A resposta simplificada: porque é, desde já, o candidato mais forte na eleição de 2018.
Seus governos são imbatÃveis comparativamente. Não há estatÃstica do perÃodo 2003-2010 que perca para outra similar no recorte histórico disponÃvel. Isso ocorre tanto para os Ãndices abrangentes da macroeconomia quanto para minúcias setorizadas e regionais, passando pelo acesso a bens de consumo, à cultura, à educação, à cidadania. E, acima de tudo, pela redução da desigualdade.
O lulismo é, de longe, a maior força isolada no cenário polÃtico nacional, exatamente porque não exige simpatia programática pelo PT. O voto antipetista se divide, à esquerda e à direita, em afinidades partidárias e pessoais amiúde incompatÃveis no jogo de alianças. O lulismo agrega filiações diversas.
Nenhuma liderança chegará à próxima disputa com a vantagem inicial de Lula. É bobagem omitir esse fato nas análises conjunturais, pois ele se manifesta em dados precisos e aferÃveis. Ignorá-los não revela prudência ou isenção do observador, mas uma tendência infantil para o auto-engano. É atitude tÃpica dos comentaristas de direita, que sempre subestimaram as chances do PT nas eleições presidenciais e sempre erraram.
Mas existem grupos no campo oposicionista que não se satisfazem com narrativas confortáveis. Eles aprenderam a respeitar a dimensão polÃtico-eleitoral de Lula e vêm lutando arduamente para tirá-lo do páreo.
Não se trata mais de abalar sua imagem pública. O fracasso eleitoreiro do julgamento do “mensalão†mostrou que o prestÃgio de Lula sobrevive mesmo sob implacável campanha negativa. A própria estratégia golpista refluiu, entre outros motivos, por causa da incerteza quanto aos efeitos negativos sobre o ex-presidente.
A questão, portanto, é impedir a candidatura de Lula, suspendendo seus direitos polÃticos no TSE ou no STF, sob os convenientes auspÃcios da Ficha Limpa. Matar o projeto no estado embrionário, com o torniquete inapelável da legalidade.
Eis o motivo da afoiteza com que procuradores e juÃzes tratam as “suspeitas†contra Lula e sua famÃlia. A rapidez garante que um eventual processo transcorra, ou pelo menos seja iniciado, antes que a Lava Jato se desmoralize de vez.
E assim chegamos a uma resposta mais abrangente para a questão do tÃtulo: a ofensiva contra Lula ocorre porque o Judiciário brasileiro se transformou num mecanismo capaz de atropelar a democracia para satisfazer interesses polÃtico-partidários.
http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/
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