VOZ DO BRASIL
O sol foi dimanhando e o dia de uma manhã
Que fortifica a vida em seus botões de aperto
Terra presa na chinela, jaz, no vai arrastado da vassoura,
Que amanheceu disposta, crente que o dia se abreviará.
Pois tudo limpo, e tudo lindo, sobram-lhe palhas entre outras palhas.
Recolho-me quando era pra me dispor no mundo,
Deito ao relento, lendo, o que as estrelas estão segurando.
O mundo de que preciso é este: o mundo dentro de mim
Outro mundo fora para eu poder ser assim.
Caminho nas lembranças e me balança o peso
E o peso se contrapõe à balança, que lhe revela
Seja do tamanho que for, ela se vela,
A olhar o anti-ponto, o contra-número
Porque no mundo tudo faz essa diferença
Uns comem muito e outros têm o jejum como sentença.
Aumenta o rádio, não o objeto, o som volátil,
Porque agora se encerra no meu peito varonil,
Um sujeito ardil, tramando contra a nação.
E bem no tempo, no contra-régua que se acha o chiado
Do rádio, iniciando uma peleja, quase diária.
Uns falam pra todos e poucos são os que dão ouvido.
Porque já houve tempo que ninguém podia ouvir,
Falar era castigo, um diabo que mastiga os próprios dentes.
Eleva o rádio, não à condição de objeto estranho,
Mas o volume, bem no pingado com esmalte de unha,
É por aí, nesse intervalo, que se ouve e cala a Voz do Brasil.
OI.... uma crônica poética , tão real que incomoda... ´Parabéns... belissíma.
analuizadapenha · Natal, RN 31/8/2007 19:31Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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