Neuber Uchôa aprendendo a ser pop

Gilvan Costa e Ed Jr.
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Gilvan Costa · Boa Vista, RR
22/7/2006 · 45 · 2
 

O estilo é diferente, mas a batida é inconfundível. Em seu mais novo trabalho, o roraimense Neuber Uchôa envereda por novos caminhos musicais, “pero sin perder las orígenes jamásâ€.

Em “Eu preciso aprender a ser popâ€, Neuber aposta numa linguagem universal, fugindo do estereótipo amazônico que sempre permeou suas letras e melodias.

O novo CD, conta Neuber, é fruto de seu trabalho nos últimos cinco anos vividos no Rio de Janeiro, em que se dispôs a ouvir muita música para poder também fazer MPB e entrar nesse mercado.

“Isso é resultado desse tempo, que me colocou de maneira mais universal, junto com todas as tribos, já que o Rio é uma coisa mais ou menos assim, uma esquina do mundoâ€, afirma.

Para ele, essa nova fase procura traduzir esse novo tempo, onde o elemento regional se funde ao beat universal, de forma a ser compreendido em Tóquio ou Paris, tanto quanto em Buritis (bairro de Boa Vista)â€, explica.

Sobre o título do CD, Neuber diz que a frase surgiu no meio de uma discussão, logo que ele chegou no Rio de Janeiro, “como uma maneira de me auto-justificar que eu tenho de aprender a ouvir, que eu tenho que ser mais popularâ€.

Pop ai, segundo Neuber, é no sentido de ter mais atitude, ter algo mais além de talento. “Ser popular é isso também, é te colocar à disposição do público que tu queres atingir. No meu caso é fácil porque eu sou um poeta popular. Eu procuro traduzir o sentimento desse povo que eu represento. A minha maior batalha é essa, ser compreendido pelo meu povo, de uma maneira fácil, singularâ€.

A frase também remete a uma música famosa da MPB que é “Eu preciso aprender a ser sóâ€, de Marcos e Paulo Sérgio Valle, lembra o artista.

O trabalho de capa do CD também foi feliz. O designer Ed Andrade Júnior se inspirou num célebre trabalho de Andy Warhol, o norte-americano que criou a arte pop. E a foto de Neuber, é em baseada num dos quadros mais famosos dele que é a atriz Marilyn Monroe com fundo de várias cores, que dão essa tonalidade à obra.

O lançamento oficial do CD acontece na sexta-feira, dia 28 de julho, às 21h30, em show no Teatro Carlos Gomes.

Acompanhado dos músicos Neuber Jr. (violão aço), Hendds Williams (guitarra), Alfredo Rollins (bateria) e Neto Baraúna (contra-baixo), o artista vai apresentar seu novo trabalho. São 11 músicas inéditas e dançantes, magistralmente produzidas por Ben Charles e Bebeco Souto Maior, em gravação feita em São Paulo.

“Pelo pouco que eu tenho visto o disco está tendo uma aceitação legal, porque está sendo visto como um trabalho popular, que se mistura às demais músicas que tocam nesse universo popâ€, comemora.

Raízes regionalistas
Neuber Uchôa nasceu em Boa Vista, capital de Roraima e, ainda criança, começou a cantar em programas de auditório. Na adolescência, descobre o violão e passa a compor as primeiras canções, mas somente aos 21 anos de idade, em 1980, nasce a música que seria um dos seus maiores hits: Ave, 3º lugar no I Festival de MPB de Roraima. A canção foi gravada cinco anos depois, num compacto simples, produzido em junho daquele ano no Rio de Janeiro.

Daí em diante, shows e discos são produzidos pelo artista que, juntamente com Eliakin Rufino e Zeca Preto formam a “Regionalíssima Trindade†do movimento cultural Roraimeira, que se propõe a traduzir Roraima em sua estética artística e cultural.

Dessa fase regionalista, destaque para as músicas Cruviana, Nossa Bossa, além de makunaimando (parceria com Zeca Preto), verdadeiros hinos de Roraima.

Outro momento marcante foi a produção do programa Roraimeira na TV, dirigido e apresentado pelo grupo em 1992, na TVE (TV Educativa) e reapresentado em rede nacional naquele mesmo ano, além dos espetáculos realizados na cidade do Rio de Janeiro, durante o projeto “Cantorias Amazônicasâ€, no CCBB, em janeiro e fevereiro de 2000.

Destacam-se ainda os discos e shows produzidos em parceria com Zeca Preto, entre os quais uma pequena turnê pelo Norte e Distrito Federal, além de shows na Suíça e Venezuela.

Já nessa fase pós-regionalista, vale lembrar as apresentações no Centro Cultural Carioca e na Lona Cultural de Campo Grande, ambas no Rio de Janeiro, durante o lançamento do CD Muito Prazer (2002). Na mesma época, Neuber divide o palco do Olímpia com Sandra de Sá e Elba Ramalho, entre outros, no show de 85 anos do Retiro dos Artistas. Também fez shows em Niteroi e Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Ouvindo e compondo muito, Neuber acumulou repertório e experiência que se somaram ao swingue forjado na mistura de ritmos afro-latinos com a brasilidade amazônica, nascendo daí uma batida própria.

Discografia
Compacto simples AVE – solo (RJ-1985)
LP Caimbé – parceria com Zeca Preto (RJ-1988)
LP Roraima – parceria com Zeca Preto e Eliakin Rufino (PA-1992)
CD Makunaimeira – parceria com Zeca Preto (PA-1994)
CD Amazon Music – parceria com Zeca Preto (PA-1997)
CD O Canto de Roraima - parceria com Zeca Preto e Eliakin Rufino (RR-2000)
CD Muito Prazer – solo (RJ-2002)
CD Eu Preciso Aprender a Ser Pop – solo (SP-2006)

PS: Algumas músicas do artista estão disponíveis na gravadora Trama Virtual.

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Marcello Gabbay
 

Assisti o Neuber ontem em Boa Vista, demais! Comprei o disco e estou preparando uma página sobre ele no nosso portal Bomgá da Mata www.bomgadamata.org. Vou usar este seu texto do Overblog lá, ok? Está muito bom! Abraços.

Marcello Gabbay · Belém, PA 21/6/2008 19:20
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Gilvan Costa
 

Oi Marcello. Pode usar o texto sim, fique à vontade.

Gilvan Costa · Boa Vista, RR 23/6/2008 12:47
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