Teske lança livro pelo Senado em Tocantins

Wolfgang Teske
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Anand Rao · Brasília, DF
26/7/2011 · 2 · 0
 

As Edições do Senado está lançando na Feira Internacional do Livro do Tocantins o livro “Cultura Quilombola na Lagoa da Pedra” de autoria do Professor Wolfgang Teske.

Wolfgang nasceu em Blumenau, SC, filho de pedreiro e de dona de casa. Graduado em Teologia pelo Seminário Concórdia de Porto Alegre – RS (1981) e Comunicação Social/Jornalismo pelo Centro Universitário Luterano de Palmas – TO (2006) é pós-graduado em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Albert Einstein de Brasília – DF. Também é Mestre em Ciências do Ambiente/Cultura e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Tocantins – TO (UFT). Morou em Belém onde coordenou o Centro Integrado de Educação, Saúde, Assistência Social e Evangelização. Em Palmas – TO, como primeiro diretor geral, foii o responsável pela construção e implantação do Complexo Educacional da Universidade Luterana do Brasil (1992 a 1997). Posteriormente, exerceu o cargo de Diretor de Relações Empresariais e Comunitárias da Escola Técnica Federal de Palmas – TO, na sua implantação (2003 a 2004). Integrou a equipe da administração municipal para a implantação do Sistema de Escolas de Tempo Integral e vários Conselhos Municipais (2005 a 2010) Sou professor universitário e atualmente integrante da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins da UFT, atuando em pesquisa de âmbito nacional.

Nesta entrevista ele fala de sua carreira enquanto escritor bem como se posiciona sobre a Feira e etc.

Fale um pouco da carreira literária, dos livros publicados, dos prêmios e etc?

Wolfgang Teske – A carreira literária inicia, podemos assim dizer, com a pesquisa realizada na Comunidade Quilombola Lagoa da Pedra em Arraias – TO, durante o curso de graduação em Jornalismo, a partir de 2004. A partir da descoberta da teoria da Folkcomunicação, primeira e única teoria brasileira de comunicação eu tomei a decisão de fazer algo mais do que simplesmente o cumprimento curricular de uma monografia. A folkcomunicação, sendo uma base teórica-metodológica transversal e interdisciplinar me fez navegar pelas áreas da semiótica, história, antropologia, comunicação e outras e assim, juntar um material riquíssimo do patrimônio imaterial da comunidade quilombola. Principalmente a riqueza da tradição oral, pois não tinham nenhum documento escrito e nem fotografias que registrassem o seu passado. Reunindo o material foi publicado o primeiro livro A Roda de São Gonçalo na Comunidade Quilombola da Lagoa da Pedra de Arraias, TO, atualmente na 3ª edição, Editora Kelps: Goiania, 2009. Em 2010, foi publicado o foto-livro Projeto Fotográfico A Roda de São Gonçalo, sendo o primeiro livro dessa natureza no Estado do Tocantins. Ele é parte integrante da exposição fotográfica realizada em parceria com o repórter fotográfico Émerson Silva que me acompanhou durante a pesquisa e o fotojornalista Manoel Júnior. Fomos selecionados no 1º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afrobrasileiras, na área de Artes Visuais, concurso promovido pelo Ministério da Cultura, Fundação Cultural Palmares e do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo Santos Neves (CADOM) patrocinado pela PETROBRÁS.

Agora fale do livro que estás lançando, qual o tema, título, editora, se divide em quantas partes, enfim, informe nosso público leitor?

Wolfgang Teske – O meu terceiro livro, Cultura Quilombola na Lagoa da Pedra, Arraias – TO, que está sendo lançado, é resultado da pesquisa de mestrado em Ciências do Ambiente/Cultura e Meio Ambiente faz um estudo profundo dos rituais, símbolos e rede de significados das manifestações culturais: um processo folkcomunicacional de saber ambiental da Comunidade Quilombola Lagoa da Pedra de Arraias, TO, publicado pela Editora do Senado, vol. 146. Na introdução da obra é feita uma abordagem sobre o desiquilíbrio que o nosso planeta está sofrendo devido a uma ação antrópica, resultado de um modelo de desenvolvimento implantado e que está gerando uma grave crise mundial. Também há uma provocação para uma reflexão sobre o status quo: Esse modelo de desenvolvimento serve para que e para quem? A partir disso o livro se divide em quatro partes. Na primeira parte é abordada a necessidade de uma mudança paradigmática da ciência, partindo da complexidade do mundo atual e colocando o saber ambiental como centro das discussões e numa visão holística mostra a importância da mitologia para a humanidade. Outra abordagem neste capítulo é sobre a importância de pesquisas das manifestações culturais a partir de uma base teórica-metodológica da folkcomunicação. Na segunda parte são abordados temas como a captura dos negros de países africanos, a escravatura, o surgimento dos quilombos, os quilombolas no passado e no presente, suas histórias, conceitos, suas lutas e a resistência cultural. Em suma, reescreve a tragetória dos negros desde a sua saída da África até a sua chegada no Brasil e no antigo norte goiano, hoje Estado do Tocantins. Também trata das mudanças advindas com a Constituição brasileira de 1988 e das comunidades quilombolas do Tocantins. A terceira parte do livro trata da Comunidade Quilombola Lagoa da Pedra, seu surgimento, sua história a partir da tradição oral, características da comunidade, das mudanças que ocorreram a partir do reconhecimento oficial em 2004, como quilombola. Na quarta parte são relatados detalhadamente os rituais, símbolos e rede de significados das manifestações culturais da Lagoa da Pedra com destaque para as Novenas de maio e junho (festa dos solteiros e dos casados), a Folia do Sagrado Coração de Jesus, as fogueiras de São João e a fogueira dos viúvos e uma abordagem sobre o imaginário e o espírito dos mortos, inclusive com relatos que ocorrem em cerimônia na caverna ou Furna do Bom Jesus da Lapa.

