Vigor no caminho da pátria amada

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Amanda Maia · Salvador, BA
23/6/2007 · 76 · 0
 

Os mais novos “viajantes das almas”, como diria Fernanda Montenegro, mostraram a que vieram na pátria amada, no resultado do Módulo I de Interpretação Teatral da Escola de Teatro da UFBA. Os calouros de 2007 revelaram-se uma turma extremamente vigorosa e dona de uma energia contagiante e cativante.

A mostra “Pátria Amada – Plasil”, dirigida por Luiz Marfuz e Iami Rebouças aconteceu na Sala 5 da Escola, nos dias 16 e 17 de Junho, em três concorridíssimas sessões por dia, com direito a espectadores “repetentes”, que saíam da sala e encaravam nova fila por senha para beber mais um pouco do caldeirão de emoções ferventes que a turma ofereceu: ancestralidade, pesquisa de DNA, matizes culturais, nacionalidade, preconceito, ufania, antropofagia, religiosidade, descobrimentos e Guimarães Rosa...

A estrutura da encenação seguiu o formato bem sucedido da Mostra dos calouros do ano anterior, dirigida pela mesma dupla. O coro de atores que explora e extrapola possibilidades, o ritmo preciso e intenso que faz pulsar toda a platéia, sugada pelo mosaico multifacetado de microcenas que se desenvolvem ao longo do espetáculo, e, a musicalidade, que nesta turma é deveras pungente, e que contou com o “auxílio luxuoso” de uma banda que ia do violoncelo ao agogô.

O desempenho dos alunos-atores foi, em sua maioria, muito vibrante e corajoso. A turma é heterogênea e bastante rica em possibilidades. O humor pareceu ser a verve mais forte e é estimulante saber que tipos como “Mãe Coisinha”, “Filho Americano”, “Dr. Lexotan” e “Padre Cabra da Peste” nasceram a partir de improvisações em sala de aula.

Fica, é claro, patente que ainda há uma longa estrada a percorrer pelos “viajantes”. Ainda há falta de foco, alguns ainda tornam-se espectadores na cena e alguns ainda não perceberam que o trabalho do ator é essencialmente um jogo, e este não é solitário. Em um debut, ganhar o público parece ser o mais importante, mas é a generosidade em cena que garante o resultado positivo. Estranhamente, foi em alguns dos atores que tinham mais “bagagem” que este “truque” fez mais falta.

Mas ele estava lá. Imponente, resplandecente, implacável: o brilho nos olhos de quem foi tocado por Dionísio. O trabalho era vivo, não só em sua forma e temática, também em seu cerne. A comemoração ao final da última sessão reforçou o que a encenação deixava perceptível: há muita energia pra ser usada no caminho.

Que o caminho não apague este brilho nos olhos, não dê lugar a um cinismo opaco, que o frescor do começo desta senda a preencha por tijolos da experiência e que esta traga consigo muitas pequenas mortes, mas acima de tudo, muitas ressurreições em uma pátria que precisa estar sempre muito fértil: o teatro.

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