Em documentário e livro, a presença das caixeiras nas
Festas do Divino do Maranhão
São mulheres simples. Em sua maioria, têm mais de 40 anos. Cantam, tocam caixas, pagam as suas promessas e as de outros. Estão presentes nas festas do Divino EspÃrito Santo, no Maranhão, onde a tradição familiar começou com suas bisavós, avós, passou de mãe para filha. E assim continua. Elas seguem com o Divino, “andando de pés†como dizem, por caminhos sem fins. Uma trajetória de louvor e dedicação agora registrada no documentário e livro “Umas Mulheres que dão no Couro – As Caixeiras do Divino do Maranhãoâ€, da historiadora e percussionista Marise Glória Barbosa. Na próxima quinta-feira, 3/8, à s 20 horas, uma sessão gratuita do filme será realizada na Associação Cultural Cachuera (Rua Monte Alegre, 1094 – Perdizes). Após a exibição, a autora falará sobre o projeto.
Patrocinado pela Petrobras, o projeto tem como referência a dissertação de mestrado apresentado pela historiadora da PUC, de São Paulo, em 2002. Motivada pelo interesse em conhecer a presença das mulheres que tocam tambores em rituais religiosos, Marise aprofundou seus estudos, reuniu equipe e saiu nos passos das caixeiras para compor suas jornadas. Foram mais de nove meses de trabalho, percorrendo 16 municÃpios do Estado do Maranhão. Entre entrevistas, registros de imagens – mais de 100 horas documentadas – cantos e versos, o encontro com várias gerações de mulheres, procuradas para traduzir um ritual que permanece forte e que não perde sua delicadeza e forma de louvar aos santos para todo o sempre.
Trabalho de fôlego, um registro notável
Dirigido pela própria historiadora, o documentário possui 1h40min de duração e foi gravado em formato Mini DV(digital). O vÃdeo traz imagens de caixeiras e de festas realizadas em São LuÃs e em regiões dos municÃpios de Itapecuru Mirim, São José de Ribamar, Alcântara, Humberto de Campos, Penalva e São Simão. Na Capital maranhense, Marise Glória Barbosa visitou casas de culto afro que realizam a festa, como o Terreiro das Pontas Verdes, Casa de Dona Nilza, Casa das Minas, terreiro da Fé em Deus Casa de Nagô e Casa Fanti-Ashanti, entre outros locais.
A linguagem escolhida para o documentário privilegia as caixeiras como portadoras do conhecimento sobre o assunto. São elas as especialistas. “As caixeiras são sacerdotisas, porque conduzem o ritual cantando e tocando os tambores possuem a compreensão das simbologias associadas ao Divino EspÃrito Santoâ€, completa Marise.
Vale ressaltar que os trechos dos cantos das caixeiras são legendados. O DVD possui ainda uma versão com legendas em inglês. O conjunto dos trabalhos (livro e DVD) será doado para bibliotecas, universidades e centros de pesquisa que trabalham com mulheres, cultura popular e religiões. Uma pequena parcela será disponibilizada para venda.
Um ritual marcado com fé
A Festa do Divino é uma manifestação popular, onde se une a espiritualidade e o folclore para agradecer ao EspÃrito Santo os dons e as graças recebidas durante o ano anterior. A Festa, realizada depois de Pentecostes, 50 dias após a Páscoa, é feita com donativos e seu espÃrito é de promover um dia de muita fartura, de abundância, quando quem nada tem recebe de graça. No Maranhão, segundo dados da Secretaria de Cultura local, mais de 150 festas, realizadas em 23 municÃpios, estão cadastradas, atraindo milhares de pessoas de todo o paÃs.
A mais importante particularidade do culto realizado no Estado, aquela que distingue de todos os outros, é que ele é conduzido por mulheres tocando tambores e cantando. São as caixeiras do Divino, as Suas Sacerdotisas. Elas são a única experiência conhecida, uma raridade, se considerar a presença de mulheres na condução de rituais religioso, tocando tambores.
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