Seu nome é Graziela, tem 34 anos, cinco filhos, um marido e vários artesanatos expostos na Praça Sete, ponto de maior georeferenciamento em Belo Horizonte. Com dreads que lhe caem à cintura e tatuagens emblemáticas, a mulher é um dos milhares de artesãos de rua, culturalmente entitulados hippies. Eles são tema do documentário “Malucos de Estrada: A Reconfiguração do Movimento Hippie no Brasilâ€, de Rafael Lage, ainda em processo de captação de recursos em um site de crowdfunding, que aborda o diálogo conflituoso entre sociedade tradicional e malucos de estrada. Engajados nesta pauta, Graziele nos oferece um retrato falado de si própria, elaborado por meio por percurso de vida.
A começar o relato pelo clichês das histórias, nasceu na capital mineira e mudou-se com seu pai e a madrasta para outra cidade, retornando já na adolescência para viver com a mãe a avó. Segundo ela, a volta se deu por um certo nÃvel de rejeição por parte do pai e também por conta da forma diferenciada de pensar, vestir e agir. Após um perÃodo de convivência com membros da comunidade hippie do centro da cidade, saiu de casa aos 18 anos, de maneira emocionalmente violenta e que deixam resquÃcios até o presente momento. A partir daà Graziele passou a ser não somente Graziele, mas Graziele Maiandeua - nome de origem tupi e que significa “Mãe Terraâ€.
Em uma das centenas de viagens pelo Brasil, conheceu o primeiro marido e pai de três filhos seus. Nesta relação intensa, conta que vivenciou momentos tristes, com a agressividade, a falta de respeito e cumplicidade do homem a quem se dedicava, também maluco de estrada. Ela fala, ainda, que o quadro de “desafetuosidades†por parte dos homens é rotineiro no contexto dos malucos, digamos assim. O casamento durou 10 anos.
Graziele, então, foi-se para mais uma viagem de possibilidades infinitas, acompanhada de quatro amigos e do ex-marido. Durante o percurso, na rodoviária mesmo se casou com um dos amigos, da mesma forma que uma amiga se casou com seu ex-marido. Questionada sobre a cerimônia em si, ela explicou: “Sentamos todos e pedimos uma cerveja. Aà selamos os matrimônios.â€
O novo marido já foi evangélico, é recifense, carismático, atualmente é maluco de estrada e se chama Nilo. Tanto ele quanto Maiandeua compartilham de uma perspectiva distinta do movimento hippie em si. Eles falam que o “movimento insosso†foi uma mobilização elitista em defesa dos “jovens burgueses†que seriam enviados para a Guerra do Vietnã. “Enquanto filho de pobre estava morrendo na Guerra não tinha nada dissoâ€, ela conta. Desse modo, ela prefere ser simplesmente identificada como uma maluca de estrada, transcendental e realizada.
Assentada ao lado de Nilo na pedra da Praça Sete, com a filha nos braços e um carrinho de bebê onde seu filho descansa, ela afirma que esta seria a imagem que a representaria.
Cara, que artigo massa! Eu tenho uma curiosidade imensa de saber como é o dia-a-dia desses caras. Confesso que até eu mesma sinto vontade de me juntar a eles nessa vida sem amanhã definido porque essa pressão que a saÃda do ensino médio com clima de você-tem-que-arranjar-emprego-entrar-na-faculdade-ser-alguém beira o insuportável. Continuem com esse trabalho foda porque aparentemente o Overmundo vai ser meu lugar de inspiração! Valeuzaço!
Brenda_Semifusa · Ribeirão das Neves, MG 11/1/2013 19:38Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!