Qual o interesse neste tema, comunidades quilombolas?

Wolfgang Teske – O interesse em pesquisar comunidades quilombolas surgiu no curso de Comunicação Social, em 2004. Eu tomei a decisão de ajudar de alguma forma o Estado do Tocantins no que dizia respeito a sua cultura, especialmente aquela que não era conhecida. Foi em 2004, que a Lagoa da Pedra de Arraias se tornou a primeira comunidade no Tocantins a ser reconhecida como quilombola e um diferencial dela é que mantém a manifestação cultural denominada A Roda de São Gonçalo o que me chamou a atenção. A partir daí desenvolvi várias outras pesquisas focadas no patrimônio imaterial que deteem.

E o Senado, como você descobriu a editora do Senado, o que acha da instituição participar de feiras de livro, dos livros publicados pelas Edições do Senado, dê sua opinião sobre o trabalho desta editora?

Wolfgang Teske – A descoberta da Editora do Senado foi em 2009, no Salão do Livro do Tocantins em Palmas, TO. Minha esposa me mostrou o stand e fomos conhecer os livros e nos deparamos com obras de valor histórico, político e cultural e relevância para o país, além de excelente qualidade com acabamento muito bem feito. Até então não conhecia os livros da Editora do Senado. Logo percebi a qualidade das obras publicadas e os critérios adotados para qualquer livro fazer parte do acervo seleto. Já naquele ano, adquiri várias obras atraído, inclusive pelo baixo preço dos livros, descobrindo que era repassado apenas o custo das obras. A participação da Editora do Senado nas Feiras de livros pelo Brasil afora, possibilita muitos leitores ter contato com obras raras, relevantes e ao preço de custo. É importante que a Editora esteja presente em todas as feiras do Brasil, pois ajuda a disseminar o conhecimento e a cultura.

Quais os próximos trabalhos que pretendes publicar?

Wolfgang Teske – Bem, como tenho muito material depois desse quase seis anos de pesquisa na comunidade quilombola, quero escreve um livro sobre os detalhes de uma pesquisa desta natureza. Desde a chegada na comunidade, detalhes do dia a dia, as dificuldades, as percepções, histórias contadas durante as rodas de conversa, as piadas que contam e, digamos, os bastidores de uma pesquisa histórica-antropológica como a que foi realizada. Tudo ilustrado com fotografias.

E o Brasil valoriza seus escritores?

Wolfgang Teske – Penso que ainda falta muito neste quesito, de valorização dos escritores brasileiros. Evidente que há muitos e que são renomados e conhecidos até fora de nosso país. Mas há tantos outros que, apesar de excelentes escritores ficam relegados a um segundo plano. O fato da Editora do Senado publicar obras com critérios bem definidos faz com que vários escritores sejam valorizados, apesar de desconhecidos.

O que estás achando da Feira Internacional do Livro?

Wolfgang Teske – A Feira Literária Internacional do Tocantins é uma excelente oportunidade para por o público em geral, especialmente alunos e professores em contato direto com uma diversidade literária que dificilmente se conseguiria de outra forma. A participação do público é muito grande e que vem das mais diversas regiões do Estado. Especialmente neste ano, há uma valorização dos autores regionais que apresentam e lançam os seus livros no Café Literário, espaço destinado para música, cultura associada ao lançamento de obras.

Alguma coisa ficou pendente que gostarias de abordar?

Wolfgang Teske – Eu estou muito feliz com a publicação do livro Cultura Quilombola pela Editora do Senado. É uma obra que não visa lucro, pois é vendida a preço de custo, mas, em contrapartida, está disseminada no Brasil, pois pode ser adquirida pelo site da Editora do Senado e faz parte do acervo em todos os locais onde ocorrem as Feiras de livro pelo Brasil afora com a presença da editora. O mais importante é a divulgação da história da Comunidade Quilombola Lagoa da Pedra de Arraias, TO, que por mais de um século e meio sofreu toda sorte de preconceito e discriminação.

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