A Cidade.

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EL MARIACHI · Santo André, SP
1/9/2010 · 2 · 0
 

"... daí eu tinha combinado que assim que chegasse ao Brasil, me encontraria com a Camilla, até mesmo para terminar esse texto que eu comecei em Dubai. Tínhamos planos de ir ao litoral. Era uma coisa noite de uma já terça-feira e da varanda de seu apartamento – falo do altíssimo vigésimo sexto – com a minha câmera sempre posta cliquei o que resumiria um pouco da idéia do texto que se segue..."

Há um caos interno e urbano. Eu não nego, até o cultivo, muito ao contrário de você. Pós-graduado dessa solidão urbana pensei não existir outro lugar além do final dessa Marginal, dessa Paulista, enfim, dessa minha agora atual Sheikh Zayed Road.
Toda intensidade que sempre quis, hoje me sobra. Vejo que somos tão iguais, me resigno e aceito. Eu sim desejei este lugar, não aceitei vislumbrar a derrota alheia, quero dela compartilhar, ao contrário de você.

É uma solidão difícil de acreditar. São bilhares de sotaques, cores, cheiros, e há uma enorme inércia nas ações de todos por aqui. Algo super artificial. Uma atmosfera de pensamentos que pairam sob este céu onde nosso maior prédio o arranha. A paz aqui não é verde e muitos sim, sabem lucrar. Nas ruas um povo muito cheio de suas próprias preocupações, objetivos, metas e lugares a visitar, mais uma foto a colecionar e a noite um drink a brindar.

Na esquina temos um mendigo, disfarçado, mas mendigo. Solitário em meio à multidão ele resiste ao desconforto. Feliz ele do seu jeito, sem seu próprio caos interno e urbano.
Mentes brilhantes não conseguem fluir entre os carros, lentidão, trânsito, sinal vermelho para as boas idéias. Indubitavelmente eu quero falar de coisas boas ainda sem déficit intelectual aceitável. Não ceda a outra face pra bater e mantenha o respeito a sua cor. Sinto uma urgência em estar vivo, a viver. Assumir outros valores, intocáveis valores. Intocáveis valores se atrasam junto com o metro.



A cidade tem que crescer, eles insistem e conseguem. A cidade vai me engolindo, consigo ver tudo isso aqui de cima, sozinho eu e o meu agora melhor amigo, lap top e minha inseparável câmera.

A cidade é a professora do homem, guarde isso com você. Te dá e te toma tudo que possa ser vital. Te faz sentir solitário em meio a multidão da Sé em plena Segunda-feira pela manha. Nada realmente é como a gente quer.

Minha melhor invenção é acreditar que ainda irá me ligar. O pensamente permanente flui e voa longe, mas logo é interrompido pela buzina do carro de trás, ainda estamos parados no farol verde, nem mesmo da capital saímos. É um transito quase que inacreditável um transito de aspirações ultrapassadas que se faz transbordam nas marginais e vias publicas...

Procurando fugir do cotidiano que massacra nosso intelecto, nos perdemos no papo. A certeza nesse momento é de valerá a pena todos os próximos segundos... estamos radiados de algo que nos contamina, a cidade vai mudando de cor, o cinza vai ficando pra trás, salta-se aos olhos as luzes da cidade, já é mais do que meia-noite e os certeiros tons esverdeados das montanhas do Litoral Sul Paulista se confundem com os tons escuros da noite, de mais uma noite sem estrelas...No metro o vagão lotado espaço no físico – não há mais espaço, muitas preocupações e anseios juntos - mas está vazio de coração, é nesta hora que toca Suspicious Mind do Elvis, raro momento de uma sincronia que beira o absurdo.




Nas filas, no trabalho, todos pensam em fugir do escritório. Fugir para o lar, para a segurança da caverna. Lá sim é o espaço para aqueles que há textos atrás defini como “pessoas-geminha-mole”, lembram?




Globalização de relacionamentos se une à individualismo exacerbado. Tudo é falado, mas nada é assimilado. Pane na consciência... não adianta bater no volante ou colocar as mãos nas cabeça! O sinal está vermelho, fechado pra você e as coisas do coração... agora você está sozinha e pronta para sujar as mãos, a cidade te convida!

Sobre a obra

Morei quase 1 anoe e meio em Dubai... e saudades daquela velha amizade e da presença dela me ajudou e muito a voltar...

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Autoria
Grauter Silva
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