Minha Vida (Parte 2 1/3)

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Ernesto Antonio de Moraes · Cuiabá, MT
30/9/2006 · 68 · 0
 

Existem pessoas que jamais serão felizes. Porque estas pessoas acham que podem saber tudo, conhecer tudo. O problema está na arrogância de sua trajetória na vida. Estes sujeitos realmente não sabem o que querem da vida. Talvez venha daí o conceito léxico da palavra promiscuidade. Conceito léxico ou aquele conceito que você retira do dicionário é de tal forma certo ao tecer sobre promiscuidade como falta de eixo, falta de fundamento na vida, porque os promíscuos são assim. Totalmente sem destino e sem caráter ao que se refere a envolvimento emocional.
O que estes homens tentam expressar como "curtir a vida", de longe já se percebe que seu egoísmo é tanto, que só imagina como prazer aquilo que lhe dá satisfação e tão somente a ele mesmo. Enquanto que curtir a vida no melhor conceito já encontrado é: "Amar e ser amado em troca". Não amar no sentido de "trepar", trepar não é amar, trepar é simplesmente sexo. Amar é algo superior ao envolvimento físico. Coisa, aliás, que os promíscuos nunca conhecerão.
Acredito que o ser humano como indivíduo emocional, está no limite de sua transição como sujeito que ama ao sujeito que só quer prazer - aquele prazer egoísta e covarde. Egoísta porque é incapaz de compartilhar prazer, covarde, porque não se envolve seriamente com ninguém, seja por medo de sofrer "novamente", seja por questão de natureza mesmo. Em outras palavras, existem homens que não querem mais sofrer, e por isso mesmo se tornam frios, e acabam chegando ao nível da promiscuidade e outros que nunca foram sentimentais ou nutriram sentimento por ninguém.
Não existem mais modelos a serem seguidos, a não ser que tomemos como valores seres repletos de promiscuidade ou de mal caratismo (que, aliás, promiscuidade é subconjunto de um vasto conjunto maior chamado mal caratismo). Não existem mais reflexos da virtude de homens corajosos, nem de guerreiros contra os erros...
Filósofos mortos, não representam nada quando os reflexos de exemplos não são postos em prática. O ser humano está morto, mas são zumbis que teimam em se manter ferindo e matando. A pior forma de morte é aquela que você não sente a terra cobrir teu corpo.
Não critico a prostituição por necessidade. Embora eu faça isso contra aqueles que não se acham que são putas porque apenas não cobram por seus parceiros. Vida fácil? Não sei, tudo é uma questão de ponto de vista.
Agora eu vejo um temporal se formando quando alguém fala sobre beijar 5, 7, 9 pessoas durante uma só noite. Pessoas, estas, diferentes, claro. Não é estranho? O que dizer disso? O que pensar deste tipo de pessoa? Para mim é sim "tipo de pessoa", já que não consigo imaginar alguém que distribui sua boca a tanta gente em um curtíssimo período de tempo como alguém sério.
Mesmo que os promíscuos de plantão batam o pé ao dizerem que não podemos julgar a seriedade de um ser humano pela maneira como ele se relaciona "afetivamente" com outros seres humanos, promiscuidade é sim sinal (e um bom elemento para usarmos como fundamento prático e teórico) de alguém que não tem alicerces morais para ser reconhecido como alguém de caráter.
Quero deixar claro que caráter não tem só aquele que NÃO mata, aquele que NÃO rouba ou assalta, aquele que NÃO estupra. Caráter não tem TAMBÉM aquele que não é fiel, aquele que não sabe ser leal. Adultério, promiscuidade é um desvio de comportamento e de caráter. É assim que eu lido com esse "tipo de pessoa", praticamente como um criminoso - dentro de limites, mas sempre visando colocar este "tipo de pessoa" como um ser humano que precisa de ajuda psicológica caso, este mesmo elemento, queira realmente se tornar alguém sério e de caráter.
Gente que não é séria é exatamente este "tipo de pessoa", alguém perverso que não respeita os limites do sentimento alheio. Egoísta por imaginar que todos têm que ver o mundo sentimental como ele lida. Ele lida como mundo sentimental da seguinte forma:
"NINGUÉM É DE NINGUÉM, mesmo aqueles que querem se envolver apenas com um sujeito, que quer ter um relacionamento de qualidade e não de variedade. Aqueles que querem ter este tipo de relacionamento são muitas vezes taxados por 'este tipo de pessoa' como seres humanos que não sabem aproveitar a vida".
