Reencontro com Tarsila

Baía da Guanabara (Tarsila, 1929)
1
joca simonetti · Vitória, ES
3/2/2011 · 4 · 0
 

Desde a adolescência tenho um caso de amor com Tarsila do Amaral. Cheguei aos óleos da ninfa pelas mãos de seu amigo e confidente Mário de Andrade. Afinal, foi pelos textos de Mário e pela personalidade desse intelectual brasileiríssimo e generoso, que descobri o movimento modernista brasileiro.

De um poema a outro, das cartas a Fernando Sabino a Macunaíma e a outras cartas, outros autores, romances, poemas e teoremas fui de livro em livro colecionando minhas memórias do modernismo. Fui também me apaixonando por Tarsila.

O primeiro espanto foi, que falta de originalidade minha, com Abaporu. Depois vieram os Operários, aquela São Paulo moderna em linhas retas e férreas e o delírio da natureza antropofágica de Tarsila. E além disso, Mário, que moça bonita!


Estou convencido de que Mário nutriu um enorme amor por Tarsila. Provavelmente correspondido e provavelmente casto.

Trecho de carta de Mário de Andrade a Tarsila, 11-1-923

Aproximo-me temeroso de ti. Creio que és uma deusa: NÊMESIS (...) Mas será mesmo Nêmesis? Que és deusa, tenho certeza disso: pelo teu porte, pela tua inteligência, pela tua beleza. Mas a deusa que reprime o excesso dos prazeres? Não creio. Tua recordação só me inunda de alegria e suavidade. És antes um consolo que um pesar. (...) Foi a fraqueza que me fez pensar que eras tu Nêmesis. Perdão. Estou a teus pés, de joelhos. Mais uma vez: perdão.



Pois bem. Todo essa recordação juvenil está aqui porque no último final de semana fui visitar a exposição "Tarsila sobre papel", que reúne 70 desenhos da artista e está aberta à visitação no Maes - Museu de Arte do Espírito Santo.

Foi um reencontro. A última vez que havia estado com as obras de Tarsila fora em Buenos Aires, no Malba, onde - por sorte - encontrei a exposição "Tarsila Viajera". Lá, vi pela primeira vez o desenho "Victoria I", que retrata nossa capítal, vista da entrada da baía, com o Convento da Penha à esquerda. Esse desenho está na exposição do Maes.

Tarsila fez outros desenhos de Vitória. No Malba vi também "Cidade da Serra - Victoria". Nele distingue-se, ao fundo, claramente, a Pedra dos Olhos, ou dos Dois Olhos, ou Pico Frei Leopardi, conforme as muitas denominações que a formação rochosa que domina a paisagem de Vitória recebe.

Há ainda três outros desenhos - Victoria II, Victoria III e Victoria IV -, que integram o conjunto feito pela artista em 1927. Estes três desenhos não conheço, nunca vi. O catálogo raisonné de Tarsila, disponível na internet, faz menção a existência das obras, informa que estão em coleção particular sem dizer qual e não trazem imagens dos desenhos. Para acessar o catálogo, clique aqui.

A experiência de reencontrar Tarsila foi, mais uma vez, maravilhosa. Nesta oportunidade, em particular, chamou minha atenção um desenho da Baía da Guanabara, toda curvas e movimento, que é um retrato emotivo do lugar.

compartilhe

comentários feed

+ comentar

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados