer, indicada pelo árbitro responsável. A lead jammer ganha o direito de terminar a corrida – chamada de jam –
antes do tempo padrão de dois minutos Até aà não há pontução.
A partir da segunda volta, para cada jogadora do time adversário que a jammer
ultrapassar, ganha 1 ponto. Um número indefinido de jams pode acontecer em cada bout, que dura meia hora. Dois bouts foram uma partida de roller derby. Como os jams são exaustivos, trocam-se as jogadoras constantemente.
Há também o penaulty box, uma área no centro da pista onde as jogadoras que cometem uma falta grave ou 4 faltas leves ficam “de castigo†por 1 minuto como punição.
Os times ganham automaticamente 1 ponto para cada jogadora adversária no penaulty box e a jammer que for mandada para lá perde seu status de lead jammer. As faltas incluem bloquear com ante-braço, mãos, cotovelo ou capacete, queimar a largada, sair da pista para evitar ser bloqueada e destruir intencionalmente o pack.
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