Apesar de não poder escolher, de não ter opção, quanto a meu desejo sexual, eu reconheço que os adeptos da tribo homossexualismo são em sua grande maioria, ou melhor, imensa maioria, adeptos também do termo e comportamento descompromissado do EXPERIMENTA. Este termo muito levado em conta por 'sexólogos de plantão' como 'necessário e importante para que possamos conhecer aquele que será nosso parceiro'. Em meu ponto-de-vista (graças a Deus eu ainda consigo pensar por mim mesmo, ao contrário de grande parte da tribo) isso é uma bela desculpa para que possam ter seu "direito" de ser promíscuo reservada e preservada.
Sexólogos que justificam comportamentos de "ficar por ficar" como atos de experimentar para chegar a alguma conclusão sobre algum tipo de relacionamento mais duradouro, na realidade, estão apenas usando de seus diplomas tão alardeados para justificar o comportamento vil de uma sociedade promíscua e doente. Não doente por doenças "biológicas", mas doente por doenças sociais, a doença da promiscuidade, da falta de respeito pelo sentimento alheio e por todos aqueles que possuem um relacionamento sério. Essa talvez seja uma "doença" pior que a propriamente dita biológica.
Sexólogos que justificam comportamentos de "ficar por ficar" como atos de experimentar para chegar a alguma conclusão sobre algum tipo de relacionamento, (relacionamento este que NUNCA chega), muitas vezes acabam legitimando o ficar por ficar como comportamento permanente e definitivo, ao contrário de que seus discursos completamente suspeitos possam dizer.
Este tipo de relacionamento sério que poderia advir do "ficar por ficar" como ato de experimentar para chegar a uma conclusão gera desconfianças. Desconfianças, estas, de que este "experimentar" realmente é uma experiência, mas acaba com o tempo revelando que isso é um comportamento definitivo e permanente e não provisório como gostaria de mostrar o tal 'profissional' da área. Como se realmente fosse importante e necessário "experimentar" para encontrar o parceiro ideal.
Bem, isso me faz pensar o seguinte: experimentar o quê? O sexo, neste caso. Para que alguém experimentará alguém sendo que relacionamentos baseados somente no sexo têm data de validade limitada (ou seja, não duram o suficiente) e o que o melhor tipo de relacionamento é aquele que não é descartável e sim baseado no sentimento e companheirismo?
Este tipo de "profissional" usa de sua formação acadêmica para formar opiniões alheias que determinado tipo de comportamento como algo legítimo, seja este comportamento próprio do "profissional" ou de outros. Então, seus milhares de diplomas colocados na parede de seus "consultórios" tentam legitimar seus comportamentos como algo legal, bacana, honesto e simplesmente natural do ser humano. É natural do ser humano agir conforme sua consciência. É bom não misturar os assuntos. Enquanto que o tal "profissional" apenas está usando de sua formação acadêmica para legitimar um comportamento que a ele lhe satisfaz.
É fácil alguém sendo veterinário dizer que o cão da raça dálmata que não possui as pintinhas pretas é surdo, porque o mesmo gen que determina a boa formação dos ossos do ouvido interno também determinam as manchas. Então, ele é o mais aconselhado a falar sobre o assunto, mas muitos usam de seus "diplomas" como legitimadores de pensamentos particulares e razoáveis. Está aí o perigo, é aí onde as "sementes da discórdia" são lançadas ao solo.
Sexólogos podem saber quase tudo sobre sexo. Embora este "diploma" nunca lhes traga autoridade ou legitimidade sobre o melhor e mais perfeito campo que caracteriza o ser humano: OS SENTIMENTOS. A capacidade de alguém amar alguém, de gostar de alguém, de ter carinho, dar carinho. Sentir que em outra pessoa existe o calor, a atenção, o companheirismo, que pode sim ser dado somente por uma pessoa, e ser sim aceito por apenas uma pessoa. Todas as justificativas de não se ligar a alguém, seja porque ainda não encontrou (porque está experimentando) seja porque não querem mesmo se ligar a ninguém vão por terra quando é afirmado, que aqueles que não se ligam a ninguém são promíscuos porque a promiscuidade quer dizer não saber o que quer, ou fora do léxico, incapacidade de ser fiel.
Incapacidade esta não no quesito não querer ou não desejar, mas relacionada à natureza da pessoa. Aproximadamente assim: Como você quer que um gato lata? Sendo que quem late são os cães? Existe aí uma incapacidade fisiológica do animal soltar um ruído que não é próprio de sua natureza animal. Da mesma forma o promíscuo não é capaz de ser fiel. Alguém promíscuo não é capaz fisiologicamente de ser fiel, por mais que ame alguém. Existe um discurso pronto que diz: "Quando eu amo, eu sou fiel." Isso é uma imensa bobagem, visto que fidelidade em nada tem a ver com amor, tem a ver com natureza humana, natureza do caráter humano. Então, para que alguém seja fiel a outro é necessário controle, é necessário costume, hábito. Aquele que não pratica a fidelidade, não é capaz de mostrar fidelidade, quando "chegar" a pessoa 'certa'.
