O chamamé é o resultado do amor, da fusão de raças (etnias), que misturadas com o tempo contaram a história do ser humano e de sua paisagem, projetando-se inclusive para outras fronteiras. (Texto de Magali de Rossi 2009)
Da casa ampla com vista do alto do morro em Belo Horizonte, para o apartamento aconchegante no décimo primeiro andar da Cidade Baixa em Porto Alegre. Depois de um ano morando na capital mineira chego em Porto Alegre para uma nova experiência de desterritório da vida Fora do Eixo.
No primeiro dia em terras gaúchas já saio em circulação, seguindo a Coluna Chamamé - que busca conectar as cidades que realizam pela a primeira vez o festival Grito Rock no estado do Rio Grande do Sul - com a equipe da Casa Fora do Eixo Sul: Branca Schulz, Ney Hugo, Isadora Machado e Paulo Zé para acompanhar o Grito Rock na cidade de Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre. SaÃmos no fim da tarde, pra poder pegar a passagem de som das bandas e trocar uma ideia com agentes locais e da regional sul. Durante o caminho a imagem contrastante da Vila Areia devastada pelo incêndio e a obra gigantesca da nova Arena do Grêmio me impactou. A Casa FdE Sul está colaborando com a comunidade desde o episódio do incêndio, fazendo coberturas, acompanhando o debate sobre especulação imobiliária no local, participando de audiências públicas e ajudando na arrecadação de alimentos e roupas para as famÃlias desalojadas. Existe um projeto chamado Novo Bairro Liberdade, que quer tirar toda uma comunidade da região para transformar em um condominio de ricos, é daquelas contradições escancaradas, uma falta de respeito sem tamanho com as pessoas e a comunidade Vila Areia. Bom, mas sabemos que a disputa não é fácil e estamos preparadas pra ela. E vamos por fora, trabalhando primeiro o imaginário, disputando o simbólico. E vamos gritando bem alto!!!
Ok, mas é preciso equalizar o grito, porque as ideias terão que vir com outras nuâncias. A resposta do poder público as casas de shows e eventos está vindo na ofensiva. Chegando em Cachoeirinha damos de cara com a operação de interdição do espaço onde aconteceria a edição do Grito Rock Cachoeirinha. Um certo teatro armado, bastante policiais truculentos acompanhando os fiscais, mantendo um clima tenso e de proporções maiores que a ocasião necessitava. Ficou um clima de "estamos mostrando serviço". A casa já havia sido notificada uma semana antes, e no dia do evento resolveram interdita-la. E agora? Produtores articulam um novo espaço e com o apoio das bandas e parceiros locais conseguiram realizar o evento em outro local, mostrando a solidariedade e espirito colaborativo entre os agentes, que em momento algum se deseperaram ou deixaram ficar uma sensação baixo astral. Foram pra cima e fizeram acontecer. Foda!
Primeiro dia nos pampas e aquela sensação do #Tudoaomesmotempoagora.
No segundo dia da coluna já fomos mais pra dentro do estado, e deu pra conhecer um pouco do interior, onde as tradições culturais batem mais forte. O itinerário mais uma vez foi na van do músico e "triatleta" Paulo Zé da fabulosa Bandinha DiDaDó e a equipe que seguiu foi Branca, Ney Hugo, Fernanda e o vivente Andres. Destino Santa Cruz do Sul, cidade de pequeno-médio porte, colonização alemã, cidade muito bonita e com ótima estrutura. Ficamos numa casa tranquila de madeira, dos produtores locais do festival. O evento aconteceu no Legend Music Bar, excelente casa de rock muito bem montada e com estrutura muito boa pra receber bandas de médio porte. A edição do festival foi execelente, com apresentações de bandas locais e da região, mais a atração latino americana Petit Mort, banda argentina que realizava o segundo show da turnê pelo paÃs, que passa por mais 15 cidades, sendo mais de 90% dos shows em Grito Rock's. A banda é total auto-gestionária, e ainda viaja com todo backline. Fazem muito barulho e já descobriram que o lance é tocar!
