Mercado do Porto de Cuiabá ganha quiosque cultura

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Marielle Ramires · Cuiabá, MT
11/12/2006 · 102 · 0
 

Caixas estampadas com a história de Cáceres, peças de biojóias feitas com materiais reciclados, cerâmica, vestimentas feitas por artistas da terra, especiarias gastronômicas de diversos gêneros, entre muitos outros produtos culturais comporão a seleção artesanal que estará disponível no quiosque Ispiaqui a partir do dia 09 de dezembro.

O espaço faz parte do projeto de aproveitamento do resíduo do coco verde, cujo consumo produz só em Cuiabá 190 toneladas do lixo destinado aos aterros sanitários municipais. O dado foi levantado pelo Instituto Vetor, em uma das cerca de dez pesquisas promovidas pelo projeto com foco na identificação do potencial econômico do setor e no mapeamento da cadeia produtiva do fruto em municípios do estado.

Além de itens voltados para jardinagem, indústria têxtil e engenharia civil, peças de biojóias, xaxim, vasos, entre outros artesanais são exeqüíveis a partir da fibra do coco, é o que conta a artista plástica e pesquisadora, Margarette Regina Borges, idealizadora da iniciativa.

“Com minha formação de designer, observei a potencialidade artística da fibra do coco. Foi aí que resolvi elaborar o projeto e desenvolver as pesquisas, inscrevendo-o em editais como o da FAPEMAT, que encampou a idéia e financiou a empreitada”, conta, revelando que ainda há outros estudos em andamento.

Enquanto os últimos diagnósticos estão sendo levantados, o projeto segue em ritmo forte com o lançamento do "Ispiaqui". A idéia é criar no Mercado do Porto, espaço tradicional na cidade, um ponto de popularização de cultura, ciência e tecnologia. “Nada melhor que o mercado popular para incentivarmos os artistas a trocar knowhow, ocupando um espaço que agrega um público de várias classes sociais, estimulando assim uma cadeia produtiva e mostrando de maneira cooperativa as produções culturais oriundas de nossa terra”, defende Borges.

O espaço está aberto a todos os artistas que tiverem interesse na comercialização de seus trabalhos. Para isso, basta que entre em contato através do número que será disponibilizado abaixo.

Ispiaqui – Pelo menos vinte e cinco artistas terão seus trabalhos expostos a partir deste sábado, na inauguração do espaço. São peças produzidas em Cuiabá, Cáceres, Juína, Chapada dos Guimarães, entre outros municípios do estado, que comporão o acervo disponível ao público do Mercado Municipal.

Coleções como a Vila Maria Artesanato, projeto cacerense com vistas ao desenvolvimento do turismo e artesanato da região sudoeste de Mato Grosso, com suas caixas decorativas com ilustrações da história do local; Almofadas bordadas com estórias do bairro Renascer capitaneada pela Fundação Alphaville; Bijouterias feitas com aproveitamento de garrafas PET, e outros; bonecas de palha de milho feita pelas mãos de artistas do Assentamento Cabocla, a 30 km de Livramento; bolsas de jornais, compotas de doces, bombons com frutos da terra, geléia de pimenta, torradas com especiarias. Uma diversidade que agrega nomes diversos do artesanato no estado.

A curadoria foi feita pela produtora cultural Marina Capilé, que através de levantamentos realizados junto ao SEBRAE, entidades representativas de classe e artistas locais, buscou mapear a produção do gênero e convidar neste primeiro momento, os artistas a conhecerem o espaço.

Além da plasticidade das peças, revela ela, uma das questões priorizadas na seleção dos trabalhos foi a preocupação com a questão ambiental. “O projeto de aproveitamento do resíduo do coco tem essa proposta. E há artistas que fazem dos resíduos motivas de sua obra de arte. Por isso a importância deste ponto cultural, que além desse aspecto, tem um potencial turístico que agregará valor ao Mercado do Porto”, avalia.

Marina também destaca a importância do estímulo à cultura do consumo de obra de arte como forma de impulsionar a atividade dos fazedores de cultura em MT.

Cultura - Formação, Produção, Circulação e Consumo são quadriláteros que compõem a cadeia produtiva da cultura, conforme pontuou Carlos Prestes Filho, em seu livro, Economia da Cultura.

O "Ispiaqui" vem atender tanto o viés de produção, estimulando os artistas à elaboração constante de novos trabalhos e o consumo do público num espaço permanente de cultura em um dos ambientes mais democráticos da cidade.

A iniciativa é encabeçada pela ONG AMATERRA em parceria com a empresa Olho Verde.

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