É como um vício. Então, neste mesmo erro aqueles que defendem a "lei do experimenta" caem. Costumo dizer: "Não é porque eu não encontrei a pessoa certa, não é porque eu não amo meu namorado, ou parceiro, que eu devo ser infiel, ou desleal". Porque ser infiel e desleal não é uma questão de amor, ou de amar, é uma questão de caráter, de natureza pessoal. A não ser que a pessoa mude sua natureza, que se reforme quanto a seu comportamento sexual ele jamais conseguirá se ligar a alguém mesmo que o ame, e ser fiel. Ele continuará sendo infiel.
A única diferença que existe entre "putas" e "promíscuos" é que trepar com promíscuos é de graça e que as "putas - propriamente ditas" são espertas, cobram.
Beijar é bom. Transar é bom. Ficar por ficar desde que ambos saibam de ante-mão que não vai rolar mais nada depois, que não terá uma continuação é bom também. Não pela atitude de ficar, mas pelo caráter de ninguém estar sendo enganado ou trapaceado.
Não sou adepto do ficar por ficar, porque tenho consciência que - no mínimo - eu encontrei meu corpo em um lugar melhor, para ser usado a favor da promiscuidade. Também não digo que nunca fiquei por ficar, que nunca beijei por beijar, que não transei por transar. Embora isso nunca tenha se tornado um hábito. Ao contrário da maioria da tribo ter este comportamento, eu me reservo o direito de querer ser amado com qualidade e não por variedade.
Quem faz uso do "ficar por ficar", acaba correndo o risco e muito das vezes caindo na armadilha de se tornar um ser promíscuo. Alguém que não sabe o que quer, alguém que não se contenta em ter apenas um amante. Estes, mesmo que amem alguém (coisa que eu duvido), nunca conseguirão ser fiéis ou leais. A não ser que encontrem uma pessoa tão promíscua quanto, daí o circo da promiscuidade se arma. Onde ninguém é de ninguém, e "lavou tá novo", isso tudo cheira a esterco e a esperma seco. Coisa de gente porca, claro.
Realmente é assim: o mundo gay é um universo de promiscuidade entremeado por raríssimas exceções, onde eu e alguns outros são exceções. Existem pessoas sim como eu que são fiéis, que não são adeptos do ficar por ficar como hábito e modo de vida. Que preferem uma boa punheta (sozinho, por favor) que transar com um cara que nem sabe o nome. Infelizmente muitos da tribo tem seu "próprio" conceito de fidelidade e lealdade, fazendo com que os reais elementos de um relacionamento sério deixem de existir.
É incrível, eu chego em uma boite GLS, e estou do lado de um cara. Você o escuta dizer:
"Veja quem chegou!" - ele fala para aquele carinha que está usando boné.
"Quem?" - diz o carinha de boné.
"Josias, ele é ativo, tem um pau de 24cm, beija muito bem. O único problema dele é que tem mau hálito".
O tal do Josias entra e vai para a pista. Saio para o banheiro, não por ansia de vômito, mas é que a cerveja está fazendo efeito. Ouço um moleque de cabelos loiros falando para um mulato:
"Poxa, viu só, o Jô chegou."
"Ele é legal?"
"Ah, ele não é para você."
"Ué, por quê?" - diz o mulato.
"Ele é ativo, tem um pau de 24cm, beija muito bem. O único problema dele é que tem mau hálito."
Assim a festa toda você ouve 3, 4, 7, 10, 20 pessoas fazendo o mesmo comentário. Caramba! Isso é algo muito desprezível. Por quê? Por que o mundo gay é promíscuo. Estão, muito naquela idéia de que ninguém é de ninguém. Isso é algo insuficiente para minha cabeça, para meu modo de vida. É isso que me deixa decepcionado em relação a tudo. Falta de um modelo de ser humano, para que eu possa mudar meu conceito em relação a minha própria tribo.
Não vivo como um gay conforme o padrão que existe na sociedade. Padrão este feito e produzido pelos desprezíveis adeptos do oba-oba. E ainda querem fazer parada do orgulho gay. Não vou, claro. Embora eu prometa que no dia quando eu descobrir que orgulho é esse que tanto têm para fazer uma parada... Eu vá. Fora isso, me desculpe, mas não estarei presente lá.

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