A noite foi muito boa, produtores, bandas, público e o dono da casa saÃram felizes e realizados com o Festival. Dormimos em Santa Cruz e logo de manhã saÃmos de volta pra Porto Alegre, mas antes uma pausa pra tomar café numa das ruas mais lindas que conheci, totalmente arborizada, fazendo um grande guarda sol verde.
Terceiro dia, sábado, dia de colocar a casa em ordem, de colocar as coisas no lugar, dar aquela arrumação e energizar o ambiente da casa novamente. Depois reunião pra fechar o Grito Rock PoA e amarrar os últimos detalhes para o terceiro dia da coluna. No restante do dia correndo com os trabalhos, atualizando email's e fechando planejamentos.
Domingão, missão logo de manhã, saÃmos eu e Ney Hugo para buscar o carro do parceiro Andrio da banda Medialunas na cidade de GuaÃba, que disponibilizou o carro pra gente, depois de diversas tentativas frustadas de alugar um carro, devido a burocracia burra, que mesmo com dinheiro na mão você não consegue alugar um carro.
Pegamos o Gol versão quadrada das antigas e voltamos para Porto Alegre e buscamos o restante da equipe (Branca e Dóris) pra prosseguir viagem. Esse dia a cidade estava um deserto, conseguimos sair de carro fácil, fato que não se repetiu nos dias anteriores devido ao grande fluxo de automóveis, reforçando o péssimo trânsito das grandes cidades brasileiras.
Depois de uma reta só e no tempo de uma hora estávamos em Butiá, cidade de 20 mil habitantes que fica a 80km da capital mas ainda na região Metroplitana. Chegamos direto no Adrenaline Rock Bar espaço onde rolou o Grito Rock, uma casa muito legal, com vários ambientes e uma grande área externa, perfeito pra formação de cena em qualquer cidade no interior do paÃs. Chegamos algumas horas antes de começar o festival, fomos recebidos pelo o recente coletivo local com um churrasco gaúcho. Maravilha!
Logo após o almoço Branca e Ney puxaram uma reunião, momentos sempre muito estimulante na formação de novos coletivos e de renovação pra quem já ta um tempo nessa lida. Os membros do coletivo já trabalhavam com música, já realizam um festival que está na sexta edição chamado Grito Underground, e perceberam no arranjo coletivo a melhor maneira de trabalhar com a música autoral, e estão super dispostos ampliar as conexões com a rede. A experiência do grupo com a música refletiu na organização do evento que saiu redondo, teve um grande público e posicionou a cultura independente na cidade. Vários membros de coletivos de outras cidades do Sul estavam em Butiá, assim como bandas de outras cidades fizeram parte da programação, e claro, os hermanos Petit Mort que chegavam ao terceiro show da turnê. Este dia fiquei responsável pela montagem da PosTV, durante a entrevista com a Petit Mort, a Michu guitarrista e vocalista da banda comentou da potência e união da cena brasileira, da colaboratividade e que isso era o que mais chamava a atenção da banda nos primeiros dias pelo o paÃs, diferentemente do que acontece na Argentina e até mesmo na Europa onde já existe uma cena forte.
No final da noite experimentei o Entrevero, sanduÃche preparado com diversos tipos de carnes, bastante saboroso. Pós refeição, montamos o Compacto.Cine, exibindo um videoclipe da banda Projeto Ccoma da cidade de Caxias, e um curta feito por realizadores de Pelotas. Caiu uma chuva forte e quando deu uma trégua pegamos o caminho de volta para Porto Alegre chegando por volta da meia noite na Casa Fora do Eixo.
Depois de 520km rodados finalizamos a primeira etapa da Coluna Chamamé e meu primeiro final de semana em terras sulinas. Na quinta-feira pegamos a estrada novamente pra percorrer mais uma etapa de 6 cidades gritantes.
Avante!
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